Manaus, 17 de Novembro de 2018
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Massami Miki aponta crise do setor primário no AM

Por: Jefter Guerra - jguerra@jcam.com.br
31 Jan 2018, 15h01

Crédito:Divulgação
O Amazonas ainda enfrenta problemas para o desenvolvimento do setor primário. A análise é do ex-presidente do Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropec do Estado do Amazonas ) e atual assessor do departamento do Ccoti (Centro de Cooperativa Técnica ao Interior) da Aleam (Assembléia Legislativa do Estado do Amazonas), Massami Miki. "Nós sabemos que o cenário do PIM (Polo Industrial de Manaus) está estabilizando, mas acredito que através de grandes e novos projetos o setor primário terá um pequeno espaço na produção no Estado", disse.

Ao passar três meses a frente do Idam, Miki disse que verificou as reais e grandes dificuldade que o setor primário que o Estado enfrenta hoje. "Primeiro, porque o orçamento deste setor fechou muito baixo o ano de 2017, em 0.6%. E por conta disso, não se conseguiu fazer acontecer o desenvolvimento dele. E segundo, porque é preciso ter mais assistentes técnicos trabalhando com o agricultor, uma vez que quando uma agência de fomento financia um determinado projeto, muitas vezes, o agricultor não possui uma assistência técnica devida para que seu negócio dê certo, o levando ao não pagamento do seu financiamento e ao não crescimento econômico do Estado", afirma.

Massami Miki destaca que o Estado tem uma quantidade gigantesca de pescado em água doce, mas ainda não conseguiu fechar a sua cadeia produtiva de pescado. "Por exemplo, o manejo do pirarucu, uma vez que o nosso irmão caboclo que realiza esse manejo, estava vendendo por R$ 3 o quilo deste peixe, ele ainda não possui um abatedouro ideal para o manejo dele. E para poder compensar isso, o que os frigoríficos estão fazendo hoje? Enquanto que o coro do boi é vendido por R$ 30 a R$ 40, o coro do pirarucu é vendido de R$ 100 a R$ 150, porque o Estado não tem um curtume para realizar o tratamento e o beneficiamento do couro deste peixe, que poderia ser revendido para a Itália, onde viria a se tornar matéria prima de grandes marcas de bolsas e etc. Trazendo assim, o retorno que Amazonas necessita", previu Miki, ao ressaltar também a necessita da criação de um projeto para o manejo de tambaqui.

"Sobretudo porque este peixe é 80% consumido pela população manauara. Mas, o que talvez muitos não saibam, é que o que consumimos não é produzido e nem pescado aqui, e sim em Rondônia, um grande produtor do setor primário. Se não fosse este Estado, não teríamos o tambaqui vendido por R$ 8,50 até R$ 9 nos grandes supermercados da cidade",salientou. Para Miki, o minério e a madeira, também são outras outras matérias primas do setor primário que necessitam de projetos novos para serem discutidos.

"Também é preciso discutir a questão do manejo da madeira e do ouro, porque esses setores são importantes para alavancar economia dos interiores do estado. Como Humaitá, que trabalha com ouro. Porém, desde que este manejo seja dentro das especificações científicas e legais", alerta.

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