Manaus, 16 de Novembro de 2018
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Menos demissões não é retomada

Por: Hellen Miranda - hmiranda@jcam.com.br
15 Jan 2018, 21h45

Crédito:Walter Mendes
O PIM (Polo Industrial de Manaus) fechou 2017 com uma redução de 31% no número de demissões de trabalhadores do setor frente a 2016. Segundo dados do Sindmetal-AM (Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas), de janeiro a dezembro foram 12,3 mil homologações enquanto em igual período do ano anterior, o índice chegou a 17,8 mil dispensas. As fábricas de eletroeletrônicos foram as mais afetadas no período.

De acordo com o relatório da entidade, no primeiro semestre houve registro de 7,1 mil demissões contra 5,1 mil no segundo. O número representa uma queda de 28% no comparativo semestral. Apesar dos indicadores positivos, o presidente do Cieam (Centro das Indústrias do Amazonas), Wilson Périco, pede cautela ao analisar o resultado, uma vez que segundo ele, nos últimos anos o setor perdeu aproximadamente 45 mil empregos. Em 2014, o parque fabril contava com 127 mil trabalhadores.
Na avaliação de Périco, não se pode falar em uma retomada e as empresas ainda trabalham com capacidade limite de trabalhadores. "Temos que manter o pé no chão porque os empregos do setor vem diminuindo e isso é preocupante. O fato de reduzir as demissões não representa uma retomada de crescimento, já que estamos fazendo um comparativo com um ano base ruim", afirma.

Segundo o Sindmetal, de janeiro a dezembro de 2017 houve registro de 12.302 demissões no PIM contra 17.837 desligamentos em 2016, uma queda de 31%. A Samsung da Amazônia foi a empresa que mais demitiu funcionários no período. Ao todo, foram 990 trabalhadores dispensados pela multinacional no pátio industrial.

Em seguida aparecem Salcomp da Amazônia (763), Moto Honda da Amazônia (738), Robertshaw (474), Flex (469), Whirlpool (396), Jabil do Brasil (306), Cal Comp (286), LG do Brasil (302) e Evadin (152).
O relatório do sindicato ainda apontou, que janeiro registrou o menor volume com 637 desligamentos, sendo 215 mulheres e 422 homens. Em fevereiro as demissões chegaram a 1.438 pessoas e março esse número subiu para 1.711 trabalhadores. No quarto mês do ano foram 1.165 rescisões, 1.470 em maio e 757 em junho. No total, o primeiro semestre registrou 7.178 mil desligamentos.

Em julho as demissões caíram pela segunda vez no ano, com 687 dispensas e agosto esse número saltou para 1.234 trabalhadores. No nono mês houve (914), depois outubro (789), novembro (842) e dezembro (658). Já o segundo semestre totalizou 5,124 vagas encerradas.

Quanto às expectativas para este ano, o empresário diz ser preciso aguardar os desdobramentos políticos e econômicos do país para projetar melhor desempenho da indústria do Amazonas. "Isso porque temos alguns fatores que não dominamos, além de ser ano de eleição e Copa do Mundo que influenciam no cenário econômico. Mantemos o otimismo, mas temos que esperar", frisa o presidente do Cieam.

Indicadores da Suframa

Segundo os dados mais recentes das empresas incentivadas do PIM, a mão de obra do polo em outubro de 2017 totalizou 88.017 trabalhadores, entre efetivos, temporários e terceirizados. O número é 0,69% maior do que setembro (87.411). Apesar de ser o melhor índice do ano, a média acumulado do ano (85.695) é 0,64% menor que o registrado em igual período de 2016, quando o pátio industrial contava com 86.161 trabalhadores.

Conforme os indicadores, até o outubro ocorreram 22.526 admissões e 20.846 demissões, com saldo positivo de 1.680 vagas ocupadas no PIM, o melhor dos últimos quatro anos.

Saldo positivo

De acordo com o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), em novembro o saldo de trabalhos formais no Amazonas ficou positivo com um ganho de 395 vagas e variação de 0,10% em relação ao mês anterior. O setor que impulsionou o bom resultado foi o comércio com a abertura de 1,5 empregos, aquecido pelas vendas de fim de ano. No total houve 9.533 contratações contra 9.138 desligamentos nesse período em todo o Estado. De janeiro a novembro foram criados 123.159 novos postos de trabalho e 121.416 demissões, com saldo de 1.743 empregos. A expansão é de 0,43% em relação a 2016. Apenas nos últimos 12 meses, o número de vagas encerradas chegaram a 2.521 ou retração de 0,61%.

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