Manaus, 19 de Setembro de 2018
Siga o JCAM:

Motocicletas na pista da retomada

Por: Antônio Parente aparente@jcam.com.br
14 Nov 2017, 15h01

Crédito:Antonio Parente
A 14ª edição do Salão Duas Rodas, maior evento de motos da América Latina, começou com muito estilo e emoção, ontem (13), no complexo São Paulo Exhibition & Convention Center, em São Paulo. A exposição contou com diversas novidades no salão de 10 mil metros quadrado, desde aos novos modelos das marcas aos investimentos do segmento dentro do mercado.

Uma das indústrias de duas rodas, instalada no PIM (Polo Industrial de Manaus), a Moto Honda apresentou na exposição, modelos conceitos com designers desenvolvidos por equipe de brasileiros que refletem a tendência de consumo de diferentes perfis de usuários de motocicletas. Com 200 mil funcionários no mundo, 440 afiliadas e 22 milhões de produtos a empresa mostrou grande força no Salão Duas Rodas deste ano.

Além dos 77 modelos a disposição no evento, a empresa trouxe ao salão sua filosofia de trabalho que envolve trabalho para mobilidade urbana, onde foram criados três centros educacionais de trânsito com mais de 200 mil motociclistas treinados. Também foi destaque o respeito ao meio ambiente representado pelo seu parque eólico no município de Xangri-lá, no Rio Grande do Sul. A Moto Honda tornou-se a única empresa do setor automotivo nacional autossuficiente em energia limpa e também a obter o Certificado de Energia Renovável.

O relação institucional da empresa, Paulo Takeuchi, falou um pouco da atual situação da empresa no que diz respeito à produção e mercado, e explicou que o momento é de agir com bastante cautela e estudar o comportamento da economia. "Primeiro a comemoração, já que o mercado parou de cair, o que já é o primeiro sinal positivo. Mas ainda é muito cedo para se pensar em aumento de produção, por hora, e de forma cautelosa temos uma previsão de 5%", disse ele.

Takeuchi demonstrou bastante otimismo para 2018 ainda que com cautelas quanto a geração de emprego direto na fábrica, mas ressaltou a importância de analisar toda a cadeia que envolve a área de fornecedor, logística e transporte. "Nós esperamos para 2018 que realmente haja um crescimento alto, lógico que não como no passado que teve um ligeiro crescimento da produção. Aumentando a produção pode vir mais emprego, mas é muito cedo para pensarmos em grandes números, a Honda mesmo diminuindo a produção também teve muitos postos de trabalho mantidos, então temos que primeiro recuperar a produção e depois retomar os empregos", disse.

Takeuchi fez uma análise total do mercado durante o ano, e ressaltou que as vendas estiveram muito abaixo do esperado, mas ressaltou que se for feita a observação no último trimestre, as vendas tiveram um ligeiro crescimento. Em relação aos lançamentos da marca, ele destacou como principal aposta para o consumo no mercado a nova Biz 2018. Segundo ele, para as versões 110i e 125i, a Honda trouxe modernizações técnicas e estéticas que visam exaltar as características do modelo e adequá-las às necessidades atuais. A economia, estilo, praticidade e facilidade são os principais pontos que tornam o produto como grande potencial de vendas.

"É o veículo que praticamente iniciou o mundo de duas rodas, e agora remodelada os que gostavam da Biz vão gostar mais ainda. Então apostamos na renovação dos usuários e a aquisição de novos usuários, quem é apaixonado por motocicleta vai procurar esse modelo", disse.

A Honda: X-ADV é outra aposta da empresa que visa dar uma melhor mobilidade urbana aos usuários no segmento Scooter. Com um conjunto que mistura alta tecnologia e desempenho, o modelo foi apresentado como conceito durante o Salão de Milão em 2016 e em sua versão comercial desde o início deste ano, representa a proposta da Honda ao criar um misto de moto urbana com modelo aventureiro. Prevista para chegada no início de 2018, o modelo já está em pré-venda e será oferecido em versão única com preço público sugerido de R$ 52.500.

"Essa exposição representa aquilo que sempre acreditamos em relação a inovação e tecnologia. E principalmente pelo prazer de dirigir e pilotar um veículo que está concentrado nesses 77 modelos no salão. E principalmente tudo que está ligado ao segmento", disse. A Honda contou também com capacetes e acessórios específicos, como bolsas e mochilas, que foram desenvolvidos para acompanhar a proposta dos modelos e estarão em exposição ao lado das motocicletas.

Street e off-road
A empresa Yamaha Brasil foi outra que mostrou diversas novidades no salão 2017, com a nova Yamaha Fazer 250 ABS, modelo na faixa de 250 CCs (cilindradas), que veio para revolucionar o segmento das motos Naked, estilo de uso diário urbano ou  popularmente conhecido como "street". Com 12 anos no mercado, o modelo tem mostrado grande receptividade pelos amantes de duas rodas, com mais de 330 mil unidades produzidas no Brasil.

A empresa apostou no preço de R$ 15 mil para o público, garantia de fábrica de quatro anos, preço fixo na revisão, onde o cliente saberá exatamente o valor que irá investir nas revisões periódicas, valores estes que vão de R$ 1,2 mil a R$ 1,3 mil de acordo com a região do país. A nova Yamaha Fazer 250 ABS serviu de base para a construção da Fazer Cafe Concept, pela empresa paulista de customização Bendita Macchina, que recebeu da organização do evento o título da "Moto do Salão Duas Rodas 2017".

Também da Yamaha, mas na categoria motocross, a YZ450F vem para fortalecer a linha off-road da marca. Com motor potente e de partida elétrica, o modelo trouxe nova tecnologia e eficiência em um novo chassi de alumínio que a torna mais leve. A moto é o primeiro modelo que pode receber ajustes no gerenciamento do seu motor, permitindo alterar a sua potência por meio de um aplicativo para smartphones via wi-fi, o Yamaha Power Tuner, disponível para as plataformas Android e IOS.

Segundo o diretor comercial da Yamaha, Ricardo Susini, a empresa vem elaborando várias estratégias para atrair mais consumidores e continuar a expandir sua influência no mercado e aposta nos novos modelos 2018. "A Yamaha vem reforçando nos últimos anos o seu acervo. Muitos lançamentos do ano passado trouxeram importantes resultados e agora estamos investindo em dois novos segmentos que são estratégicos para a empresa. A Cross que tem um modelo com características fantásticas e muito mais potencial para atingir novos consumidores e as médias CCs onde normalmente já somos fortes. A Fazer 250 sempre teve uma imagem e uma reputação muito boa, mas agora ela está ainda mais renovada, moderna e arrojada", disse ele.

A Yamaha trouxe como novidade em seu stand, vários aprimoramentos no Motion Sphere, o simulador de pilotagem que foi um grande sucesso em 2015, e que este ano trouxe mais realidade, velocidade e emoção. Ao guidão de uma nervosa Yamaha R1, o participante simulará como é pilotar a poderosa superesportiva numa pista de corrida. Além do sentido da audição, a sensação de realismo é ampliada graças ao novo sistema "Force Feedback", que faz com que o piloto utilize o peso de seu corpo para simular a pilotagem.

Outros modelos
Segundo ano participando do evento, a Indian Motorcycle, primeira fabricante americana de motocicletas, trouxe como novidade das linhas 2018, três modelos que levaram ao delírio os amantes do setor: a Scout Bobber, a Chieftains Dark Horse e a Chief Dark Horse. Dentre estas, a que mais se destacou foi a Scout Bobber que teve seu lançamento global e chegou ao Brasil com muita inovação e estilo.  

Menina dos olhos da marca, o modelo chega com uma série de mudanças que vão desde as tampas do motor, agora em preto fosco, a um novo chassi fabricado em alumínio forjado que oferece rigidez, estabilidade e contribui para um baixo peso da moto. Isso permite as mudanças de trajetórias mais rápidas reforçando ainda mais o próprio estilo.

Outra novidade é o guidão mais plano e largo para tornar a posição de pilotagem mais esportiva, e o motor  V-Twin de 1133 cc de refrigeração líquida e transmissão de seis velocidades, ágil, com capacidade de frenagem e condução leve. O preço oferecido ao público é de R$ 50 mil a  R$ 52 mil. Perguntado se seria adequado trazer um novo modelo para o evento, devido o atual cenário econômico pelo qual o Brasil passa, o diretor- geral para América do Sul, Rodrigo Lourenço, destacou que mesmo em um período desfavorável a economia mostrava sinais de melhorias.

"Não há o momento ideal e nem podemos esperar o alinhamento das estrelas e um cenário 100% para lançar uma marca como essa. Por mais desafiador que fosse o cenário, havia sinais de recuperação, e quando essa recuperação se consolidasse nós já teríamos uma base de clientes consolidada, uma legião de fãs da marca e uma presença de distribuição consolidada nos principais mercados do país. A crise afetou nossos resultados assim como todo setor da indústria", disse.

Com uma presença forte na região Centro-Oeste do país, o diretor destacou que um dos objetivos da Indian, a partir do momento que o mercado começar a reagir é alcançar praças de vendas em  Porto Alegre (RS), Curitiba (PR) e Brasília (DF). E a finalidade é ampliar os horizontes de investimentos, e estudar novas praças para investimentos como a região Norte e Nordeste como possíveis zonas de mercado. "Precisamos ter certeza de que quando montamos um negócio ele consiga sobreviver a longo prazo, portanto ainda estamos em análise do primeiro lugar que entraram nessas regiões", disse. Segundo o diretor, o objetivo da Indian em 2017 é chegar ao número de 400 unidades emplacadas.

Prêmio Abraciclo de Jornalismo
Dentre as atrações do Salão Duas Rodas 2017, houve a premiação da 7ª Edição do Prêmio de Jornalismo realizado pela a Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motores, Bicicletas e Similares). A cerimônia de entrega dos prêmios teve a participação de 18 finalistas que concorreram às melhores matérias jornalísticas em cinco categorias: bicicleta; moto no segmento digital e impresso; moto no segmento som e imagem; e Polo Industrial de Manaus.

Os primeiros colocados em cada uma das cincos categorias, receberam além do troféu, o valor de R$ 7 mil cada; o segundo colocado uma placa comemorativa e mais R$ 3 mil; e o terceiro colocado nomeado "Menções Honrosas", recebeeu além das placas comemorativas, um bônus de R$ 2 mil. A premiação para o trabalho com maior pontuação, chamado "Vencedor do Ano", ficou com Rafael Miotto, pela reportagem veiculada no Portal G1 chamada "De moto no Himalaia: como é rodar no topo do mundo", que ganhou um prêmio de R$ 15 mil.

Na categoria PIM (Polo Industrial de Manaus), os vencedores foram Adneilson Severiano e Leandro Tapajós, com a matéria "Enfrentando a crise , Polo Industrial de Manaus faz 50 anos e busca caminhos", publicada no portal G1 Amazonas.

* O repórter viajou a convite da
Abraciclo


Comentários (0)

Deixe seu Comentário