Manaus, 22 de Setembro de 2018
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Kalamazon reabre as portas

Por: Evaldo Ferreira - eferreira@jcam.com.br
09 Jan 2018, 20h51

Crédito:Walter Mendes
Quando o ritmo da lambada surgiu no final da década de 1980, vibrante e com movimentos sensuais, de imediato conquistou o Brasil e o mundo. Poucas pessoas atentaram para o fato de ter sido o primeiro, e até agora único, ritmo musical brasileiro a ganhar o mundo, e saído aqui do Norte, como uma variação do carimbó paraense. Enquanto a banda Warilou e o cantor Beto Barbosa, ambos do Pará, entre outros, se encarregaram de divulgar o ritmo no Brasil, a banda Kaoma a levou para o mundo.

Em Manaus o fenômeno musical não passou despercebido pelo empresário da área de shows, o coariense Rorid Coelho da Silva, o Popô. Dono de outras casas noturnas famosas na cidade, como Kanamari e Papagaio, ambas na Ponta Negra, e Kaladium, no Coroado, Popô logo percebeu que o novo ritmo poderia lhe render bons lucros, mas numa casa específica para ele. Foi assim que surgiu o Kalamazon, em 1989, exatamente no ano em que as músicas 'Lambada' e 'Dançando Lambada', do Kaoma; e 'Warilou', da banda homônima, estouravam nas rádios do Norte e Nordeste.

"Estava em Belém e observei que o ritmo tomara conta da cidade. Foi lá, também, que fui a uma casa de shows chamada Kalamazim. Então resolvi abrir uma casa parecida, em Manaus, unindo o Kala + amazon, de Amazonas. Assim surgiu o Kalamazon", relembrou Popô.

Quem viveu aquele período sabe quanto sucesso a casa fez. Mesmo localizada na Torquato Tapajós, num tempo em que só as matas imperavam na área, nas imediações atuais da Whirlpool Corporation, o público marcava presença em peso nos finais de semana. A casa tinha capacidade para aproximadamente 1.500 pessoas.

"Por lá passaram Kizan Nery, Márcia Ferreira, Alípio Martins, José Orlando, Carrapicho e quem não poderia faltar, Beto Barbosa e Warilou. O lançamento do primeiro disco da Warilou foi no Kalamazon. Só não trouxemos a Kaoma porque eles estavam fazendo muito sucesso, mas no exterior, e não tinham espaço na agenda", contou.

Mas tudo que é bom dura pouco, e como outros modismos, a lambada passou e o Kalamazon, por ser uma referência do ritmo, também passou. Em 1993 a casa fechou suas portas e nunca mais funcionou como espaço para shows.

Na Cidade Nova

Mas o nome Kalamazon não morreu e agora, 25 anos depois, no próximo dia 19 de janeiro, uma sexta-feira, a casa volta a receber o público amante da dança e da diversão, ainda sob a responsabilidade de Popô, e agora de seu filho, Hélio Corrêa da Silva Neto, o Helinho, que na versão anterior do Kalamazon era apenas um menino, mas que vivia naquele ambiente.

"Depois que meu pai fechou o Kalamazon, ele foi pra Tefé, e lá montou uma casa de shows. Essa é a vida dele", contou Helinho. "Agora resolveu reabrir essa casa que tanto sucesso fez em Manaus e, com certeza, vai voltar a fazer, não mais na Torquato Tapajós, mas na avenida Timbiras, na Cidade Nova. Pela experiência de meu pai, ele diz que quando uma casa de shows fecha as portas, já deu o que tinha de dar", ensinou.

O novo Kalamazon terá, também, capacidade para aproximadamente 1.500 pessoas, num prédio construído exclusivamente para ser um clube noturno, de danças, 100% climatizado. "Viemos pra, mais uma vez, fazer história em Manaus", garantiu Helinho. "Teremos um bar onde serão servidas as mais diversas bebidas geladas e quentes, com um cardápio de petiscos e tira-gostos, e variados ritmos musicais. Na sexta-feira teremos forró; no sábado, sertanejo; e no domingo, pagode", adiantou. "E pra quem viveu os anos dourados do antigo Kalamazon, no intervalo entre uma banda e outra, tocarão as lambadas que marcaram época no início da década de 1990. Quem sabe alguns dos nomes e bandas, como a Warilou e a Carrapicho, que fizeram grande sucesso naquele período, não voltem a se apresentar na casa? O público é quem vai decidir", avisou. Para a inauguração do novo Kalamazon já estão confirmadas as bandas de forró Xotizim, Xote com Pimenta e Jardel Santos, ex-Rabo de Vaca.

O ritmo quente do Norte

A lambada nasceu da junção de sonoridades como o forró nordestino, o carimbó amazônico, a cumbia e o merengue latino-americanos. No final de 1989 ela chegou ao auge no Norte, e depois se deslocou pelo Nordeste até atingir as areias de Porto Seguro, na Bahia, acomodando-se ali na paisagem então quase desconhecida, na qual se fixavam algumas pessoas inventivas e festivas. Em meio a estes elementos propícios, o novo ritmo adquiriu sua natureza sensual e a energia que seduziram o planeta.

Com a canção 'Llorando se Fue', da banda Kaoma, um sucesso de público e de vendas em vários recantos do mundo, a lambada recebeu um impulso sem igual. Mesmo depois que a popularidade deste 'hit' decaiu, a sua repercussão na forma de se dançar persistiu, e a coreografia continuou a ocupar um lugar de destaque em Porto Seguro, lado a lado com o axé.

A princípio sua modalidade coreográfica era praticada ao ar livre, nas praias, diante das barracas, dia e noite, transferindo-se posteriormente para as salas de bailes. O que mais encantou as pessoas foi a possibilidade de dançar abraçado ao par, como há muito tempo não se via, uma mutação do carimbó, no qual as pessoas se moviam desembaraçadas umas das outras. Nos outros países esta dança brasileira é mais célebre que o próprio samba.

A lambada ficou conhecida principalmente pela coreografia dos casais abraçados realizando movimentos sensuais. No seu auge, foi disseminada por toda parte, marcando presença em filmes, programas televisivos e novelas.

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