Manaus, 14 de Novembro de 2018
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Fusão de secretarias é especulada

Por: Cíntia Valadares
06 Out 2017, 13h44

Crédito:Divulgação/Assessoria
Em seu segundo dia como governador do Estado, Amazonino Mendes (PDT), iniciou a quinta-feira (5), dando posse aos 21 secretários escolhidos por ele para a nova gestão do Amazonas, a cerimônia aconteceu na Sede do Governo. Segundo Amazonino, o novo secretariado irá trabalhar em prol dos serviços essenciais para o povo do Amazonas. De acordo com o governador, nenhum nome teve indicação política.

"Todos aqui que estão sendo empossados sabem que nós temos uma guerra a vencer a curto prazo. Ganhar o governo do Estado não significa que a pessoa foi premiada. É uma tomada de consciência de que se tem deveres, e muitos. Os secretários que vão fazer um trabalho intenso, vão fazer renúncias. O ponto fundamental da posse não é só a honra do ato, mas a conscientização do servir. Minha intenção é ser escravo do povo", afirmou o governador durante a solenidade.

Amazonino encerrou a cerimônia da posse afirmando que não quer ninguém da sua equipe trabalhando isoladamente. "Recomendo harmonia, interação e integração interna do governo. Tudo é interdependente", finalizou.

Contudo, uma das dúvidas que ficaram, foi o por que da ausência do nome do novo gestor para a Seplan-CTI (Secretaria de Estado de Planejamento, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), dentre os nomeados. A secretaria tem um papel fundamental no planejamento das ações do Estado e atua em quatro eixos principais - incentivos fiscais, desenvolvimento, planejamento e ciência e tecnologia -porém, apenas o primeiro eixo tem afinidade com a área da fazenda.

Existem algumas especulações de que o motivo desta ausência se dá porque o governador irá fundir as atividades da Seplan-CTI, com a da Sefaz (Secretaria de Fazenda). Entretanto, essa possibilidade ainda não foi confirmada pelo governador.

Outro nome que não fez parte da lista de nomeados, foi o do novo ouvidor do Estado. Em março deste ano, a Assembleia Legislativa aprovou a extinção do órgão, que seria absorvido pela CGE (Controladoria Geral do Estado), porém, após a saída do ex-governador José Melo, o assunto ficou esquecido. Contudo, assim como no caso da Seplan-CTI, o governo não confirmou a extinção do órgão.

Transmissão de cargo na saúde
Ainda pela manhã, Amazonino Mendes participou da cerimônia de transmissão de cargo de secretário de Estado da Saúde, o médico Francisco Deodato, que aconteceu no auditório da Susam (Secretaria de Estado da Saúde). Durante a cerimônia o governador fez um apelo aos servidores do setor, para que ajudem na reconstrução da saúde.

"Há muitas formas de matar alguém e uma das mais eficazes e cruéis é com a falta de gestão na saúde pública. Muita gente morre em decorrência do nosso serviço ou da ausência dele", disse.

Amazonino lembrou que no último ano do seu mandato como governador, em 2002, o orçamento para a saúde era de R$ 367 milhões e vários investimentos foram realizados. "De 2014 para 2015, o orçamento foi para R$ 3,2 bilhões e a saúde está um caos. Queremos saber para onde foram levados os recursos do setor? Que rio estranho é esse por onde ele percorreu?", questionou.

O secretário Francisco Deodato destacou que é preciso tirar a saúde das páginas policiais e dos grandes escândalos. Ele revelou que recebe o setor com um deficit de R$ 400 milhões, para fechar o ano de 2017. "Vamos criar as condições necessárias para enfrentar esse cenário, de forma a honrar os compromissos já postos e receber os que virão. Isso tudo sendo feito de forma correta juridicamente, digna e respeitosa", afirmou.

Deodato disse que é preciso haver uma consciência plena da gravidade da situação, pelos servidores, pela população e autoridades, para que se possa reconstruir o sistema de saúde pública do Amazonas. "Na campanha ouvimos as reclamações da população. Mas ontem (quarta-feira, 4) comecei uma peregrinação às principais unidades de saúde, para conversar com os servidores e com os pacientes, fazer um diagnóstico da situação e organizar um planejamento de urgência para enfrentar os problemas", frisou.

O secretário relatou que esteve no Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, na zona Centro-Sul de Manaus, onde presenciou casos graves: pessoas internadas acomodadas em cadeiras, por falta de leito; ambientes com capacidade para 30 pessoas abrigando 60 pacientes; enfermarias sem ar-condicionado e sem janelas; gente que estava até à noite sem se alimentar.

No PSC (Pronto-Socorro da Criança) da zona Sul, o secretário constatou o uso de um espaço improvisado como UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Bem ao lado do espaço improvisado se arrasta, há três anos, uma obra para a construção da nova UTI do hospital, projeto que foi previsto para ser concluído em 60 dias. "Esse é o quadro que estamos encontrando. E hoje (quinta-feira) continuo a minha peregrinação nas unidades. Chegou a hora de fazermos a nossa parte. E eu confio muito nos servidores da saúde do nosso Estado", ressaltou Deodato, que é o primeiro servidor da Susam a ocupar o cargo de secretário da saúde.

Em seu discurso, Deodato reafirmou o compromisso dele e do governador com o setor. "Teremos um governador que já deu provas do seu comprometimento", disse ele, enumerando obras realizadas no último governo de Amazonino (de 1999 a 2002), do qual foi também secretário de saúde -a construção dos Caimis (Centros de Atenção Integral à Melhor Idade), dos Caics (Centros de Atenção às Crianças), das primeiras UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) do Estado e dos hospitais Adriano Jorge e Francisca Mendes, dentre outras. Deodato também foi secretário municipal de saúde, de 2009 a 2012, quando Mendes foi prefeito de Manaus, e tem 30 anos de atividade profissional como médico.

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