Manaus, 23 de Setembro de 2018
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Comércio mais confiante em janeiro

Por: Antonio Parente - aparente@jcam.com.br
25 Jan 2018, 22h38

Crédito:Walter Mendes
O avanço de 0,2 pontos do ICC (Índice de Confiança do Comércio) de janeiro, divulgados ontem (25), pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), tem reflexos no comércio de Manaus que comemora a boa movimentação das vendas durante o período pesquisado. Segundo a Fecomércio-Am (Federação do Comércio do Estado do Amazonas), os segmentos de calçados, roupas e alimentícios foram os que tiveram maior destaque na capital amazonense nos últimos dois meses, aumentando a confiança do empresariado.

A pesquisa remonta a transição de dezembro a janeiro, e os números chegaram a 95,1 pontos, maior nível alcançado desde julho de 2014, quando atingiu o seu ápice de 95,4 (de uma escala de 100 pontos). Para o vice-presidente da Fecomércio, Aderson Frota, a confiança do empresário é resultado das vendas do setor de roupas, calçados e alimentos, e principalmente, do leve processo de estabilidade econômica do país.

"Esses números refletem sim uma melhora do comércio no Estado, e os setores de roupas, calçados e alimentos tiveram uma contribuição fundamental para a alta das vendas. Estamos sentindo que as coisas não estão mais caindo, está tudo estabilizando. E a estabilidade é o estágio que antecede o crescimento gerando confiança", disse.

O gerente de vendas da loja de calçados "Shop do Pé", Wellington Mendonça, explicou que as vendas de fim de ano foram fundamentais para gerar boas receitas. "Houve um investimento muito grande por parte das pessoas. O período de fim de ano alinhado as festas natalinas, contribuíram para as pessoas comprarem bastante", disse ele.

Cautela
Aderson Frota explicou também, que apesar do aumento da confiança circunstancial que o setor vem passando neste início de ano, somente a partir de maio, haverá a possibilidade real de fazer o comparativo e verificar realmente como a movimentação do segmento irá se comportar no decorrer do ano.

"Apesar de ser muito positivo esse momento de confiança no comércio, somente a partir de maio poderemos realmente verificar os números exatos de retomada da economia. Porque janeiro e fevereiro são períodos de férias e carnaval. E nesse período o segmento que mais cresce é o de bebidas e material escolar. Vamos verificar o crescimento em março, onde economia vai voltar a normalidade e somente em maio poderemos fazer uma comparação", explicou.

Frota conta, que ainda de maneira lenta e gradativa, o comércio está na retomada de boas perspectivas para o ano, e acredita que o índice de confiança na geração de novos postos de trabalho é grande, mesmo em um ano de insegurança eleitoral que podem influenciar as atividades do setor.

"Esse crescimento reflete em mais contratações. Isso porque, quando o emprego é gerado, a renda da comunidade aumenta e a demanda de crédito volta a crescer. Sem crédito não há compras. Nós estamos no caminho da retomada. O detalhe importante é que estamos em um ano eleitoral que é difícil e complicado e há muito entraves na economia. Por isso ficamos receosos fazer uma avaliação como uma percepção mais clara", disse ele.

Perspectiva para o futuro
Segundo o presidente da assembléia geral da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ismael Bicharra Filho, 2017 registrou um crescimento de 0,7% nas vendas do setor, números que, segundo ele, foram bastante significativos para o empresário que sofreu muito com o impacto negativo da economia.

"Apesar desse crescimento ser pequeno, foi uma conquista importante porque o comércio não crescia há muito tempo. Percebemos que está tendo mudanças estruturais na economia. E isso gera confiança por parte do consumidor e do empresário. Sabemos que o desemprego não vai acabar de uma hora para outra. A crise que passamos foi muito forte e atingiu a estrutura de muitas empresas. Isso faz com que o empresário tenha mais cuidado na hora de investir", explicou.

O índice de situação atual obteve um progresso de 2,4 pontos chegando a 88 (de uma escala que vai a 100), porém, a confiança dos empresários em relação ao futuro teve um recuo, fato que gera cautela por parte deles nesse primeiro trimestre. Bicharra acredita que esse recuo na confiança dos empresário, deve ao fato do forte impacto sofrido pelas empresas no período áureo da crise econômica, e destacou que devido a isso, a retomada na geração de novos empregos ocorrerá de forma lenta e progressiva.

"Os números geram confiança em investir. O crescimento vai ser gradual. Como muitas empresas foram impactadas e passaram por mudanças estruturais, o retorno da quantidade empregados vai demandar muito tempo e consequentemente a retomada será lenta". disse.

De acordo com o economista, José Fernandes, apesar das incertezas para o futuro em relação a economia e principalmente na confiança no comércio, os números da pesquisa são evidências de que o Brasil está se recuperando, ainda que de forma lenta e gradual. Ele afirma ainda, que o atual cenário permite que haja confiança dos investidores em estudarem com bons olhos o retorno de investimentos na economia brasileira, e consequentemente a geração de novos empregos de forma sucessiva.

"O país está se recuperando e o desemprego caiu mesmo que de forma tímida. A geração de emprego está positiva embora numa taxa de 0,5%. Os juros estão baixando e a oferta está melhorando. A sazonalidade do início do ano como aquisição de material escolar e outros fatores indicam que o consumidor começou acreditar na recuperação da economia. As pesquisas regionais estão muito próximas das pesquisas nacionais, principalmente por que nossa economia está muito atrelado com o que acontece no resto do país, e isso gera uma expectativa por parte do empresário em relação ao futuro", disse.

No total de pessoas ocupadas, o Índice de Expectativas no comércio avançou segundo pesquisa da FGV. Em janeiro, 19,1% das empresas esperam aumentar o número de pessoas trabalhando e 12,5%, estuda a possibilidade de reduzir.

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