Manaus, 20 de Setembro de 2018
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Professores municipais pedem CPI na Câmara, mas não entram em acordo

Por: Jefter Guerra
27 Set 2017, 15h04

Crédito:Divulgação
Na manhã desta quarta-feira, 27, professores da Rede Municipal de Ensino foram até a Câmara Municipal de Manaus (CMM) pedir que a Casa abra uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o não repasse de R$ R$ 109,4 milhões, referente ao Fundo de Manutenção e desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) 2017, que a prefeitura de Manaus utilizou para o pagamento das progressões e reenquadramento aos professores, com incorporação dos valores ao cálculo de aposentadoria.

Ao receber os manifestantes, o presidente da Câmara, Wilker Barreto (PHS), disse que a Casa não pode abrir inquérito, porque é preciso de provas concretas para tal ação. "O que podemos fazer é remediar uma conversa entre vocês (professores), sindicatos e as secretarias estratégicas, como a Semed e Semef.

Com um vídeo em mãos, durante o encontro, os professores pediram uma retração da Secretaria Municipal, após a secretária Kátia Schweickardt os chamá-los de criminosos.

Até o momento, porém, o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB), não se pronunciou sobre uma possível troca na Semed e, segundo informações de bastidores, não cogita fazer mudanças na pasta.

Durante a manifestação da última sexta-feira (22), realizada em frente à sede da prefeitura, na avenida Brasil, bairro Compensa, Zona Oeste da capital, "Fora Kátia" foi uma das principais frases entoadas - em coro - pelos mais de três mil docentes presentes no protesto, que cobram satisfação de como e onde foram aplicados os R$ 109,4 milhões repassados pelo governo federal por meio do Fundeb ao executivo municipal.

Para barreto (PHS),a postura do prefeito Arthur Virgílio Neto em manter o diálogo aberto e em adotar medidas com impactos definitivos nos salários e conquistas dos professores é louvável. Ele também repudiou movimentos políticos em torno da questão.

"O prefeito Arthur Neto vem fazendo um grande esforço em manter a data-base, garantir as progressões e reenquadramento. Sou a favor da transparência com o dinheiro público e do diálogo constante. O Sindicato dos Professores tem sentado à mesa para negociar e não podemos fazer da educação brasileira uma politicagem. É preciso separar o joio do trigo", afirmou Wilker, colocando a Casa Legislativa à disposição dos professores para a manutenção do diálogo. "Eu defendo a manifestação justa, coerente. Mas nunca vi protestar primeiro e depois conversar", disse.

Já para a presidente da Comissão de Educação da Câmara Municipal de Manaus, a vereadora e professora Therezinha Ruiz (DEM), o repasse foi feito com responsabilidade e com garantias aos direitos dos professores. "Acho muito importante que ao final do ano qualquer resquício do Fundeb seja distribuído aos professores, mas precisa ter esta responsabilidade na hora do repasse, a fim de garantir que os direitos da classe estejam sempre em dias e, principalmente, o que diz respeito à aposentadoria e à carreira dentro do Plano de Cargos, Carreiras e Salários - PCCS", disse a vereadora. 

O vereador Professor Samuel (PHS) destacou a importância do diálogo aberto e sincero que a prefeitura vem mantendo com a categoria durante a gestão e a valorização dada a cada profissional. "Além das promoções, o prefeito também já garantiu aos educadores da prefeitura a data-base de 2018, que só não foi possível este ano por conta da crise econômica, vivenciada por todas as capitais. Mesmo assim, todos os servidores da prefeitura, inclusive os educadores, estão com seus salários em dia e, agora, com outros benefícios incorporados nos seus salários e na aposentadoria. Isso é gestão com responsabilidade", defendeu.

A professora Gleice Oliveira assegurou que todas as instâncias serão acionadas, como o Ministério Público (MP-AM) e o Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) para investigar o destino do Fundeb.

Professora há 11 anos, Maria do Socorro Araújo contou que não há estruturas nas escolas. "Não tem nem papel higiênico para as crianças. Temos que tirar do nosso próprio bolso. Os R$ 50 repassados pela prefeitura com relação à progressão não valoriza o professor", ressaltou.

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