Manaus, 19 de Novembro de 2018
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Interior tem política própria de preços

Por: Antonio Parente - aparente@jcam.com.br
18 Jan 2018, 22h21

Crédito:Walter Mendes
A política de reajuste do preço dos combustíveis pela Petrobras, que tem como objetivo acompanhar as cotações internacionais, na maioria das vezes não condiz com a realidade dos postos de combustíveis do Amazonas, afirmam especialistas. Os constantes aumentos baseados nos índices de mercado, são apenas o começo de um preço elevado. Dificuldades no transporte, além de outros fatores como custo em logística, influenciam diretamente no preço final ao consumidor em uma região onde as distâncias são contadas em dias e não em quilômetros.

Segundo o vice-presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas), Nilson Pimentel, por conta das características da região como a distância, o preço pago nas bombas dos postos sempre será acima do valor real definido pela realidade do mercado local.

"Quase todos os produtos consumidos no Estado são de origem externa, fator que aumenta o preço nas operações comerciais, principalmente no que diz respeito às taxas elevadas com transporte. E falando da gasolina, que é um insumo básico da economia, quando sofre reajuste, praticamente tudo aumenta no mercado. Simplesmente, importamos o que consumimos", disse ele.

Segundo dados ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), dos cinco municípios pesquisados no Amazonas, Tefé foi o que teve a maior alta nos preços da gasolina, com o valor de R$ 3,90 para distribuidora e para o consumidor final R$ 4,95. No ano, o diesel subiu 1,26% nas bombas.
Natural do município de Tefé, a universitária Thania Alves, conta que muitos trabalhadores que atuam com transportes fluviais, tiveram suas atividades do dia prejudicadas pelo alto valor do diesel que chegou a R$ 3,45 por litro.

"Para chegar em um bairro chamado Tefé-Abial por exemplo, que se precisa atravessar um lago para chegar, cada transportador cobra em média R$ 0,50 por pessoa. Para municípios vizinhos, o preço é R$ 8 por pessoa. Fico imaginando o custo que eles têm, porque eles cobram um preço barato pelo grande fluxo de pessoas que utilizam o transporte e consequentemente precisam arcar com o preço do combustível", disse ela.

Gás de consumo residencial

Já em relação a GLP (Gás Liquefeito de Petróleo) de uso residencial, a Petrobras anunciou ontem (18) a revisão da política de preços em botijões de até 13kg, definindo novos critérios dos reajustes, que reduzirá em 5% o preço vendido nas refinarias a partir de hoje.

O presidente da Petrobras, Pedro Parente, afirmou ontem, que após essa redução, o preço médio residencial sem tributos comercializados pela refinaria, ficará em R$ 23,16 por botijão de 13kg. A ideia segundo ele, é sair da mudança de um comportamento de preço variável para um preço constante.
"É um mecanismo para dar flexibilidade e evitar grande aumento. É importante quando se discute o preço de venda ao consumidor, que nós estamos em função do preço internacional. Todos os acréscimos superiores que são colocados a esse que estipulamos são derivados de impostos e das margens de distribuição e comercialização", disse.

Combustíveis em Manaus

Em Manaus, o aumento de 0,74% do preço da gasolina nas refinarias na última semana, levou as distribuidoras a repassar o produto para os postos a R$ 3,81. Com as taxas transacionais e o preço nos trâmites de transferência, quem saiu pagando mais caro foi o consumidor final, que teve que desembolsar R$ 4,29 para abastecer.

Segundo o presidente do Sindicombustíveis-Am (Sindicato Estadual do Comércio Varejista de Combustíveis, Derivados de Petróleo e Álcoois do Amazonas), Luiz Felipe Moura, tanto os donos dos postos quanto o consumidor final, sempre são o elo mais fraco a cadeia.

"Os donos dos postos possuem gastos com o processo de compra, vem os impostos e outras taxas com operações. A realidade nacional não corresponde ao que a nossa região enfrenta. Isso nos prejudica, porque entende-se que estamos com ganância e queremos aumentar o preço, mas não formamos preço. O mercado e a realidade regional que formam", explicou.

O gerente do posto Japiim, na zona Centro-Sul, Roberto Bortolli, explica que uma das maiores dificuldades é ajustar os preços de acordo com o valor oferecido pelas distribuidoras, e explica que os gastos e a perda direta de clientes tem prejudicado o mercado. "O movimento está baixo devido aos preços, infelizmente é uma consequência que temos que arcar. O custo de R$ 600 por cada carga de 30 mil litros é um preço elevado. Fora os impostos que temos que pagar", disse. Bortolli frisou que os preços finais são estabelecidos pelas distribuidoras por patamares regionais, que são pesquisas realizadas semanalmente nas regiões da cidade. "O acréscimo nos preços gera descontentamento. Mas, isso depende do preço atualizado pago ao fornecedor. Cada distribuidora mantêm a margem de lucro que gostaria de receber. Quando isso ocorre a empresa tem que aumentar três vezes o volume de vendas para não ficar em déficit", explicou. Atualmente a média dos preços dos combustíveis em Manaus está custando R$ 4,29 a gasolina, R$ 3,33 o diesel e R$ 3,39 o etanol.

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