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Como nos velhos tempos

Por: Priscila Caldas
06 Out 2017, 20h06

Crédito:Walter Mendes
Em meio ao avanço tecnológico e à oferta de diversos jogos eletrônicos no mercado, a demanda pelos brinquedos tradicionais ainda resiste. Pião, pula corda, quebra-cabeça, jogo da memória, o telefone sem fio, casas de boneca de madeira, dentre outros ainda fazem parte da lista de compras dos pais e mães que desejam presentear os filhos. Em paralelo, iniciativas populares também buscam resgatar as brincadeiras lúdicas e incentivar os pequenos a interagir com o próximo.

De acordo com a gerente da loja Alakazam Brinquedos Inteligentes, Jéssica Medeiros, de janeiro a setembro deste ano a loja registrou um crescimento de 60% na procura pelos produtos infantis disponibilizados pela empresa, em comparação a igual período do ano anterior. Ela afirma que maior parte dos clientes que chegam à loja são pais que querem investir na educação do filho. Há também um público que busca os itens pedagógicos por indicação de psicólogos para o tratamento da criança.
A loja disponibiliza os diversos tipos de brinquedos tradicionais e pedagógicos como pião, blocos de montar, quebra-cabeça, bonecas, jogos de pintura, dentre outros. A maior parte dos produtos são de madeira. Os preços variam entre R$39 e R$1,2mil.

"O item mais procurado na loja é a casinha de madeira que mostra todos os compartimentos de uma casa, mas em miniatura. É um produto bem demandado, também, por psicólogos que utilizam a casa para atendimento clínico. Os brinquedos aramados também apresentam boa demanda tanto para meninos como para meninas", disse.

A vendedora da loja, Iza Santos, relata que boa parte dos clientes afirmam adquirir os produtos com o intuito de acompanhar o processo educacional da criança ou com a intenção de tratar algum problema neurológico ou psicológico. Segundo Iza, uma cliente contou que o filho, quando criança, tinha problema de má coordenação nas mãos e ao passar por tratamento, que teve como suporte os brinquedos terapêuticos, teve o problema resolvido e hoje, na fase adulta, concluiu uma graduação e conseguiu vencer as dificuldades de saúde.

"A cliente relatou emocionada a experiência que passou com seu filho, que hoje está na fase adulta e curado. É muito bom saber que os brinquedos podem contribuir com o desenvolvimento de uma criança. Boa parte dos clientes que recebemos são pais e mães que querem, por meio das brincadeiras, estar mais próximos aos seus filhos", comentou.

Além do investimento em brinquedos lúdicos, há pais que se preocupem em promover momentos de interação social entre pequenos. É o caso de um grupo de moradores residentes no conjunto Nova República, localizado no Distrito Industrial, zona sul. No próximo dia 12 de junho, data em que se comemora o dia das crianças, os moradores promoverão uma tarde de diversão para os pequenos com foco na realização de brincadeiras tradicionais como pula-corda, amarelinha, esconde-esconde, entre outros.

A moradora e uma das realizadoras do movimento, Cláudia Mendes, conta que será a primeira mobilização alusiva ao dia das crianças, mas que os moradores têm se reunido para realizar eventos em datas comemorativas como as comemorações juninas, por exemplo. O objetivo do movimento, segundo ela, é promover maior interação entre os pequenos e resgatar as brincadeiras antigas.

"A comunidade está cada vez mais participativa. É importante que todos interajam e que as crianças entendam a importância de estarem juntas, brincando", disse.

A doutora em psicologia e professora da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), Denise Gutierrez, explica que durante uma brincadeira a criança aprende sobre o mundo e sobre ela mesma. Ela afirma que as brincadeiras de rua além de terem custo quase zero, obrigam o pequeno a criar e imaginar, o que resultará no desenvolvimento da criatividade. A criança, segundo ela, utilizará o corpo como ferramenta para o seu desenvolvimento.

"As brincadeiras de rua são fundamentais para a estruturação do psiquismo da criança, que quando está brincando, está aprendendo sobre o mundo e sobre ela mesma. Os jogos eletrônicos são ferramentas que podem ser úteis e estimulantes em algum sentido para os pequenos. Mas, o problema está na utilização exclusiva dos jogos eletrônicos, no uso por horas excessivas. Muitos pais preferem usar esse recurso porque acalma o filho e ele se individualiza, dando menos trabalho aos pais. Porém, é importante entender que a interação é fundamental para a saúde psicológica e para o bom desenvolvimento da inteligência da criança", explicou a psicóloga.

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