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Nada de grandes públicos

Por: Eventos Sociais
11 Dez 2017, 22h59

Crédito:Divulgação
Manaus tem tido eventos culturais para todos os tipos de público e gostos, e em todos os segmentos artísticos, mas se o evento for local, carece de público, principalmente se a arte for daquele tipo que não atrai as grandes massas, que não desperta interesse no chamado povão, ainda que o nível das performances dos artistas seja alto, seus trabalhos, magníficos e os eventos, gratuitos. É assim na música, na dança, no teatro, nas artes plásticas. Mas os artistas não desistem e mostram seu trabalho.
De tempos em tempos o paraense Sebastião Tapajós faz shows em Manaus. Os mais recentes aconteceram na terça-feira (5), no Teatro Amazonas, e quinta-feira (7), na Ufam, onde ele apresentou o show 'Por entre as árvores', ambas as apresentações gratuitas, ambas sem lotação esgotada ainda que Sebastião Tapajós, formado pelo Conservatório Carlos Gomes, em Belém, tenha uma sólida carreira internacional e mais de 50 discos lançados. Ao longo de sua carreira, o artista já tocou com nomes conhecidos da MPB como Hermeto Pascoal, Jane Duboc e Joel do Bandolim. Sebastião também é Doutor Honoris Causa da Universidade do Estado do Pará e da Universidade Federal do Oeste do Pará. 

O público é rotativo


Já os grupos de danças, cujo público se limita quase que aos parentes e amigos dos bailarinos, continuam na dança por amor à arte. Ganhar a vida dançando, nem pensar.
Encerrando as atividades do 2º semestre de 2017, os Corpos de Dança do Caua (Centro de Artes da Ufam) apresentaram dois espetáculos: 'Onde vivem as Fadas', quinta-feira (7), e 'Confessions 4.0 - Burlesque', sexta-feira (8). Ambos com entrada franca. Os espetáculos foram criados pelo coreógrafo Sandro Michael Ferreira, técnico do Centro de Artes da Ufam e também responsável pela direção artística das apresentações. Os dois espetáculos contaram com 20 bailarinos e técnicos.
"É uma luta constante para mantermos os Corpos de Dança, principalmente pela falta de material para trabalharmos, mas desde 2010 já realizamos 15 espetáculos inéditos, um por semestre, e quase sempre lotamos os 80 lugares do auditório com os familiares, amigos e convidados dos bailarinos", ressaltou. "O público é rotativo. Quando mudam os bailarinos, muda também o público", disse.

E esse público é o mesmo de quem está estreando no palco. No sábado (9), ocorre a estreia do Grupo de Dança da Cia Athletica Manaus, com a apresentação do espetáculo 'Nos bailes da vida', no Teatro Jorge Bonates. Com coreografia e direção dos professores Thiago Farias e Denison Vitor, 'Nos bailes da vida' retrata a vida do boêmio, mostrando o verdadeiro ofício do malandro, seus amores e desilusões, além de fazer uma viagem poética pelos estilos da dança de salão.

"O espetáculo mostra como o malandro vive, as mulheres que conhece viajando pelo mundo e os ritmos que dança nos países pelos quais ele passa", comentou Thiago. "Nessa viagem, ele dança tango na Argentina, samba de gafieira no Brasil, salsa na Venezuela, bachata e zoulk pelo Caribe, e jazz nos Estados Unidos". O espetáculo tem 40 minutos de duração e conta com a participação de 30 bailarinos, alunos das aulas de ritmos, dança de salão e jazz oferecidas pela academia. "Queremos que os amantes da dança venham nos prestigiar, pois nosso show é pra eles", argumentou Thiago.

Nada de multidões

Um evento que já se tornou tradicional no calendário de quem gosta de MPB é o Tacacá na Bossa, que acontece todas as quartas-feiras, próximo ao Tacacá da Gisela, no Largo de São Sebastião. Com o apoio da Secretaria Estadual de Cultura, o evento conta com cerca de 100 cadeiras para o público e chega a ficar lotado, dependendo do artista. O mais recente, realizado na quarta-feira (6), foi com o cantor Chico da Silva. Chico homenageou o Dia do Samba, 2 de dezembro, mas não deixou de cantar as suas belas toadas. Detalhe dos shows de Chico é que todo o seu repertório é autoral, e com músicas consagradas, como 'O surdo', interpretada por Alcione, e 'Vermelho', por Fafá de Belém.

"O público sempre é bom, mas nada de multidões. Sempre foi assim nesses anos todos do Tacacá", falou Joaquim Melo, organizador do evento.
Na quinta-feira (7), os acadêmicos de Teatro da UEA apresentaram no Teatro da Instalação, seu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), o espetáculo 'Polônia', a historia de Laura e Maria de Fátima que se conhecem em meio ao poder rigoroso da Igreja, onde a Inquisição voltou a perseguir, julgar e punir todos aqueles acusados de se desviar de suas normas de conduta. Com tudo começam a questionar os dogmas de uma religião a partir de opiniões sobre o certo e errado criadas por uma sociedade. No elenco, Isabela Catão, Dávilla Holanda e Giese Santos dirigidas por Manuel Fagache e Giese Santos, com produção de Miqueias Barbosa. "Não somos um teatro amador, somos profissionais, pois estamos nos formando em Teatro, e mesmo as atrizes que participam da peça já fizeram várias outras, ainda assim o público é pequeno. Todos os finais de semana acontecem peças de teatro em Manaus, mas o público só lota os teatros quando os artistas são de fora. Isso parece cultural. Quando nos apresentamos fora, também lotamos as casas. Falta valorização dos artistas locais. Temos um público fiel, que sempre nos acompanha, mas gostaríamos que ele fosse bem maior", concluiu.

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