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Prestamista, de opção a meio de vida

Por: Antônio Parente aparente@jcam.com.br
13 Nov 2017, 14h36

Crédito:Walter Mendes
Com o atual cenário econômico do país que tem demonstrado uma tímida recuperação, muitas são as alternativas que o brasileiro tem procurado para fugir do desemprego. Uma delas, são as atividades de segmento informal, onde o trabalhador não possui vínculo empregatício e nem firma registrada. Dentro do segmento de trabalhadores por conta própria, encontra-se a atividade de prestamista, um dos segmentos voltados para a economia informal. Quem nunca foi abordado à porta da sua casa por um vendedor oferecendo determinados produtos de utilidades do lar ou objetos de decorações, tais como quadros de pintura, enfeites de cozinha e até brinquedos para as crianças?

Ocupação profissional bem comum no nordeste, a atividade do prestamista é equivalente ao do camelô, o diferencial está na comercialização dos seus produtos que são vendidos de porta em porta em forma de prestações. Há 32 anos atuando na área, o vendedor Milton Lima Fernandes, 54, fez da atividade a forma mais prática e eficiente de gerar renda. Nordestino natural de Teresina (PI), o vendedor conta como iniciou os serviços no setor e de que forma isso tem ajudado a manter seu sustento e renda.

"Na minha vida eu sempre trabalhei com venda. De 1978 até 1985 eu trabalhei no ramo de frutas, e como prestamista comecei atuar em 1985 até hoje. No nordeste é muito comum ver os camelôs saindo de casa em casa para vender seus produtos, diferente daqui do Amazonas onde eles atuam mais em suas barracas. No início comecei a vender espelhos e quadros de pintura para enfeitar sala, e no decorrer dos anos fui acrescentando outros produtos como rede, cadeiras, panelas tudo de acordo com as necessidades domésticas, isso ajudou muito a manter a atividade e atuo até hoje", disse.

Organizado e trabalhador, seu Milton consegue manter uma rede de clientes fiéis para consumir seus produtos de forma planejada e profissional. Ele conta que o segredo do negócio está em oferecer produtos de boa qualidade, facilidades de pagamento, respeito e o bom atendimento, sempre com o intuito de fidelizar as pessoas e criar um laço de confiança entre vendedor e consumidor.

"Meus produtos são vendidos a crediários e são negociados de acordo com as necessidades do cliente. Existe uma ficha onde coloco os dados e a forma de pagamento. Todo mês fazemos a cobrança. Na medida que vamos vendendo e o cliente vai quitando as parcelas, oferecemos mais produtos, onde investem e compram novamente, e isso vai gerando relação de venda e consumo entre o cliente e eu. Procuro sempre fazer uma boa venda atendendo às necessidades do cliente, dessa forma consigo manter a fidelidade do negócio e eles próprios indicam outras pessoas. O respeito e o bom atendimento são fundamentais no processo", explicou ele.

Como em qualquer outra profissão o vendedor enfrenta dificuldades e conflitos com clientes principalmente na hora de receber o pagamento da venda de seus produtos. Calotes e atrasos são bastantes comuns, mas ele afirma que apesar dessa dificuldade procura levar as negociações sempre para o lado da pacificação e do profissionalismo, sem desanimar ele acredita que a busca da solução é o caminho da resolução dos problemas comerciais.

"No comércio sempre vai haver pino não é? E comigo não é diferente. Acontece situações que o cliente não paga ou não honra seus compromissos. Mas, acredito que nem sempre é por mal. Às vezes ele não se planeja ou tem algum problema. Mas, não desanimo não, o importante é resolver o problema. Já tive cliente que comprou um tapete de mim e não pagou, aí passaram-se muitos anos e eu esqueci. Anos depois esse mesmo cliente apareceu comigo querendo comprar uma panela. Aí eu disse a ele que ele não tinha me pagado na última vez, aí ele disse que ia pagar e realizou outra compra. E o engraçado que agora ele está pagando direitinho as duas compras realizadas. Então acontece muito dessas coisas. temos que ter jogo de cintura", contou.

Para Milton, o maior investimento da sua vida está na criação e educação de seus dois filhos. Com suor e muita dedicação, conseguiu por meio de sua atividade oferecer oportunidades para que os filhos pudessem estudar, se formar e ter uma profissão, feito que segundo ele, é maior do que qualquer recorde de
venda e lucro.
"Graças a Deus com essa profissão consegui criar e educar meus dois filhos, hoje a mais velha é formada em contabilidade e trabalha na área dela lá em Teresina. O mais novo está se formando. Sou muito grato pelo que faço e o que eu desejo é nem muito nem pouco, apenas o necessário para continuar trabalhando e um dia receber de volta o investimento que fiz nos meus filhos", disse.

Números de trabalhadores formais e informais
Dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) divulgados em agosto pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mostram que até julho deste ano o desemprego atingiu 12,8%, uma redução significativa em relação ao mês de abril que teve um registro de 13,6%. E essa redução deve-se às atividades informais. Na área de empregados sem carteira assinada houve um acréscimo de 468 mil pessoas. Os trabalhadores por conta própria tiveram crescimento de mais 351 mil pessoas. E os de carteira assinada mantiveram-se estáveis com 33,3 milhões de pessoas.

A pesquisa afirma ainda que na comparação anual, a taxa de desemprego no país se manteve acima do mesmo período do ano passado com 11,6%. O número de empregados de carteira assinada caiu 2,9%, reduzindo o número de 34,3 milhões a 33,3 milhões de pessoas.

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