Manaus, 22 de Setembro de 2018
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Centro vira paraíso do aluguel

Por: Cíntia Valadares
03 Out 2017, 19h48

Crédito:Walter Mendes
A região central de Manaus é conhecida tradicionalmente por dois aspectos, seu contexto histórico e por abrigar a maior área comercial da capital. Mas o lugar que deveria movimentar o comércio local, tem sido espaço de imóveis vazios, e repleto de placas de aluga-se.

De acordo como o José Roberto Tadros, presidente da Fecomércio-AM, na região existem mais de 6 mil lojas de diversos segmentos, mas nos últimos anos muitas dessas lojas têm fechado as portas, e a culpa não é apenas da crise econômica, mais do abandono da área, da concorrência desleal com os vendedores ambulantes, a falta de segurança, entre outros fatores.

"As pessoas fogem do centro da cidade, as calçadas estão tomadas por ambulantes, os calçadões estão quebrados, as ruas esburacadas, as praças cheias de tapumes de obras inacabadas, falta policiamento, a população tem medo de comprar no centro, quando dá cinco da tarde os lojistas ficam apreensivos com medo de arrastões, fica complicado manter qualquer negócio na região", disse.

Para Tadros, os ambulantes são também responsáveis pela crise que vive o centro da capital. Com suas mercadorias de procedência duvidosa, os ambulantes competem com vendedores que trabalham no sistema de vendas por comissão, as pessoas acabam comprando essa mercadoria mais barata, impedindo que circule dinheiro tanto para o comércio, quanto para Estado e município.

"O Sindicato dos Trabalhadores do Comércio reclamam que os vendedores perdem as vendas para os camelôs, pessoas que com esse tipo de venda, não pagam tributos com isso não entra receita para o Estado e o município, não pagam aluguel, e com isso, os vendedores e comerciantes não ganham dinheiro porque não vendem, então tudo isso inibe as vendas no comércio", explicou.

Segundo o presidente da Fecomércio, existe uma promessa do prefeito Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM), de concluir as praças e revitalizar o centro. "É esse tipo de ação que o centro precisa, precisa de iluminação, precisa valorizar o centro de Manaus, porque além de ser a região mais importante da cidade, é uma região história, Manaus é uma das três capitais brasileiras que ainda tem imóveis com arquitetura do tempo do ciclo da borracha, ali viveram os fundadores do Estado, é preciso ter respeito pelo Centro da Manaus", pontuou Tadros.

Infraestrutura
Um dos problemas recorrentes em algumas ruas da região, como os cruzamentos da rua Lobo D'Almada com a Saldanha Marinho, segundo os comerciantes é o alagamento que acontece constantemente em períodos de chuva.

De acordo com o autônomo José Ferreira, 48, a maioria das lojas que fecharam as portas neste cruzamento, o fizeram por conta dos prejuízos que tiveram com a alagação. "Aqui depois do mês de junho, muitos empresários decidiram encontrar pontos comerciais em outros locais para não ter perda de produtos", disse.

Segundo a vendedora Francine Mota, 51, da Loja Eva Modas, quando chove na região fica impossível transitar, os carros que ficam estacionados acabam sendo danificados, com isso os clientes em tempo de chuva acabam deixando de comprar no local. "É terrível, a gente tem que subir as mercadorias, as vezes não dá tempo, e isso faz com que se perda muito material, os carros dos clientes, a água sobe tanto que acaba entrando no motor e danificando o veículo, daí o cliente acaba fugindo, indo para o shopping que é mais seguro e mesmo pagando mais caro, ele não corre tanto risco", comentou Francine.

Crise como causa
De acordo com Ataliba David Antônio Filho, presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), a crise levou um número expressivo de lojas a fecharem as portas. Com a falta de capital circulando no comércio, e não afrouxamento do governo e município com relação aos tributos, e a falta de segurança para novos investimentos, a única opção foi a finalização dos serviços no comércio.

Para o presidente da ACA, a crise produziu uma reação em cadeia. "Com a crise o comerciante segurou as compras, mas com o mesmo problema os clientes deixaram de comprar, por conta da falta de ajuste entre governo e empresários as lojas fecharam, os trabalhadores foram demitidos, não se recolheu mais impostos, e isso prejudicou a arrecadação no Estado e município", explicou.

Porém, segundo Ataliba, após a liberação dos valores disponíveis nas contas inativas do FGTS, da 1ª parcela do 13º salário e a chegada das datas comemorativas, o setor vem se recuperando lentamente. "Nossa expectativa é que a partir do próximo ano, com a queda da inflação, o dinheiro volte a circular no país. Pelo rumo que as coisas estão tomando temos muita esperança que iremos nos recuperar em breve", disse.

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