Manaus, 16 de Novembro de 2018
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Perdas menores apontam aquecimento

Por: Hellen Miranda - hmiranda@jcam.com.br
20 Fev 2018, 14h16

Crédito:Walter Mendes
Diferente dos resultados positivos do comércio (7%) e da indústria (3,7%) amazonense em 2017, a atividade de serviços fechou o ano em queda. No acumulado dos últimos doze meses, o setor no Amazonas teve recuo de 1,6%, resultado bem inferior aos -13,8% de 2016. Para especialistas, o recuo menos intenso já aponta uma leve retomada econômica. Por outro lado, o Estado fechou dezembro com crescimento de 1,6% na comparação com o mês anterior e 8% frente a dezembro de 2016.

O economista e presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas), Francisco Mourão Júnior, explica que o setor mostra uma recuperação lenta e diz que no panorama geral de 2017 a atividade era a única com números positivos, no entanto, a alta anual foi freada pelo próprio consumidor.

"Alguns fatores desaqueceram o setor, como a baixa da taxa de juros e controle da inflação, que estimularam o consumo. Com isso, o consumidor preferiu comprar, por exemplo, roupas do que gastar com prestação de serviços, como sair para jantar ou ir ao salão de beleza", disse o especialista ao destacar que os primeiros itens a serem cortados em momento de crise, são os ligados ao setor de serviços.

Segundo os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a taxa acumulada no ano do setor de serviços do Amazonas em 12 meses ficou em -1,6%. A média nacional foi de -2,8%. "Vale lembrar que a queda é bem inferior aos -13,8% de 2016, demonstrando que o ano passado foi bem melhor que o ano de 2016", frisou Mourão Júnior. Mesmo com o desempenho negativo no ano, o Amazonas ainda ficou com o quinto melhor desempenho entre as Unidades da Federação.

Já em dezembro de 2017, o setor cresceu 1,6% em relação a novembro (série com ajuste sazonal), após subir 4,8% em novembro e 2% em outubro. Frente a igual mês de 2016 (série sem ajuste sazonal), o volume de serviços cresceu 8%, mantendo o crescimento pelo terceiro mês consecutivo. A receita nominal variou 1,1% em relação a novembro (série com ajuste) e subiu 14,8% em relação a dezembro de 2016 (série sem ajuste sazonal). No acumulado no ano e em 12 meses, a receita cresceu 4,2%.

Hospitalidade

Para o presidente da Abih-AM (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Amazonas), Roberto Bulbol, a atividade hoteleira mesmo oferecendo além da hospitalidade, serviços como restaurante, agência de viagens e salões de eventos, sofreu duramente nos últimos anos. Segundo ele, apenas a área alimentação teve um ligeiro crescimento. "Com a inauguração de centros de compras na cidade, houve também a abertura de inúmeros restaurantes, mas essa alta foi insignificante perto do número de demissões", conta.

Conforme último balanço do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), o serviço de alojamento e alimentação foi o que mais demitiu em 2017, com saldo negativo de mais de 2 mil rescisões no período. Na avaliação de Bulbol, fatores como corrupção e falta de segurança pública contribuíram para o desempenho ruim, principalmente no turismo.

"Além disso, não temos agronegócio e dependemos do PIM (Polo Industrial de Manaus). No entanto, o maior agravante é a concorrência desleal de aplicativos de hotéis, que locam apartamentos mais baratos mas sem segurança ao consumidor, que pode ser alvo de fraudes", destaca o empresário.

Ele ressaltou ainda que, atualmente o volume de ocupação dos quartos de hotéis não permite manter um quadro elevado de funcionários efetivos. "Se um hotel tem 100 apartamentos, a média de ocupação não está passando de 20%, há casos que é esse número chega apenas a 6%. Temos oferta, mas não demanda", lamenta. O Amazonas possui mais de 6,2 apartamentos, o maior número da região Norte.

Para manter o fluxo de hóspedes, Bulbol comenta que o setor investe em itens como qualidade, flexibilidade de preços e promoções. "O ideal seria pensar em novos atrativos para a cidade, que carece de uma estrutura mais adequada para receber os turistas, principalmente no centro histórico", analisa.

"Neste ano, a nova gestão da amazonastur (Empresa Estadual de Turismo) tem investido em uma divulgação forte do Amazonas na capacitação de centros de convenções, feiras e congressos para Manaus. Isso deve contribuir para conquistarmos o mercado, mas não de imediato", finaliza o presidente da Abih-AM.

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