Manaus, 19 de Setembro de 2018
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"Cada um de nós tem seu papel"

Por: Evaldo Ferreira - eferreira@jcam.com.br
18 Jan 2018, 21h27

Crédito:Divulgação
Ou cuidamos agora do planeta Terra, ou corremos o sério risco de torná-lo inabitável. Foi pensando nisso que, em 2008, a consultora de moda sustentável, Chiara Gadaleta, criou o movimento Ecoera, tendo como objetivo integrar os mercados de moda, beleza e design a questões sociais e ambientais. Em novembro foi inaugurado o Portal Ecoera. A consultora é colunista da revista Vogue e apresentadora do programa 'Menos é Demais', da Discovery Home & Health, além de ser responsável por programas de inclusão social e capacitação junto a ONGs e cooperativas por todo o Brasil. No Amazonas, Chiara coordena o projeto 'Trançados do Uatumã', uma central de artesanato na Reserva do Uatumã (localizada entre os municípios de São Sebastião do Uatumã e Itapiranga), em parceria com o Idesam (Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia) e a Sema (Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas).

Em entrevista ao Jornal do Commercio, Chiara detalhou melhor os seus projetos.

Jornal do Commercio - Fale sobre o projeto 'Trançados do Uatumã'.
Chiara Gadaleta - O 'Trançados do Uatumã' é uma iniciativa do Ecoera em parceria com o Idesam e a Sema. Na primeira fase do projeto nosso objetivo foi visitar a Reserva do Uatumã, principalmente as comunidades Nossa Senhora do Livramento e Santa Luzia do Caranatuba, para promover o desenvolvimento de peças e coleções visando o aumento da renda local, além do incentivo ao ecoturismo comunitário. Nessa segunda fase estamos direcionando nossos esforços para estabelecer pontes e facilitar parcerias na questão do cálculo e compensação de carbono entre empresas dos setores de moda e beleza e o Idesam. Acreditamos que dessa forma estamos colaborando indiretamente e chamando atenção para o programa Carbono Neutro. O Portal Ecoera (www.portalecoera.com.br), nova plataforma do Movimento Ecoera, que funciona como um hub de consumo consciente com produtos, serviços e conteúdo sustentável, é neutralizado por meio dessa prática. Dessa forma, disseminamos a importância de ajudarmos comunidades ribeirinhas promovendo o SAF (Sistema Agroflorestal).

JC - Desde quando você começou esse seu trabalho voltado para o sustentável?
CG - Esse ano completamos dez anos de atuação nos mercados de moda, beleza e design por meio do Movimento Ecoera. Naquela época, em 2008, meu questionamento era embasado no fato de a moda ter entrado em descompasso com seu tempo. Sempre considerei a moda como um repórter de uma época, uma fotografia fiel de um tempo. Sentia que o planeta e a sociedade gritavam socorro e o mercado, a indústria da moda, que sempre foi minha paixão, não estava alinhado com essa urgência. Assim comecei a pesquisar e dedicar meu trabalho em busca de uma moda que representasse os nossos tempos de sustentabilidade ambiental e social.

JC - Então surgiu o Movimento Ecoera?
CG - Sim, criado com o objetivo de integrar os mercados de moda, beleza e design a questões sociais e ambientais por meio de um conjunto de atividades, práticas e ações que aproximassem toda a cadeia produtiva dessas áreas à sustentabilidade ambiental, social, econômica e cultural. Em dez anos de trabalho, esse esforço vem ajudando mercados a quebrar paradigmas e a inaugurar um novo capítulo em suas histórias, onde toda a cadeia - indústria, marcas, designers e público final - se unem para criar um ciclo de produção mais consciente, em que ética e estética possam andar lado a lado.

JC - Nesses dez anos do Ecoera você tem notado mudanças, para melhor, no hábito das pessoas?
CG - Em 2011 lançamos a primeira semana de moda sustentável do Brasil. Em 2015 lançamos o Prêmio Ecoera, que premia empresas nas áreas de moda, beleza e design em quesitos de sustentabilidade, que já caminha para a sua terceira edição. No final de 2017 celebramos mais uma jornada com o lançamento do Portal Ecoera, uma plataforma online com práticas de impacto positivo e um hub de consumo consciente com mais de 180 marcas dos setores de moda, beleza, design e gastronomia cadastradas.
Essas conquistas são respostas do mercado e esses números mostram como o consumidor está conectado e busca, com suas marcas, engajamento e responsabilidade social e ambiental.

JC - Na sua opinião, o mundo tem jeito ou caminhamos para um planeta insustentável?
CG - Acredito que somos guias nesse momento de transição de comportamento.
Sou realista e acredito que cada um de nós tem seu papel na sustentabilidade e pode usar suas ferramentas e habilidades pessoais e profissionais para fazer a diferença. As minhas são a moda e a beleza.

O Portal Ecoera

O Portal já nasceu com 1.000 itens disponíveis, alem de serviços diversos e dicas de práticas de impacto positivo para o dia-a-dia. Ele está estruturado em quatro seções: Impacte Positivamente, com dicas simples e práticas de como melhorar hábitos rotineiros ou de como aderir a causas importantes; Guia, onde são encontrados serviços como estabelecimentos, eventos ou profissionais mais próximos do endereço do interessado; Consumo Consciente, onde estão disponíveis produtos sustentáveis de moda, beleza, gastronomia e design; e News, espaço onde são reproduzidos notícias, vídeos e imagens ligadas à práticas e atividades sustentáveis. A projeção é reunir os melhores serviços e marcas sustentáveis do mercado e movimentar R$ 8 milhões no primeiro ano de operação. "A missão do Portal Ecoera é conectar indivíduos, empresas e terceiro setor em torno do consumo consciente fomentando formas positivas de fazer negócios", falou Andrea Teixeira, sócia do Portal.


O QUE?
www.portalecoera.com.br/

Site: www.ecoera.com.br

E-mail: ecoera@ecoera.com.br

Facebook: Eco Era

Instagram: @ecoera

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