Manaus, 21 de Setembro de 2018
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Otimismo esbarra em desconfiança

Por: Hellen Miranda - hmiranda@jcam.com.br
16 Fev 2018, 15h02

Crédito:Walter Mendes
A expectativa dos brasileiros em relação à melhoria da economia do país avançou 4% os últimos 12 meses, segundo o ICC (Indicador de Confiança do Consumidor) apurado pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) e pela CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas). Seguindo a tendência nacional, o consumidor amazonense também se mantém otimista, mas a projeção de alta expressiva para este ano, esbarra na questão das eleições , o volume de inadimplência e na velha dependência econômica do Amazonas pelo PIM (Polo Industrial de Manaus).

Na avaliação do economista Marcus Evangelista, o otimismo dos últimos meses não é representado em números, uma vez que a maioria dos segmentos ligados ao Distrito Industrial ainda estão se recuperando. Ele reforça que a economia local se prende ao PIM e que as fábricas não começaram as contratações em massa. "Houve muitas demissões nos últimos três ano no polo e as poucas admissões são modestas frente a 2014, por exemplo. Mas alguns segmentos devem crescer neste ano sim, como o de TV que abrirá vagas no setor", disse.

Evangelista defende que o resgate da confiança do consumidor é o que vai ajudar a recuperar a atividade econômica, no entanto, é necessário o aumento de vagas de emprego e ganhos reais de renda, depois de um longo período de queda. "Isso não vai acontecer do dia para noite, mas de uma maneira geral o cenário para 2018 já deve ser refletido em números", prevê.

Segundo o especialista, a redução da taxa Selic é apontada como um dos principais indicadores para a boa expectativa, pois permite uma maior facilidade na hora de financiar um imóvel ou carro. "Por outro lado, os bancos estão mais criteriosos para habilitar financiamentos porque ainda existe um volume alto de consumidores inadimplentes", destaca Evangelista.

Distância encarece produtos

Entre os itens que mais têm pesado no orçamento doméstico da população brasileira, estão os preços dos combustíveis, das conta de luz e as compras de alimentos em supermercados. "O Amazonas sofre dessa realidade, uma vez que não produzimos quase nada do que consumimos e com isso paga-se frete, o que reflete nos altos preços dos produtos", frisa o economista.

Eleições devem frear alta

Na percepção do vice-presidente da Fecomércio-AM (Federação do Comércio do Amazonas), Aderson Frota, o país já superou a crise e a tendência é melhorar. Mas pondera ao comentar que apesar do crédito estar mais barato no processo de vendas, o volume de desemprego ainda é alto, o que inibe o consumo.
Para o empresário, o fato de ser ano de eleições políticas também deve atrapalhar a projeção de alta expressiva no Estado, que segundo ele, deve atingir em torno de 3%. "É complicado porque em ano de eleição tudo é paralisado e como sabemos a política reflete diretamente na economia brasileira".
Frota relembra que a região foi a última do país a sentir os efeitos da crise, e por consequência, é a última a sair dela. "Em 2015 ela chegou aqui, foi quando houve as demissões no PIM, comércio e construção civil. Hoje está mais branda, alguns setores estão reagindo, exceto o último que ainda não deu sinal", avalia.

Ainda ressaltando os bons índices, o vice-presidente diz que o setor comercial apontou melhora em 2017 na comparação com o ano anterior e cita o bom desempenho nos segmentos de alimentos, eletroeletrônicos, calçados e vestuários.

Expectativa nacional

De acordo com a pesquisa do SPC Brasil e CNDL, entre janeiro de 2017 e o mesmo mês deste ano, o índice de melhora da economia passou de 41,9 pontos para 43,6 pontos. Alta de 4% no período. Já para os próximos seis meses, 59% dos entrevistados demonstraram expectativa de melhora de sua condição financeira; 21% das pessoas estão comprando mais, e 20% acreditam que o desemprego está caindo.
Ainda prevalecem avaliações de cenário ruim, classificação feita por 78% dos sondados, quanto ao atual momento econômico. Desses, 59% acham que a economia está ruim por causa do desemprego. Para os próximos seis meses, 24% demonstraram otimismo na situação econômica do país; 39% projetam pessimismo e 33% não têm avaliação a respeito.

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