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Educadores que deixaram raízes

Por: Evaldo Ferreira eferreira@jcam.com.br
13 Out 2017, 19h06

Crédito:Divulgação
Paulo Fueth Mourão, Solon de Lucena, Antenor Sarmento, Plácido Serrano, Thaumaturgo Soriano de Melo são alguns dos educadores que viveram em Manaus em décadas passadas e deixaram seus nomes para a história. Outros, porém, conseguiram deixar seus nomes não só para a história, mas também em escolas onde moraram e formaram gerações de alunos, e que até hoje existem. O escritor Gaitano Antonaccio conheceu alguns deles.

"Um dia eu estava fazendo algazarra na área externa da escola e atrapalhava as aulas nas outras salas quando o professor Pedro Silvestre (1908/1965) apareceu, me segurou por essa pele da cintura com o indicador e o polegar, e me levou até a sala dele. Lá, mandou que eu escrevesse a frase 'ouve e obedece aos teus superiores, porque sem disciplina não pode haver disciplina', do célebre Coelho Neto. Detalhe: teria que escrever até a lua aparecer. Eu chegava em casa por volta das 17h30. Quando deu 19h, meu pai apareceu na escola e o professor o levou até mim, que ainda escrevia a frase. Nunca esqueci dela", riu. Pedro Silvestre era um educador e um disciplinador. Quando algum aluno 'aprontava', mandava ficar sentado na área externa olhando para o céu até que a lua, ou a primeira estrela aparecessem. Eu tinha uns 12 anos e aprendi muito com o mestre, cujo Colégio Brasileiro existe até hoje e naquela época ficava ali na Alexandre Amorim, próximo à igreja de Aparecida.

"A professora Martha Falcão (1929/2016) conheci já adulta, mas sei de uma história da infância dela. Ela perdeu os pais muito cedo e foi criada pela avó, que era rendeira. Quando foi ser matriculada pela primeira vez pra estudar no IEA, vestia um vestidinho muito pobre, porque ela era muito pobre, e a diretora não a quis no colégio. Martha foi chorar num dos bancos da praça de São Sebastião quando apareceu Regina Coeli, filha do educador André Araújo, e ficou sabendo da história. Regina levou Martha até o pai que resolveu ajudar a menina, dando dinheiro para que ela se vestisse melhor. Martha voltou ao IEA, foi matriculada, estudou, se formou, virou professora e depois diretora do Instituto e a professora que a humilhou acabou sendo sua subordinada. Até a morte dele André Araújo a ajudou. Além da escola que ela fundou, também tem a faculdade", disse. "O Orígenes Martins (1927/2016) também conheci já adulto, mas pela convivência fiquei sabendo muito de sua história. Estudou no Seminário Metropolitano de Fortaleza, mas ao voltar para Manaus, casou com a dona Berenice. Foi professor nos colégios Estadual, IEA, Aparecida e Dom Bosco, antes de fundar o Instituto Christus, que faria história em Manaus e existe até hoje como Centro Educacional Christus do Amazonas. O sonho do Orígenes era dirigir seu próprio colégio, mas não tinha ajuda de ninguém. Como outros educadores, fundou o Christus na sua própria casa. Depois teve ajuda dos governadores José Lindoso e Gilberto Mestrinho e ele construiu uma sede própria, mas sempre falou mais alto o desprendimento do ganhar dinheiro. Sei que ele dava bolsas de estudo no seu Instituto para aqueles alunos que não tinham dinheiro para pagar as mensalidades", destacou.

Pedro Silvestre
Pedro Silvestre da Silva nasceu em Baturité (Ceará) a 2 de março de 1908, falecendo, em Manaus, a 25 de abril de 1965. Aos dois anos de idade, veio para o Amazonas com seus pais Manoel da Silva e Silvana da Silva. O casal seguiu para um seringal do rio Javari, em Benjamim Constant, onde o Pedro começou os estudos elementares. Em 1920, Pedro Silvestre veio para Manaus, sendo internado na Escola de Aprendizes Artífices, depois Escola Técnica Federal, hoje Ifam. Conjuntamente, em aula particular, estudou desenho com o falecido Prof. Mariano de Lima.

Martha Falcão
Educadora, pesquisadora, ambientalista, assistente social e cientista Martha de Aguiar Falcão, nasceu em Manaus a 13 de maio de 1929, filha do militar Matias Vieira de Aguiar e de Aurora Rodrigues de Aguiar. Tendo ficado órfã de pai antes do seu quinto mês de existência, sua mãe viu-se obrigada a trabalhar duro nas horas vagas, exercendo as funções de enfermeira e bordadeira. Aos 12 anos de idade, a mãe de Martha faleceu. Em consequência da nova situação, ela passou a receber o carinho e as atenções de sua avó, Maria Rodrigues Rigueira, a Dona Marocas.

Orígenes Martins
Orígenes Angelitino Martins nasceu no Careiro da Várzea, em 23 de maio de 1927. Fez o curso primário no Grupo Escolar Marechal Hermes e no Grupo Escolar Barão do Rio Branco, em Manaus e com o curso de primeiro grau completo, ingressou no Seminário São José, onde concluiu o segundo grau. Com muito esforço completou o terceiro grau com o curso de Filosofia no Seminário Metropolitano de Fortaleza, concluindo o curso de Filosofia na Faculdade Católica de Fortaleza no ano de 1953.
Durante o curso, foi professor dos colégios São João, Lourenço Filho e Farias Brito, todos na capital cearense.

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