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Prédios históricos resistem ao tempo e levam água de qualidade a mais 200 mil pessoas em Manaus

Por: Assessoria de Comunicação da Manaus Ambiental S/A
28 Dez 2017, 17h58


O processo de distribuição de água que hoje é realizado pela Manaus Ambiental carrega uma herança histórica extremamente significativa para a capital amazonense. Prédios antigos que abrigam os reservatórios do Mocó e da Castelhana resistem ao tempo e continuam em pleno funcionamento, levando água de qualidade para aproximadamente 250 mil pessoas de bairros das zonas Sul e Centro-Sul da cidade.



Ambos são originários do século 19 e foram concebidos devido a necessidade de ampliação do sistema de abastecimento de água na capital, por conta do grande crescimento demográfico provocado pela extração e comercialização do látex, no "Período Áureo da Borracha".



Na época, Manaus passava por problemas graves de saúde pública. Faltava saneamento básico e, consequentemente, proliferavam doenças de veiculação hídrica, que levaram muitas pessoas à morte.



Erguido numa área de aproximadamente mil metros quadrados, sob uma estrutura interna formada totalmente em ferro, importada da Inglaterra, o Mocó funciona na praça Chile, bairro Adrianópolis, zona Centro-Sul, com capacidade de armazenar até 5 mil metros cúbicos de água. O prédio foi tombado em 1995 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e pelo Governo do Amazonas.



Já a Castelhana, que surgiu antes do Mocó, marcou o início do abastecimento de água em Manaus e continua em operação entre a rua Ferreira Pena e a avenida Constantino Nery, na região central da cidade. A estrutura é toda em alvenaria e pedras, com altura de quatro metros. O "reservatório apoiado" possui uma capacidade de armazenamento total de 4,5 mil metros cúbicos de água.



Atualmente, os dois complexos são abastecidos pela mesma água que é retirada em sua forma bruta diariamente do Rio Negro e é produzida no Complexo de Produção de Ponta do Ismael, sob um rígido controle de qualidade feito pela Manaus Ambiental - empresa integrante dos grupos controladores Solví - Soluções para a vida e Águas do Brasil.



Com o passar dos anos, os riscos de contaminação registrados no passado foram diminuindo e, hoje, há todo um processo de tratamento para que a água esteja apta para o consumo. Esse processo é dividido em captação de água bruta, pré-alcalinização, coagulação/floculação, decantação, filtração, desinfecção, pós-alcalinização, fluoretação e bombeio à cidade.



Início foi na Cachoeira Grande

Em meados dos anos 1890, o fornecimento de água em Manaus era feito apenas por uma pequena unidade, localizada na área conhecida como Cachoeira Grande, bairro São Jorge, zona Oeste. Na primeira etapa do abastecimento de água, a prestação dos serviços na cidade era feita pela empresa Manaós Railway Company e durou 27 anos.



Com o crescimento da população, aumentou também os riscos de contaminação e a contração de doenças. A cidade passou por problemas graves de saúde pública e muitas pessoas morreram, por conta da falta de saneamento básico e pela distribuição de água fora dos padrões de potabilidade nas torneiras.



Os governantes da época construíram, então, o reservatório da Castelhana (1888) e, posteriormente, o reservatório do Mocó (1897). Este último manteve o estilo europeu de muitos prédios da época.



No início do século 20, mais precisamente no local onde está o Teatro Chaminé, funcionava a empresa inglesa Manaós Improvements, que ficou com o contrato de concessão, por meio do Decreto nº 6.030, de 15 de junho de 1905.



A finalidade era servir de estação de tratamento de esgotos da cidade, evitando, com isso, a poluição da água fornecida à população. Esta rede de esgoto foi criada para atender a uma população de 60 mil habitantes. A usina, porém, nunca funcionou e acabou desativada.



Em 1913, a empresa causou um grande alvoroço na população, ao cobrar preços acima dos padrões em pleno declínio do Período da Borracha, e se retirou da capital amazonense, deixando o seu patrimônio para o Governo do Estado.



Dados históricos apontam, ainda, que somente no início dos anos 1940 é que se criou o primeiro projeto de ampliação dos sistemas de abastecimento de água e esgotos sanitários da cidade de Manaus.



Na mesma época, várias casas já haviam sido construídas às margens do rio - o que ficou conhecido como "Cidade Flutuante" -, com péssimas condições de higiene. A situação inviabilizou qualquer trabalho de saneamento até então.



Manaus tinha aproximadamente 200 mil habitantes no final dos anos 1960, mas esse número cresceu desenfreadamente, a partir da década de 1970, por conta da implantação da Zona Franca de Manaus, propiciando uma ocupação desordenada em várias regiões da cidade.



A primeira Estação de Tratamento de Água (ETA1), que funciona na Ponta do Ismael, foi inaugurada em 1972, pelo então governador João Walter de Andrade.



Oito anos depois são construídos reservatórios em vários bairros, o que não inviabilizou em nada o funcionamento do Mocó e da Castelhana.



Lembranças marcaram época

Erguido a partir de 1893 em construção metálica, o Mocó ganhou um novo reservatório, que funciona separadamente das outras, trazendo avanços significativos que são refletidos até hoje para o trabalho realizado pela Manaus Ambiental naquela área da cidade. É o que conta um dos colaboradores que fazem parte dessa história e é responsável pelo registro de distribuição e alimentação do local, Osvaldo Régis, 62.



"O novo reservatório foi instalado mais recentemente e comporta 20 mil metros cúbicos de água, que são jogados para as outras duas câmaras de capacidade menor. Em torno de seis mil e nove mil metros cúbicos", informou o senhor Osvaldo.



Entre os bairros abastecidos pelo Mocó está o Nossa Senhora das Graças, mais conhecido como Beco do Macedo, onde morou por muitos anos o floricultor Ronaldo Nascimento 52. Saudosista, ele lembra que a história do Mocó se perpetuou, não somente por levar água de qualidade às famílias, mas também por abrigar eventos culturais e artísticos.



O local abria as portas para a comunidade e a presença do público era frequente, principalmente nos fins de semana.



"Poucos lembram, mas aqui também funcionou o Teatro Álvaro Braga. Tínhamos apresentações de peças infantis e adultas, fora o som ao vivo de sexta a domingo, organizado pela associação de funcionários da Cosama. A entrada era pela Rua Belém", relembrou Ronaldo, que é proprietário da floricultura que fica bem ao lado do prédio histórico há aproximadamente 25 anos.



Importância

Na castelhana, a pequena casa em forma de castelo e a quadra esportiva ainda sobrevivem ao tempo. Ambos marcaram a vida de muitas pessoas, também nos anos de 1970. Entre eles está o advogado Mário Jorge Araújo.



Morador do bairro Presidente Vargas (a Matinha), na época, ele e os colegas de infância sabem muito bem da importância do local para o povo manauara.



"Jogávamos bola na quadra, e todos tínhamos curiosidade de saber o que havia dentro do castelo. Ficávamos nos perguntando como seria aquela grande caixa d'água por dentro. Estar lá, já era motivo de felicidade", disse Mário Jorge.



Ainda intacta e preservada, atualmente a Castelhana divide o mesmo terreno com a Semmasdh (Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos)

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