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Mercado vê surgir as HRtechs

Por: Da Redação por Lilian D'araújo
27 Dez 2017, 17h47

Crédito:Divulgação
Os recursos humanos não ficaram de fora da onda de disrupção que tem transformado diversos setores da economia nos últimos anos. Cada vez mais populares, as startups de recrutamento já começam a ser absorvidas no dia a dia de grandes e pequenas.

Seguindo a onda das fintechs (que vem revolucionando o setor financeiro), muitas delas já abraçaram a expressão HRtechs, em uma junção dos termos human resources (recursos humanos) e technology (tecnologia).

Algumas já se destacam facilitando a busca de talentos para gigantes, como é o caso da plataforma Revelo. "Por mês recebemos algo entre 10 mil a 20 mil currículos", conta o cofundador da plataforma, Lachlan de Crespigny. "Destes, selecionamos os 5% ou 10% melhores. Então eles são disponibilizados no nosso marketplace, que conta com centenas de empresas".

A "triagem" realizada pela startup é considerada o diferencial no auxílio aos departamentos de RH: ela processa dados de histórico de potenciais contratantes e contratados, identificando o perfil correto para cada situação. "Fazemos um trabalho que os RHs não gostam de fazer. Se a empresa usasse os canais tradicionais ela receberia muita coisa que não faz sentido", afirma o cofundador da Revelo. Em 2017 mais de mil candidatos foram encaminhados para processos seletivos através da empresa.

Crespigny explica que parte dos clientes remuneram a startup por vaga preenchida; um modelo de fee mensal, contudo, começou a ser viabilizado neste ano, sobretudo entre clientes de maior porte. "Começamos a focar esforços [nas grandes] em junho", conta o executivo. Hoje elas já são responsáveis por mais da metade da receita da Revelo -que chegou a deixar seu nome antigo (Contratado) para apostar em uma abordagem mais B2B.

Um aporte de R$ 14 milhões liderado por dois fundos estrangeiros no segundo semestre também tem turbinado a expansão da empresa, que já atende grupos como a Ambev e o Hospital Albert Einstein.

Taxa de sucesso

No caso da startup mineira Vulpi, o caminho inverso foi trilhado. "No começo atuávamos via um modelo de assinaturas até percebermos que muitas empresas não têm demanda recorrente [de contratações]", explica um dos fundadores e CEO da plataforma, Fellipe Couto. A saída veio na forma de um novo modelo de geração de receita. "Somos remunerados por taxa de sucesso. Quando a empresa contrata um funcionário, recebemos o equivalente ao valor de seu primeiro salário nominal". Em 2017, 300 empresas foram "impactadas" pelo serviço, incluindo firmas estrangeiras.

Voltada para a contratação de desenvolvedores da software, a Vulpi não revela o número de vagas preenchidas a partir da ferramenta, mas garante que 50 mil profissionais já estão inscritos na plataforma. "Recebemos 25 currículos por dia", conta Couto, explicando que um algoritmo com inteligência artificial comprova de forma automatizada as competências dos pleiteantes. Tal qual Crespigny, Couto nega que a atuação da Vulpi tira trabalho dos departamentos internos de RH. "Não vamos substituir o recrutador, mas sim tornar ele mais estratégico e menos operacional".
Para 2018 a Vulpi planeja expandir a intermediação para além dos desenvolvedores de software, abarcando também analistas de rede, infraestrutura ou banco de dados. Além disso, a empresa também estuda como atender a demanda por trabalhos pontuais. Na catarinense Vibbra já é a procura por freelancers que dá o tom. Também especializada no recrutamento de profissionais de TI, a empresa surgiu como uma fábrica de software por demanda até perceber que "oferecer os profissionais em uma rede vale mais a pena que assumir a gestão dos projetos", nas palavras do sócio-fundador Leandro Oliveira. Assim surgiram os vibbrantes, ou a equipe de profissionais selecionados pela plataforma para o atendimento de clientes: até o momento cerca de 40 projetos contaram com os préstimos do time.
Hoje cerca de 50 profissionais formam a equipe, que deve ser expandida ao longo de 2018. "A cada 100 candidatos, em média apenas sete são aprovados", explica Oliveira, que tem planos de automatizar a seleção e colaboradores através de nova plataforma já em desenvolvimento. "Precisamos de uma rede qualificada para evitar receios", conta. Todo o serviço prestado pela equipe é feito de forma remota.
O preço cobrado por hora é definido pelos freelancers; a Vibbra monetiza a operação cobrando da contratante um excedente de 30%. "Estamos focados em atender empresas de tecnologia e setores de TI de empresas grandes, mas recebemos demandas de todos os tipos. Até consultórios de dentista querendo montar um site", exemplifica Oliveira. O fundador também considera ampliar a disponibilidade de freelancers para além da tecnologia da informação.

Na visão dos executivos ouvidos pelo DCI, a tendência é que os próximos anos suscitem uma profusão maior de empresas de tecnologia para recrutamento, sobretudo por conta da entrada massiva de millennials no mercado de trabalho. Da Vibbra, Oliveira resume: "As empresas ainda têm dificuldade para entender, mas [o novo perfil de trabalhador] não quer ficar para sempre no mesmo lugar, é ávido por crescer rápido e ama a liberdade". As informações são do DCI.

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