Manaus, 19 de Setembro de 2018
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Crescimento deve ser lento e gradual

Por: Antonio Parente - aparente@jcam.com.br
02 Jan 2018, 17h04

Crédito:Walter Mendes
Novo ano inicia-se e com ele as expectativas de crescimento no comércio se renovam. Em pesquisa realizada pela Fecomércio (Federação do Comércio do Estado do Amazonas), constatou que de 2016 a 2017, a média de valor que o consumidor pretendia gastar mensalmente no comércio foi de R$ 90. Em 2018 o valor subiu acima de R$ 200.

Segundo o vice-presidente da Fecomércio , Aderson Santos da Frota, o comércio foi o setor que sofreu menos impacto com a crise política que afetou os setores da economia, e explicou que mesmo com a crise, o segmento conseguiu manter cerca 300 mil pessoas empregadas.

O resultado dos bons números e do aumento das vendas de fim de ano, deve-se às medidas tomadas pelo governo federal afirmou ele. E explicou que o saque do PIS/Pasep, das contas inativas do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e o recebimento do 13º por parte dos trabalhadores compuseram esse crescimento.

"Os recursos que o governo injetou e a diminuição dos juros e das taxas de serviços bancários de 14% para 7%, foram um dos grandes fatores responsáveis em aumentar a venda do comércio no último trimestre do ano passado. Porém não reflete a retomada da economia, apenas a perspectiva de um leve crescimento em 2018. A economia é como um avião, para descer é rápido, mas para subir existe uma leve demora", disse ele.

Segundo a Fecomércio, a previsão dos postos de trabalhos temporários de se manterem em 2018 é de 20% a mais do que 2016. A expectativa é que 5% dos trabalhadores contratados no fim de 2017 mantenham-se em seus postos de trabalho.

Em 2017, o desempenho comercial do Amazonas ficou entre as melhores do Brasil, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). De janeiro a outubro teve uma alta de 7%, e no acumulado de 12 meses nas variações nacionais obteve um crescimento de 4,3%.

Entidades comerciais

Segundo lojistas, apesar da previsão de alta do PIB (Produto Interno Bruto) para 2018 ter sido de 2,68 %, conforme últimos dados de 2017 do Relatório de Mercado Focus, a movimentação das vendas do comércio de Manaus para esse ano será retomado de forma lenta e gradual.

Para o presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ataliba David Antônio Filho, para que as vendas do comércio tenham bom êxito neste ano é preciso fortalecer todos os elos da cadeia produtiva com criação de novas matrizes econômicas para complementar o modelo Zona Franca.

"No ano ano passado tivemos uma recuperação nas receitas melhor do que 2016, porém com um percentual modesto. A alta carga tributária, a dificuldade logística, legislações infraconstitucionais que retiram as vantagens corporativas e greves, foram obstáculos constantes para o desenvolvimento do setor. Esperamos 2018 bem melhor que 2017, mas será uma retomada lenta e gradual, não suficiente, porém satisfatória", destacou.

Para o presidente da assembleia geral da ACA, Ismael Bicharra Filho, o bom movimento nas vendas no último ano não refletem o crescimento real da economia.

"Falamos que a economia do Amazonas cresceu. Mas, o que cresceu? Ainda não é um cenário animador de crescimento. Está se criando uma expectativa em relação a crescimento em 2018. Precisamos entender o que é o crescimento da economia, tivemos um leve crescimento. Precisamos de crescimentos positivos, não injeção do governo. A economia precisa crescer por si só", destacou.

Ismael destacou que apesar da boa movimentação do comércio, 2018 será de muitos desafios, principalmente com as eleições presidenciais, pois muito se espera das propostas das lideranças eleitas, novas medidas de ajustes ou reformas, e de que forma as suas políticas de trabalho podem atrair investidores ou assustá-los. Apesar dos entraves e incertezas espera ver um avanço no setor neste ano. "Esse ano é de expectativa e divisores de água devido as eleições. Esperamos crescimento. O comércio depende de outros segmentos para que ele se fortaleça. Eu não acredito que com os números que estamos vendo, 2018 vai ser fácil, acreditamos que vai ser um ano difícil. Porque a massa consumidora depende do fortalecimento das indústrias e de outros setores", disse ele.

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