Manaus, 22 de Setembro de 2018
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Tecnologia na infância: Qual o limite?

Por: Cíntia Valadares
06 Out 2017, 20h08

Crédito:Divulgação
Nos dias atuais, o número de crianças que têm contato com smartphones ou tablets nos seus primeiros anos de vida só vem aumentando. Se até pouco tempo atrás os pais penavam para encontrar a dose ideal de televisão e videogame na vida das crianças, hoje eles ainda precisam incluir tablet, celular e computador na mesa de negociações. Mas será que a inserção tão precoce no mundo da tecnologia é saudável para as crianças?

Definitivamente é impossível imaginar uma infância livre da influência dos equipamentos eletrônicos. Por isso, os limites recomendados de utilização dessas tecnologias não param de ser revistos, bem como a maneira com que os pequenos deveriam interagir com as telas.

De acordo com a psicóloga Eliane Mezari, é impossível na atualidade tirar a tecnologia da vida das crianças, contudo, é necessário que os país imponham limites, que tenham regras definidas para com os pequenos. "A criança não pode deixar de ter contato com a tecnologia, não tem como tirar isso da vida delas, no entanto, os pais são os responsáveis e precisam acompanham todo o conteúdo visto pelos filhos. Além disso, o pai precisa ter um contrato com a criança, onde ela só pode pegar no celular ou tablet quando o pai tiver acesso. É preciso que os pais tenham pulso firme", disse a psicóloga.

Distração e companhia
Um comportamento muito comum hoje em dia, é o uso dos aparelhos eletrônicos como forma de distração da criança, isso porque, os pais vivem correndo contra o tempo, eles trabalham, estudam, cuidam de casa e outros querem apenas descansar, assistir seu programa de TV favorito. E para ter esse "momento de sossego", usam desses artifícios para prender a atenção dos filhos. "É como se fosse a terceirizar a criança através de eletrônicos, ou seja, deixá-las ali, 'desligada' através de um objeto", comentou Eliane.

Segundo a psicóloga, as crianças gostam dos celulares e tablets por conta dos jogos, pois lá existe um mundo de possibilidades. "Ali ele mata, morre, ressuscita, e no final sempre vence, porque se não vencer ele recomeça o jogo e vai até vencer, e isso prende a atenção deles", explicou.

Mas afinal, qual o limite?
Para a psicóloga, a idade ideal para a criança ter contato com celulares e tablets é a partir dos 4 anos, porém, com monitoria dos pais. É importante estabelecer regras, estipular um limite de tempo é uma delas. A criança vai sempre pedir mais, então os pais precisam dosar. "Uma opinião pessoal minha é que a criança nessa idade fique no máximo vinte minutos no celular. Os responsáveis precisam analisar quais jogos ela tem acesso, o tempo de permanência na frente da telinha", afirmou Eliane.

Os cuidados com o conteúdo de desenhos e de jogos devem ser tomados de acordo com os valores da família. O importante é que, mesmo depois da seleção do que é permitido, sempre alguém fique ao lado da criança para supervisioná-la. De acordo com Eliane, a criança precisa ter um desenvolvimento físico, cognitivo e também socializar, tudo isso é fundamental para o crescimento dos pequenos. "A criança precisa se sujar, aprender a se limpar, para a partir daí ganhar autoconfiança, é um processo que toda criança tem que passar na vida", pontuou.

E falando em limites, a jornalista Andréia Leite, soube impor esses limites de uma maneira muito natural na vida da filha, Letícia Leite, 11. Estudante do 6º ano, a menina descobriu no celular uma maneira mais atrativa de acessar redes sociais, jogos e se conectar no mundo da internet. Segundo a mãe, a filha vive a fase dos youtubers, e sempre que pode assiste aos vídeos dos seus favoritos.

Segundo Andréia, há um ano atrás, a filha pediu um smartphone de presente. Os pais deram o presente, contudo, tudo dentro de um limite imposto. "Nós criamos uma rotina onde ela leva o celular para a escola apenas para se comunicar comigo e com o pai na hora da saída ou em caso de alguma emergência, no restante do horário de aula, o telefone fica desligado. De segunda a sexta-feira ela não tem acesso ao celular, exceto no momento da saída da escola. No sábado e domingo ela pode acessar as redes sociais, jogos, mas tudo com horários estabelecidos, até porque ela tem atividades escolares para fazer, precisa brincar, e ela respeita isso", contou a mãe.

De acordo com Andréia, sempre existiu um diálogo com a filha para alertá-la dos perigos das redes sociais. "Ela sempre me pergunta se pode postar uma foto, se está boa, e isso é importante pois, atualmente muitas meninas acabam fazendo fotos sensuais e acham normal. Além disso, ela tem uma conta no Instagram, e ela mesmo colocou no perfil a frase: Perfil gerenciado pela mãe! As amiguinhas brincam, riem dela, dizem que é um mico, mas ela não liga", disse.

Dicas
Uma dica é montar espaços livres de eletrônicos, sem TV, sem celulares e sem tablets. Ali, a ordem é apenas brincar e conversar, sem qualquer contato com tecnologias. O lugar onde as refeições são feitas, por exemplo, deve ser preservado. Elas são um momento essencial para que os pais deem atenção à criança: auxiliem na alimentação e garantam um cardápio saudável, além de socializar com ela. Enquanto come, a criança vai contar como foi o dia dela na escola, por exemplo.

Os adultos também podem compartilhar experiências no trabalho, dividir algo engraçado que tenha acontecido. Essa troca pode ajudar a criar laços entre a família e a fazer com que o filho tenha confiança nos pais. Assim, quando algo errado acontecer com ele, poderá se sentir à vontade para contar.

Um dos cuidados que os pais devem ter, inclusive, é que a exposição às tecnologias não ocorra perto da hora de dormir, para que a criança não fique excitada. A luminosidade das telas também interfere na produção de melatonina, hormônio responsável pelo sono. Outra recomendação é evitar colocar a televisão no quarto, para que a tentação de ligá-la à noite seja menor.

Segundo Eliane Mezari, o uso excessivo de aparelhos eletrônicos levam a criança ao vício, que muita das vezes só pode ser resolvido com o auxílio de um profissional especialista em psicologia comportamental cognitiva.

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