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Exército brasileiro dá suporte a pesquisas

Por: Antônio Parente aparente@jcam.com.br
27 Nov 2017, 20h10

Crédito:Walter Mendes
Em expedição científica inédita ao Pico da Neblina, o ponto mais alto do Brasil (3.014 metros), na região norte do Amazonas, uma parceria com o exército brasileiro tornou possível a equipe de 11 pesquisadores multidisciplinares da USP (Universidade de São Paulo), catalogaram mais de 800 espécies da região, dando o início a uma nova fase de estudos da biodiversidade da Amazônia. Com 25 dias de duração, a excursão foi liderada pelo professor, Miguel Trefaut, que classificou a jornada como um grande passo para a ciência brasileira e destacou como fundamental, o apoio e a infraestrutura oferecida pelo Exército Brasileiro, por meio do CMA (Comando Militar da Amazônia).

O Comandante Militar da Amazônia, General de Exército Geraldo Antonio Miotto, destacou a importância de apoiar e oferecer os diversos mecanismo para promover a criação do conhecimento por meio da pesquisa para o crescimento e desenvolvimento da ciência no Brasil. "O exército tem a obrigação de colaborar com qualquer instituição que faça pesquisa na Amazônia. O exército fornece transporte, apoio logístico, segurança, alimentação e a tranquilidade para que todos esses pesquisadores e cientistas possam fazer seu trabalho. E quando se trata de independência intelectual também falamos de soberania e não dependemos de nenhum outro país para estudar a nossa Amazônia e todo esse bioma", ressaltou o general.

Obter a independência intelectual, citada pelo General Miotto, foi um dos objetivos da expedição, conta o professor Trefaut. "O objetivo foi de descobrir e entender os mecanismos de origem de manutenção das espécies. E toda essa atividade têm um valor incalculável porque agora elas nos dão amostras materiais de animais e de plantas para que a gente possa seguir em frente em uma área de atividade onde não tínhamos acesso. Isso era algo que estava em poder dos Estados Unidos e, eventualmente, da Venezuela. Há mais de 15 anos estamos tentando obter material da Venezuela para fechar alguns avanços de pesquisa dessa região e não conseguíamos", disse ele.

O professor destacou como fundamental, o apoio e a infraestrutura oferecida pelo Exército Brasileiro, que acompanhou a equipe durante todo período da expedição, mobilizando mais de 100 militares e helicóptero em um processo de 3 meses de planejamento. Além de fornecer cerca de 20 mil toneladas de suprimento "Seria impossível realizar todas essas atividades sem o apoio do exército brasileiro que disponibilizou centenas de pessoas para promover a ciência brasileira. É uma coisa imaginável que o Brasil precisa ter", comenta Trefaut.

Ainda de acordo com o professor, o Brasil é líder mundial de diversidade biológica e ainda está muito longe de conhecer suas nossas riquezas "Infelizmente a maior parte das instituições de pesquisa no Brasil não têm nem o conhecimento de campo e nem o apoio e infraestrutura necessário para chegar a lugares como aqueles que nós fomos. Chegar ao Pico da Neblina sem apoio do exército seria impossível, principalmente em áreas de fronteira e de difícil acesso", afirma.

Trefaut assinalou que todo o trabalho de catalogação e pesquisa realizado foi importante para estimular a educação, promover e aumentar as coleções científicas no país, fator que cria mecanismos para a formação de novos cientistas brasileiros. "Tudo isso representou um estímulo educacional único, um cientista que se forma vendo uma coleção científica coletado da Amazônia inteira e do Pico da Neblina vai ser certamente uma pessoa com formação intelectual científica muito acima daqueles que só se formam com o conhecimento livresco. Isso é um recurso importantíssimo para formar cientistas de ponta", disse ele.

O professor explicou que do ponto de vista de amostras nas áreas de répteis e anfíbios, foram coletados cerca de 700 exemplares de mais de 105 espécies, onde possivelmente, 10 delas são de novas categorias ainda desconhecidas da ciência. Do ponto de vista da botânica foram mais de 300 tipos e mais de 1500 amostras. Na categoria das aves foram catalogadas uma lista de 250 espécies e nas dos mamíferos 200 exemplares, todas sem exemplares nas coleções da ciência brasileira.

"O importante não é apenas os materiais que foram coletados, mas também as relações de parentescos que elas representam. Essas amostras coletadas são fundamentais para a universidade de São Paulo que não contava com nenhum material desta região. Tudo isso são recursos fundamentais para a formação da nova geração de pesquisadores do país. Porque é necessário o pesquisador ter acesso às amostras científicas para poderem trabalhar", concluiu.

Nomeado de "Traços Biológicos do Passado na Biodiversidade Presente da Amazônia do Norte", o trabalho de pesquisa coletou material animal e vegetal com o objetivo de compreender e explicar a biodiversidade da região e, como resultado, descobrir novas espécies e quantificar as já existentes.

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