Manaus, 24 de Setembro de 2018
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Apps facilitam, mas encaram resistência

Por: Jefter Guerra jguerra@jcam.com.br
08 Jan 2018, 17h21

Crédito:Divulgação
Com a chegada da internet e o desenvolvimento de softwares, desde os anos de 1990, a automação de serviços cada vez mais vem mudando a vida das pessoas. Aplicativos como Ifood (restaurantes), Uber (mobilidade urbana particular), Spotify (música) e de bancos (para transferências e pagamentos) deixam as pessoas mais livres para fazerem outras atividades como trabalhar e se divertir. Esses serviços mobile (móveis ou automação de serviços) só foram possíveis de acontecer devido a evolução da rede mundial de computadores no Brasil, a partir de 1994.

Os primeiros acessos a internet são lembrados pelo consultor de negócios digitais da empresa Levier Consultoria, Alessandro Dias. "Era quando a gente chegava em casa e conectava a internet discada com aquele barulhinho ensurdecedor. Diferentemente de hoje, em que estamos conectados 24 horas. Naquela época, iniciou também a evolução dos dispositivos, não só para os computadores mas também para os celulares, que possibilitam o acesso à rede onde quer que estejamos. Então, a junção da evolução da comunicação móvel e dos dispositivos possibilitou que as empresas adentrassem nos serviços automatizados, como no caso das companhias aéreas, como a GOL que foi a pioneira ao oferecer os serviços de compra de passagem mais baratas, sendo seguida por outras companhias", lembrou.

Outro caso de serviços automatizados que deram certo e até hoje estão evoluindo, são os sites, caixas eletrônicos e aplicativos de bancos para atender os clientes que ficavam horas na fila de espera para realizarem uma transação bancária simples. "Atualmente os bancos passaram a oferecer quase todos os seus serviços na comodidade do lar do cliente pelo celular, através de home banking", salientou Dias.
Para ele, os três serviços automatizados mais procurados são o Uber, que acabou substituindo muito o uso dos táxis; o Waze, GPS que facilita ao motorista encontrar rotas mais acessíveis; e o Ifood, que agrega vários restaurantes possibilitando que as pessoas comprem de suas casas diversos tipos de comidas. "E também estamos acompanhando os serviços de streaming de música como o Deezer e o Spotify, que possibilitam que a pessoa não compre mais o CD do artista, tendo todas as músicas na palma da mão", apontou.

Regressão
Como tendência, o consultor disse ainda que estão surgindo outros serviços online, como o de abertura de empresa, que inviabiliza o serviço do contador. "Todavia, algumas secretarias do governo estão regredindo, pois antes o agendamento para o atendimento era realizado online, hoje, as pessoas estão precisando ir ao órgão cedo da manhã pegar uma senha para ser atendido no outro dia. Isso é um absurdo", reclamou Dias.

Iniciativa privada
Em contrapartida, Dias ressalta que a iniciativa privada está em uma grande evolução, sobretudo, na educação a distância, ao oferecer os cursos de graduação, especialização e de mestrado, já autorizados pelo MEC (Ministério da Educação e Cultura). "Com isso, a pessoa pode acessar uma plataforma de cursos livres no valor de até R$30. E aqueles custos que os professores ou coaching tinham que pagar pelo aluguel e horário do espaço agora foi diluído, sendo que esse mesmo curso pode ser acessado por milhares de pessoas ao mesmo tempo com um baixo custo", reforçou.

Para o consultor, o grande inconveniente das pessoas que moram na região Norte do país ao solicitarem produtos via apps continua sendo a distância, que encarece o frete e a falta de confiança. "O valor do frete muitas vezes chega a custar três vezes a mais que o produto. Com a distância o produto demora a chegar nas mãos do cliente. E ainda tem mais, nem todas as pessoas confiam nos serviços automatizados, preferindo ir à loja física ver o produto, conversar com o vendedor, sem a barreira do acesso tecnológico", explica.

Já no caso do banco, o consultor finaliza que muitas pessoas têm medo de serem vítimas de fraude. "Apesar desse tipo de serviço ser uma tendência e de ter tido um crescimento elevado nos últimos anos, muitos clientes dos bancos ainda preferem a velha fila do final do mês", disse.

A ida ao banco para encarar filas é algo que vem acontecendo com menos frequência no Banco da Amazônia, umas das primeiras entidades bancárias a oferecer a automação de serviços através do site e aplicativos. Um dos exemplos é o simulador do FNO (Fundo Constitucional de Financiamento do Norte), em teste nos Estados do Pará e Acre, e o Terras APP Solutions.

O simulador do FNO, por exemplo, disponível aos empreendedores clientes e não clientes, permite aos usuários conhecerem as linhas do fundo, explica o superintendente do banco, Nélio Gusmão. "Nele, o cliente pode fazer simulações para os mais diversos segmentos da economia, como comércio, serviços, indústria, agronegócio, inovação tecnológica, reflorestamento e agricultura familiar", afirma.

Já o Terras APP Solutions objetiva gerenciar os riscos socioambientais permitindo ao proponente ao crédito rural organizar as informações para elaborar sua proposta ao banco, incluindo informações de cadastro pessoal, da propriedade, geoespaciais e da área a ser financiada. "O Terras promete ofertar mais celeridade ao processo de análise do crédito rural, uma vez que a análise socioambiental será automática e reduzirá a apresentação de informações inconsistentes ou inadequadas", finalizou o superintendente.

Na contramão
Ao falar sobre a comodidade dos serviços automatizados ou apps, a advogada Vanessa Zogahib, disse que usa alguns deles, principalmente os de banco. "Acho muito cômodo e prático, pois não temos que enfrentar trânsito para procurar estacionamento e pagar por isso. Bem como não temos que enfrentar horas de fila para sermos atendidas nas agências. E confio muito, nunca tive nenhum problema", salientou.

Em contrapartida, o industriário Álvaro Augusto, disse que atualmente prefere consultar o saldo da sua conta corrente pelo app, mas não realiza nenhuma transferência ou pagamentos de fatura. "Ainda não acho confiável realizar esse tipo de transação via celular", afirma. Para ele, um outro problema encontrado nos apps, recai na compra online. "Não é nem pelo problema da loja ser online, e sim, pelo serviço de entrega que, geralmente, é pelo correio ou via sedex, atrasando muito a entrega do produto", salientou.

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