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O ressurgir das cinzas

Por: Da Redação por Origenes Martins Jr
09 Nov 2017, 14h49

Salve a PRINCESA ISABEL! Viva a abolição da escravatura! Vejam só, mesmo que aparentemente sem nenhum sentido, a princesa apagada de nossa história veio ser relembrada em pleno século XXI, mesmo que em função de uma atitude completamente absurda e sem nenhum sentido. O Brasil inteiro se uniu em críticas e espanto quando a Ministra do Meio Ambiente, Dona Luislinda, de maneira feia, horrível mesmo, reclamou de um segundo salário que somado ao primeiro ultrapassaria quase em dobro o mínimo previsto em lei para o funcionalismo público.

O pior desta história, além dos valores astronômicos que envolvem salários de funcionários públicos em nosso país, pois os R$ 33.000,00 de um dos salários não incluem as benesses de viagens, moradia, cartão corporativo entre outras vantagens, que leva certos servidores a ter este valor oficial e uma remuneração real que ultrapassa tranquilamente os R$100.000,00. Nossa coitadinha de ministra dos direitos humanos, já que à época ainda não havia sido exonerada, ao solicitar o segundo salário que somaria bruto mais de R$ 60.000,00, alegou de forma infeliz que o fazia pois se não o fizesse estaria exercendo um TRABALHO ESCRAVO, que seria uma função sem remuneração. Ainda completou que não teria como pagar as contas, em um escárnio total aos assalariados e desempregados deste país.

Faz muito tempo que não se dava tanta importância à abolição da escravatura no Brasil, inclusive nos meios acadêmicos, que resolveram discutir o fato com alunos e desvendar para alguns o papel da princesinha brasileira. A princesa Isabel foi mais um daqueles personagens de nossa história que somente os livros deram valor, pois ninguém com um mínimo de coerência conseguiu depois entender sua importância real na história. Foi assim com Cabral, D. Pedro I Tiradentes entre outros, além dos mais modernos como Getúlio, JK e Itamar Franco entre outros, os quais esconderam coisas maravilhosas que fizeram e mostraram lados desvirtuados que interessavam apenas a momentos políticos específicos. A atitude da ministra Luislinda serviu como uma forma de alertar ao povo brasileiro que a verdadeira escravatura não se resume aos negros ou aos que estão presos entre paredes de donos de engenhos, antigos ou atuais. A verdadeira escravatura está no dia a dia de um sistema político que brinca de forma ignorante com a renda de um povo que paga impostos absurdos para uma classe política ter remunerações que se encaixam entre as maiores do mundo, enquanto a população convive com quatorze milhões de desempregados.

A verdadeira escravatura é escancarada quando se tem ex-presidentes viajando com comitivas e passagens pagas pelo povo, enquanto filas de doentes se estendem às portas de hospitais e postos de saúde na busca por um atendimento ou um simples remédio e não conseguem nem um nem outro. Somos um povo escravo da ilusão de que tudo vai dar certo, tido vai acabar bem, pois fomos acostumados desde a época da colonização a aceitar o que vem de cima. Não o que vem dos céus, mas o que vem dos poderosos que desde o período colonial se acostumaram a mandar e desmandar no destino do povo.

Nosso país tem coisas tão esdrúxulas que há duas semanas no Congresso Nacional, um deputado semianalfabeto, ex-palhaço de circo que teve votação maciça em seu estado, em plena segunda feira, frente a menos de cinquenta deputados em plenário, com mais de 300 faltas, chamou a atenção de todos para a irresponsabilidade de seus pares por NUNCA TRABALHAREM NA SEGUNDA FEIRA, mesmo ganhando os R$ 33.000,00 de salário e, como também não trabalham na sexta feira, este salário absurdo paga uma jornada de três dias por semana. Nosso Tiririca, o ex-palhaço e hoje deputado, reclamou de seus pares e decepcionado já declarou que jamais se candidatará novamente pois tem vergonha do que viu no Congresso. Com essas coisas que são mostradas a cada dia em nosso sistema político, com as besteiras que os administradores públicos cometem e somados os escândalos que estouram a cada dia e que os incansáveis "Moros" da vida tentam dar alguma solução, fica no mínimo um desafio ao povo brasileiro para que analise bem não apenas a história escrita mas aquilo que vive a cada dia e refaça uma coisa de suma importância para cada cidadão que é o CONCEITO DE ESCRAVIDÃO!

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