Manaus, 17 de Novembro de 2018
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Crise se hospeda em Manaus

Por: Priscila Caldas pcaladas@jcam.com.br
03 Nov 2017, 20h47

Crédito:Walter Mendes
O setor hoteleiro na capital ainda amarga prejuízos decorrentes da menor demanda. O segmento encerrou o terceiro trimestre deste ano com a taxa média da ocupação de 26% em relação a igual período do ano anterior. Instabilidade econômica e consequentemente insegurança em novos investimentos industriais continuam afetando a procura por hospedagens executivas, segmento mais expressivo no turismo manauara. Na avaliação dos empresários, a esperança está na reformulação de projetos que envolvam o Centro da cidade e permitam a edificação de moradias e escritórios, proporcionando maior circulação e chamando a atenção dos turistas à área central da cidade. A implementação de projetos voltados à realização de eventos, em Manaus, também é vista como uma alternativa à crise.

De acordo com o presidente da ABIH-AM (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Amazonas), Roberto Bulbol, o setor hoteleiro enfrenta dificuldades há pelo menos três anos, com maior oferta de serviços e demanda reduzida. Para Bulbol, além dos problemas econômicos nacionais, a instabilidade política vivenciada no Estado também afeta diretamente o desempenho do segmento, afetando a confiança dos empresários e investidores. O turismo empresarial é responsável pelo maior percentual da demanda do setor.

"Em apenas um ano recebemos o terceiro governador do Estado e esses problemas políticos afetam a confiança do investidor e resultam na ausência dos clientes porque maior parte deles vêm a Manaus a negócios, principalmente para resolver situações das fábricas do PIM (Polo Industrial de Manaus)", disse.

Segundo o presidente, a leve recuperação da economia nacional ainda não refletiu nos números da hotelaria amazonense. Bulbol relata que entre os meses do terceiro trimestre deste ano, somente setembro registrou melhor fluxo em relação aos meses anteriores. Ele acredita que o melhor desempenho econômico pode gerar melhores resultados na rede hoteleira até o final do ano. Porém, com números menos expressivos em relação ao faturamento de 2016.

"Acredito que a recuperação econômica somada ao desenvolvimento de projetos elaborados pelo Governo do Estado, relacionados à promoção de eventos, congressos, feiras para o próximo ano possam atrair a atenção dos turistas e gerar maior receptivo. Há expectativas para o futuro", comentou. "A crise já resultou em cerca de 20 mil demissões no segmento, que envolve hotéis, bares e restaurantes, entre outros. Não tivemos como segurar colaboradores em meio a demanda tão reprimida. Mas, hoje a mão de obra está estável", completou.

Na avaliação do presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do Estado do Amazonas, Roberto Tadros, até o momento não foi possível vislumbrar sinais de melhora ou ainda 'uma luz no fim do túnel' para sair do período de crise no setor hoteleiro de Manaus. Ele avalia que qualquer iniciativa voltada à atração turística é positiva, mas considera que o tempo de implementação e de obtenção de resultados, infelizmente, não acontece de forma imediata.

"Toda novidade que possa incrementar os resultados e criar boas expectativas é bem vinda. Mas, o tempo de maturação quando nos referimos a investimentos no turismo, não acontece de forma imediata e não sei até que ponto a rede hoteleira resistirá amargar tantos prejuízos", citou.

Para Tadros, uma alternativa para resolver o problema seria melhorar o aspecto estrutural do centro da cidade, o que segundo ele, poderia ser feito por meio de ação conjunta entre a Prefeitura e o Governo do Estado. O empresário defende que seja concedida a permissão para a edificação de imóveis, prédios residenciais e empresariais na área central, o que segundo ele, manteria a circulação de pedestres no local. Tadros explica que há um esvaziamento no centro de Manaus e que os turistas, ao desembarcarem na cidade, optam por alugar ônibus para passeios e deixam de conhecer as ruas e o comércio por insegurança.

"Ações por meio de um trabalho conjunto entre município e o Estado dariam um novo alento ao centro, retirando ambulantes e barracas, recuperando as calçadas, dando condições para o passeio do turista. Quem chega a Manaus se sente inseguro, o que acontece de dia e também à noite, devido à pouca iluminação. Se tivéssemos moradias no centro a circulação aconteceria e o centro seria mantido vivo, movimentado. Estabelecer toda a área central como área de preservação é uma atitude radical e que engessa o centro, que hoje, agrega mais de 7 mil lojas", defendeu o empresário.

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