Manaus, 14 de Novembro de 2018
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Uma Princesinha que reina

Por: Evaldo Ferreira - eferreira@jcam.com.br
24 Jan 2018, 20h58

Crédito:Divulgação
Quem já viajou de recreio pelos nossos rios, com certeza, já comeu a famosa 'bolacha de motor', servida sempre no café da manhã e no lanche da tarde. Trata-se de uma pequena bolacha redonda e dentada, de água e sal que, pelo preço bem em conta, pode ser encontrada na grande maioria das residências amazonenses, principalmente nos interiores. Em Manaus, a secular panificadora Modelo, na esquina das ruas Joaquim Nabuco com José Paranaguá, fabrica há décadas esse tipo de bolacha e em uma de suas embalagens trás a inscrição 'bolacha de motor'.

A popularidade da bolacha como importante alimento para quem fica dias viajando em embarcações pelos rios amazônicos, se torna evidente na história do empreendedor Davi Vieira, nascido em Anamã, mas vivendo em Manacapuru há mais de 30 anos.

Davi montou o flutuante Ponto Certo, na avenida Beira Rio, na orla da 'Princesinha do Solimões', há 25 anos e, como acontece acontece em todas as orlas das cidades do interior, esses flutuantes acabam se tornando importantes pontos de apoio para as embarcações dos mais diversos portes que chegam a esses lugares.

"O Ponto Certo é um minimercado onde o pessoal das embarcações pode encontrar de tudo o que deve precisar numa viagem", disse. "E um dos produtos mais procurados é a 'bolacha de motor'. Em Manacapuru havia uma única panificadora que produzia bolachas vendidas nos mais diversos pontos da cidade, e aqui nos flutuantes da Beira Rio. Mas ela não dava conta dos pedidos. Sempre faltava e as pessoas ficavam pedindo o produto, e eu perdia vendas. Foi então que eu percebi que poderia fabricar as bolachas ao invés de ficar dependendo dessa panificadora", contou.

Em 2014 Davi começou fabricando artesanalmente as bolachas, e o nome escolhido, Princesinha, foi uma homenagem à cidade que o acolhera. "A produção era artesanal, e daquela forma nunca conseguiria atender à quantidade de pedidos, e continuaria com o mesmo problema de antes, então tive que comprar máquinas, só que essas máquinas não existem para vender em lojas. Precisam ser encomendadas ao fabricante. Encontrei um fabricante no Nordeste e fiz o pedido. Desde que a máquina chegou, nossa produção passou a ser semi-artesanal. Uma parte os padeiros fazem com as mãos, e depois os produtos seguem para a industrialização", explicou.

Produto chega longe

E a Princesinha logo fez sucesso entre aqueles que a provavam apesar de o formato não ser o redondinho e dentado. "Foi proposital fazê-la no formato retangular, pois nós quisemos dar-lhe uma identidade própria", falou Missias Vieira, irmão de Davi e quem gerencia a fábrica.

Nesses três anos a procura pela bolacha tem sido tanta, que os irmãos nem se preocuparam em fabricar outro produto. A Princesinha, com sabor água e sal e tamanho 2,5 cm x 4,5 cm, reina absoluta entre as embarcações que atracam em Manacapuru, e a população da cidade.

"Atualmente estamos produzindo 40 toneladas/mês da bolacha, e usando 800 sacos/mês de trigo. Diria que o principal fator para ela cair no gosto de quem a prova, é a qualidade de toda a matéria-prima que utilizamos, produtos de primeira", garantiu Missias. "E não paramos de aprimorá-la. Já estamos na sexta receita. Mexemos um pouquinho aqui, um pouquinho ali, e o principal: ouvimos os consumidores. Se eles estão gostando, mantemos", ensinou.

Ampliando a estrutura do prédio onde funciona a panificadora, 22 funcionários atuam no estabelecimento e, com as novas máquinas que irão chegar, outros deverão ser contratados. "A Princesinha chega a quase todos os municípios do Amazonas e não só consumida nas embarcações que atracam no Ponto Certo, mas solicitadas por comerciantes desses municípios que a querem para comercializar", disse Missias. "Manacapuru está localizada numa região estratégica, entre os rios Solimões e Amazonas, e dezenas de embarcações passam aqui por mês, seguindo para a maioria dos municípios amazonenses, por isso nosso produto chega tão longe", afirmou Davi.

"Eu curso Gestão Comercial, na UEA, e uma noite, em que a aula era transmitida para 36 municípios por videoconferência, o professor pediu que os alunos citassem um produto produzido em suas respectivas cidades e perguntou se os demais conheciam esses produtos. Eu, lógico, falei da Princesinha, e os alunos dos 36 municípios conheciam a bolacha, vendida em suas cidades", exultou Missias.

A princesinha do Solimões

Manacapuru é a quarta cidade mais populosa do Amazonas, com quase 95 mil habitantes (IBGE/2015). Sua economia baseia-se na extração vegetal e animal, na pesca e na agricultura, sendo a última mais relevante. O trabalho de escoamento de sua produção é feito através de vias fluviais, portando desde pequenos barcos até grandes navios. A via rodoviária também é utilizada, em menos intensidade.

Os atrativos turísticos também são outro destaque da região, seja em suas tradições culturais ou em sua beleza natural. O meio ambiente apresenta-se próximo à cidade, oferecendo um contato direto ao turista. O Mirante de Monte Cristo, as belas cachoeiras, as ilhas Nova e Ubim e a área de proteção ambiental RDS Piranha são exemplos de tais diferenciais ambientais. Sua cultura também é rica, sendo encontrada não apenas no artesanato e culinária típicos, como na tradição retomada da Ciranda. Esta última serve de exemplo para o resto do Brasil, mostrando a possibilidade de readquirir antigos costumes e tradições.

Comentários (1)

  • Wandson da Silva Rodrigues27/01/2018

    Sou consumidor desse produto, toda vez que faço meu rancho eu compro, muito bom recomendado, e o bom de tudo isso também, é que gera emprego e renda pro no município, parabéns Davi e cia, que Deus continue abençoando vocês.

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