Manaus, 14 de Novembro de 2018
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Empresários apostam em retomada

Por: Priscila Caldas pcaladas@jcam.com.br
27 Out 2017, 20h54

Crédito:Walter Mendes
Manter as lojas abertas e alcançar crescimento nos resultados do comércio em relação ao ano anterior. Esse é o desafio de quem administra um empreendimento no segmento comercial amazonense. Em meio a um período de retomada no poder de compra do consumidor e na confiança do empresariado, comerciantes buscam manter a atratividade dos produtos e serviços e estimam crescimento de até 3% sobre os números do faturamento do último trimestre de 2016.

De acordo com o presidente da FCDL-AM (Federação do Comércio das Câmaras dos Dirigentes Lojistas do Amazonas), Ezra Azury Benzion, o período de recessão encerrou e agora é possível projetar melhores resultados decorrentes das vendas de final de ano. Ele comenta que alguns setores do comércio sentem a recuperação gradativa e com base em estimativas anunciadas pelo governo federal, estimam um crescimento para o segmento, no último trimestre, que pode chegar a até 3,89%, em comparação a igual período de 2016.

"Alguns setores já sentem uma leve melhora em relação a 2016. A confiança do empresariado também está sendo retomada e a classe chega a estimar melhores índices decorrentes das vendas natalinas, em comparação ao ano anterior. Estamos em uma situação confortável e que está se tornando lucrativa. A recessão acabou, mas a recuperação é lenta", disse.

Manter funcionamento é desafio
Na avaliação do empresário, o desafio do segmento, atualmente, está na luta pela manutenção do funcionamento dos empreendimentos. "As empresas reduzem custos a cada dia e tentam diminuir o quadro funcional. Não vejo perspectivas de abertura de novas lojas até o final deste ano. A questão é manter as lojas já existentes em funcionamento. Se conseguirmos isso, conseguiremos nos organizar para o próximo ano", comentou.

Segundo o vice-presidente da Fecomércio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Amazonas), Aderson Frota, o comércio sente melhoras no volume de vendas em paralelo à recuperação dos indicadores econômicos nacionais. Ele considera que o período de novas eleições, previsto para o próximo ano, deverá atrapalhar o processo de reconstrução econômica nacional e consequentemente, no Amazonas.

"O comércio começa a respirar novos ares. Os números não são robustos, mas percebemos uma melhora. Infelizmente 2018 será um ano político em que os investimentos são travados, logo, a economia também trava", avaliou. "Para este ano esperamos registrar crescimento entre 2,5% e 3%. Se alcançarmos esse resultado teremos motivos para comemorar porque o primeiro semestre deste ano teve queda no faturamento em relação a 2016", disse.

Entre os desafios enfrentados pelo setor, Frota destaca a fragilidade do comércio frente às elevadas taxas de juros cobradas por cartões de crédito e pelo uso de cheque especial; somado ao menor poder de compra do consumidor decorrente do elevado índice de desemprego. "O Amazonas é o último a entrar na crise e o último a sair. O comércio depende de renda para gerar consumo e com o elevado índice de desempregados que ficam sem renda, somado às elevadas taxas de juros de cartão de crédito e de cheque especial, fica difícil registrar melhores vendas", comentou.

Conforme o presidente da assembleia geral e do conselho superior da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ismael Bicharra, a economia sinaliza recuperação gradativa no país e no Estado. Segundo ele, a liberação de pagamentos como o FGTS inativo e o PIS/Pasep incentivam o consumo e possibilitam o impulso de melhores resultados na economia como um todo.

Segundo Bicharra a melhora na economia possibilita a previsão de criação de novos postos de trabalho no setor comercial de Manaus. Ele informou que nos próximos meses há expectativa de criação de aproximadamente duas mil vagas temporárias no comércio, número que segundo ele, é expressivo quando comparado ao volume de contratados em igual período do ano anterior. "No ano passado tivemos poucos contratos temporários. Acreditamos que devido ao incentivo dado pelo governo federal ao consumo, por meio dos recursos liberados durante o ano, os resultados comecem e alavancar e tenhamos crescimento de até 5% nas vendas do comércio em relação a 2016", disse. "A economia é um ciclo e todos os subsetores inclusos no comércio acompanham o crescimento. Um exemplo é o mercado imobiliário, que também aquece junto ao comércio porque quanto mais renda em circulação mais serviços são contratados", completou.

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