Manaus, 14 de Novembro de 2018
Siga o JCAM:

Empresa familiar: a propulsão do país

Por: Evaldo Ferreira eferreira@jcam.com.br
17 Out 2017, 19h50

Crédito:Divulgação
Em café da manhã realizado na manhã de ontem, no hotel Caesar Business, para a imprensa e empresários, a KPMG apresentou o resultado da 2ª edição da pesquisa Retratos de Família -um panorama do histórico e perspectivas das empresas familiares brasileiras.

"Tirando as estatais, todas as demais empresas brasileiras têm origem familiar", falou Sebastian Yoshizato Soares, responsável pelo mercado empreendedor da KPMG.
"Há sete anos viajo pelo Brasil lidando com empresas familiares buscando por suas características, demandas e perfis", completou.

A primeira edição da Retratos de Família foi realizada no segundo semestre de 2015. Esta, agora, foi concluída no início desse ano. "Na Europa eles já estão na quinta edição, então fizemos um comparativo das empresas de lá com as empresas brasileiras e descobrimos que empresa familiar é igual em qualquer parte do mundo", acrescentou.

"Para que essas empresas tenham, ou se mantenham no sucesso, são necessários dois pilares: harmonia familiar e governança corporativa. Governança corporativa significa envolver os relacionamentos entre sócios, conselho de administração, diretoria, órgãos de fiscalização e controle e demais partes interessadas", explicou.

Para essa segunda edição da pesquisa foram coletadas informações de 181 empresas, distribuídas em 15 Estados e o Distrito Federal. O Amazonas participou com dez empresas. Os participantes responderam ao questionário online, entre novembro de 2016 e janeiro de 2017, e ofereceram uma relevante visão das perspectivas atuais e futuras do negócio familiar e também da estrutura de governança que possuem para enfrentar seus principais desafios.

Dentre as empresas pesquisadas, 21% fazem parte do setor de atacado e varejo; 20% de serviços; 19% de bens industriais e manufatura; e 13% do setor de agronegócios. 79% tem mais de 20 anos de existência no mercado e 43% são controladas pela segunda geração da família. 79% são controladas por uma única família, enquanto 21% possuem mais de uma família no controle dos negócios.

A perpetuidade da empresa
"Em 54% das empresas os seus pontos fortes são a marca forte ou presença de mercado. 52% consideram que seu ponto forte é a tomada de decisões rápida e flexível, e 46% o atendimento ao cliente. Em 52% delas a diversidade está na pauta. Quanto à participação da mulher no gerenciamento dos negócios, o Brasil está 'engatinhando'. O discurso é muito bonito, mas a prática é incipiente", falou Sebastian. "Também os empresários aceitam investidores, mas não querem perder o controle da empresa. O que podemos concluir é que a empresa familiar de hoje continuará sendo a empresa familiar do futuro", completou.

Outros itens que fizeram parte da pesquisa são: as principais preocupações da empresa hoje. 66% apontaram incertezas política e econômica; 53% redução na lucratividade; 43% redução das vendas.
Sobre a expansão dos negócios além das suas localidades atuais, 59% pretendem realizar essa expansão geográfica. Desses 59%, 80% planejam essa ampliação para outras regiões brasileiras, 15% programam um crescimento em outros países da América Latina e 5% consideram a expansão para fora da América Latina.

Quanto às questões importantes para o sucesso da empresa, 85% acham muito importante a separação entre os interesses da família e os do negócio; 74% a preparação e treinamento do sucessor antes do efetivo início na função; e 72% estrutura de governança.

Ao final da pesquisa, chegou-se às seguintes conclusões: que os assuntos considerados mais pertinentes para o sucesso do family business se mantiveram basicamente os mesmos da pesquisa anterior, porém, a manutenção do controle da família no negócio e a participação dos membros da família que não estão envolvidos no negócio deixaram de ser percebidas como itens essenciais ao sucesso da empresa familiar por parcela significativa dos pesquisados, mas o que se pode perceber é que essas famílias se empenham em manter o negócio dentro da família, sem perder o seu controle, e apoiar o seu crescimento com uma maior profissionalização da gestão e uma governança cada vez mais sólida, visando à sua perpetuidade.

De geração para geração
Um exemplo de empresa familiar sólida, no Amazonas, é o da família Benchimol, com 75 anos de existência. "Tudo começou com meu bisavô, que veio do Marrocos para o Brasil por volta de 1850, estabelecendo-se no rio Tapajós e ganhando a vida como regatão", lembrou Jaime Benchimol, integrante da quarta geração dos Benchimol na Amazônia.

Em 1926, Isaac, o avô de Jaime, já em Manaus, foi com a mulher e os quatro filhos, para os seringais do rio Abunã, para tentar viabilizar o negócio da extração do látex, no qual era sócio, porém, fazia mais de dez anos que o comércio da borracha estava em decadência. Quatro anos depois o seringal faliu e a família voltou para Manaus sem nada. "Meu avô fez festa para comemorar o dia em que se livrou das dívidas", contou.

Em 1942, Samuel, um dos filhos de Isaac e pai de Jaime, fundou a Benchimol & Irmão, empresa de representações, junto com Israel, seu irmão mais velho.

Já na década de 1960, a empresa, então conhecida como Bemol, começou a multiplicar os pontos de venda em Manaus, e em 1969, expandiu-se para outros Estados. Em 1956 haviam criado a empresa Fogás, de distribuição de gás, hoje representando 2% do mercado brasileiro do produto. "Temos balsas próprias para distribuição de nossos produtos. Além do Amazonas, estamos também no Acre e, em 2018, estaremos no Mato Grosso, mantendo a nossa vocação amazônica", adiantou.

"Atualmente temos 21 lojas em Manaus, Rondônia, Roraima e Acre. Nos últimos 20, 30 anos adotamos disciplinas estratégicas de acordo com modelos econômicos internacionais. Desde 2003 executamos a governança corporativa, com critérios periodicamente revisados, mas sempre seguindo cinco princípios: integridade, respeito, economia, energia e melhoria contínua. Somos 21 sócios, quatro na gestão, dez no conselho", ensinou.

"De geração para geração a transição vai ficando mais difícil, porque o número de familiares vai aumentando. Também temos receio de diversificar e já perdemos centenas de oportunidades por causa disso, mas aconselho os empresários a refletir bastante antes de diversificar", disse.

Ainda assim a família investe na diversificação com a abertura de três drogarias dentro das lojas. "Em breve teremos nossas próprias drogarias", adiantou.

Comentários (0)

Deixe seu Comentário