Manaus, 19 de Novembro de 2018
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"Acredito em uma construção coletiva"

Por: Galeria do largo
13 Dez 2017, 17h19

Crédito:Divulgação
No mês passado o artista plástico Turenko Beça assumiu a direção da Galeria do Largo, no Largo de São Sebastião, e logo pôs as 'mãos na massa', movimentando o espaço há anos, quase ocioso, com o evento 'Religare, relíquias da Rita'. No próximo sábado (16), mais um evento na Galeria, agora 'Filhas da Rua', com sete artistas plásticas expondo seus grafittis, além de quatro rappers animando o evento. Nessa entrevista ao Jornal do Commercio, Turenko falou sobre a exposição e seus planos à frente da Galeria.

Jornal do Commercio - Você acabou de assumir a direção da Galeria do Largo. Já tem projetos para o espaço?
Turenko Beça - Sim, inclusive exposições que já inauguraram como foi a da Rita Prossi: 'Religare, relíquias de Rita'. Fizemos a ocupação do espaço com uma exposição dos fotógrafos Selma Maia e Carlos Navarro, alusiva ao Dia Mundial de Combate ao HIV. As fotos foram produzidas aqui na Galeria. Tivemos a apresentação do Grupo musical Ostinatos, que trouxe música brasileira com referência à consciência negra musical e o lançamento do livro do Eunuquis Aguiar. E agora as 'Filhas da Rua', exposição que vai inaugurar dia 16 de dezembro, às 18 horas. Estou com muitas exposições pautadas para 2018, além das diversas intervenções e ocupações que iremos realizar. A ideia é trabalhar com o conceito de Artes Integradas.

JC - Essa Galeria, apesar de bem localizada, era subutilizada. Por que tamanho descaso com as artes plásticas locais?
TB - Não concordo que houve descaso com as artes visuais. Muitos eventos significativos ocorreram nesses anos como os Seminários de Artes Visuais, a própria Pré-Bienal de Artes e mais recentemente o Circuito de Artes Visuais. Acredito sim, que houve uma redução das atividades diante da crise e corte de orçamento. E dessa maneira, uma diminuição da ocupação do espaço.

JC - Você gosta muito de apoiar artistas que estão começando. Fale sobre isso.
TB - Eu me vejo muito nesses meninos e meninas que estão iniciando. Com uma diferença, eu tive uma referência nas artes, meu pai Aníbal Beça. Imagine que, mesmo com meu pai como referência, é difícil o nosso ofício. Para os que não têm referência ou apoio é muito mais complicado. Meu pai me deu um grande exemplo de generosidade. Eu procuro ser o mais acessível e na medida do possível abrir portas para novos talentos sim.

JC - O que está faltando para atrair compradores para as obras dos artistas locais?
TB - A primeira coisa é a falta de hábito ao consumo de um bem cultural que não seja de massa. A segunda é a massificação do gosto. Podemos levar em conta também, que antigamente, consumir arte distinguia as pessoas, socialmente falando. Ser sensível às artes, ser patrono de artistas era algo que significava status. Hoje existe uma elite muito bruta e empobrecida intelectualmente. São poucas as pessoas ricas que são sensíveis e investem em arte. Na sua grande maioria são deslumbrados, que se satisfazem mais em ostentar riqueza nas redes sociais.

JC - Mas o grafitti, que você e tantos outros artistas fazem, são obras efêmeras, portanto, não visam lucro.
TB - Grafiteiro também come e precisa ganhar dinheiro. O grafitti e a pichação surgem como forma de protesto, de ocupação do espaço urbano e da tentativa de se individualizar o ser humano coisificado nas grandes cidades. É nas 'telas' -muros -que os indivíduos aparecem. Arte democrática, para todos. A questão do lucro pode vir ou pela contratação de serviços de pintura, autorais ou não, e ainda produtos diversos: gravuras, desenhos, adesivos, camisetas, etc.

JC: Com você, à frente da Galeria do Largo, as artes plásticas ganharão um novo rumo?
TB - Seria muita pretensão, eu, individualmente, pensar em novos rumos. Acredito em uma construção coletiva. Obviamente, por se tratar de um equipamento da SEC, irei seguir as diretrizes e orientações do secretário Denilson Novo. Penso em mais exposições com artistas novos e de qualidade; realizar exposições que contemplem artistas do interior do Estado; e trabalhar com o conceito de artes integradas, ocupações, vivências, palestras, oficinas...

JC - O que vai ser a exposição 'Filhas da Rua'?
TB - Será uma festa da cor, da diversidade, do feminismo e da feminilidade. Muita tinta, personagens e letras. E na inauguração muito rap feminino de qualidade. São artistas em sua maioria egressas da zona Norte e Leste, que estarão com muita justiça se apresentando nesse espaço nobre de nossa cidade.

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