Manaus, 19 de Setembro de 2018
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Desemprego impulsionou novos negócios

Por: Antonio Parente - aparente@jcam.com.br
22 Jan 2018, 22h35

Crédito:Walter Mendes
Baseado em novos registros na Receita Federal, número de empresas cresce 13,6% no Brasil, em relação 2016, aponta dados do Boa Vista SPC. Destaque para o MEI (Micro Empreendedor Individual), que entre as categorias, teve uma participação de 75,5% desse crescimento, e entre as categorias, foi a que mais cresceu, com 19,1% em relação ao ano passado. Segundo especialistas, essa crescente é motivada pelo aumento do número de pessoas que perderam o emprego.

"O crescimento se deve pelo aumento de pessoas que perderam emprego, pegaram sua rescisão e resolveram montar algo próprio. Tanto é que o MEI, tem caraterísticas de empresas que são abertas por pessoa que tem um faturamento de no máximo R$ 5 mil por mês", explica Carlos Oshiro, diretor da Targo Consultoria.

Segundo Oshiro, outro fator que tem contribuído bastante para a crescente alavancada de novas empresas brasileiras, é o surgimento de jovens empreendedores de postura ousada, que surgem com ideias e novos modelos de oportunidades de negócios. "O jovem tem mais coragem para empreender e é uma geração com a mente mais aberta para o conhecimento e novas tecnologias", disse.

Os números da Boa Vista SPC, confirmam também que as MEs (microempresas) obtiveram um crescimento de 6,8%, e outros tipos de companhias registraram queda de 12,8% na mesma base de comparação. Em relação a composição, o MEI representou 75,5%, as microempresas participaram com 16,8% e as demais categorias corresponderam a 7,8% do total.

Para a consultora empresarial, Michele Guimarães, o empreendedorismo sempre cresce em período de crise econômica e desemprego, com isso, a busca por novas alternativas de trabalho pelo brasileiro aumenta.

"O empreendedorismo sempre cresce no meio da crise. Essas pessoas precisam se sustentar, e no Brasil não temos uma cultura de empreender, o brasileiro empreende por necessidade. A crise política e econômica e as dificuldades que o Pólo Industrial de Manaus tem passado, tem levado o amazonense a empreender. A pessoa vai vender bolo, fazer manicure ou qualquer outra coisa para ganhar o pão de cada dia", disse ela.

A consultora destacou também que a alta procura das pessoas para ser microempreendedor individual deve-se às facilidades e os benefícios que ele oferece como fator emprego independente e seguridade social. E explica que a tímida expansão do MEs de 6,8%, é devido a sua burocratização.

"O MEI veio para simplificar o negócio. O ME é mais burocrático e demorado até 120 dias para registrar a empresa. Então as pessoas procuram o que é mais fácil. Ela consegue se regularizar e tem amparo", disse.

Para o empresário e ex-presidente do AJE-AM (Associação dos Jovens Empreendedores do Amazonas) Rodrigo Viegas, a busca por independência é outro fator predominante para o alto investimento do jovem em novos negócios.

"O jovem tem empreendido mais e o fator primordial é a busca por independência. Com a divulgação da informação sendo difundida ele ver que é possível montar o próprio negócio. Eles se informam e estudam mais e acabam formando um case de sucesso e acabam entrando no mundo dos negócios. Hoje o acesso a informação e próprio modelagem de negócio está cada vez mais fácil e acesso a internet torna o investimento possível", disse.

Segundo dados da Jucea (Junta Comercial do Estado do Amazonas), em 2017, foram constituídas 5114 novas empresas no Estado. Julho e agosto foram os meses que tiveram a maior alta. Desse total, 55% é formado por novos empresários, 26% LTDA (Empresas de Sociedade Limitada), 18% Eireli (Empresa Individual de Responsabilidade Limitada) e 1% S.A (Sociedade Anônima).

Em relação a extinção de empresas, foram 4175 empresas fecharam as portas. Destaque para o mês de março que registrou a maior alta. Destes registros, 85% é formado por empresários, 13% LTDA e 2 % Eireli. De junho a dezembro, os números de empresas que declararam falência foi bastante baixo.

Como abrir um negócio

Segundo Carlos Oshiro, a consultoria é uma ferramenta importante para o empreendedor começar o seu novo negócio da forma certa. E estabelecer um plano de estratégia é fundamental para ter um diferencial a mais e alavancar as atividades. Estabelecer o propósito da empresa para não perder dinheiro no futuro
"O problema quando empreendedor tem esse perfil de empreendedor nato, ele vai fazendo pelo próprio instinto, sem estratégia e falta conhecimento. A consultoria ajuda a orientar o empresário. Quando não tem estratégias acaba entrando na guerra de preço e essa guerra vem quando a empresa não tem diferenciais. É importante sempre se perguntar: Por que a empresa existe? O que está ligada ao propósito dela?", disse.

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