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Serviços tem 3ª maior alta do ano

Por: Cíntia Valadares
25 Set 2017, 20h00

Crédito:Walter Mendes
O Amazonas foi o Estado que apresentou o maior desempenho no emprego no mês de agosto. De acordo com o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), foram criadas 1.357 vagas de emprego no último mês, um acréscimo de 0,34 % em relação a julho. O setor de serviços foi o principal responsável por esse resultado, com a abertura de 860 novas vagas. A segunda melhor performance foi da Indústria da Transformação, que gerou 475 postos.

O setor de serviços iniciou 2017 apresentando dados negativos nos meses de janeiro (-705 vagas), fevereiro (-178 vagas) e março (-237 vagas). Em abril iniciou uma lenta recuperação com 185 vagas, com resultado significativo apenas em maio (727 vagas). No mês de junho esse número caiu para 332 vagas, porém ainda era um mini-índice positivo para o setor. Em julho (526 vagas) o setor apresentou novamente crescimento e em agosto mostrou o melhor desempenho do ano com uma variação de 0,52%.

Divergências
Contudo, de acordo com Roberto Bulbol, presidente da ABIH/AM (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Amazonas), estes números não refletem a real situação do setor de serviços de hotelaria e turismo. Para o presidente, há dois anos o mercado mais demite do que contrata.

"Está todo mundo desesperado. Se formos analisar, nós mais demitimos do que contratamos, estamos tentando segurar os poucos profissionais que temos. A crise é um dos grandes motivos da queda nesse setor, contudo, não dá pra colocar a culpa apenas na crise", disse.

Para Bulbol, a cidade não tem estrutura para receber turistas e obras inacabadas e falta de segurança são alguns dos fatores que influenciam negativamente o crescimento da procura pelo serviço.

"Temos um Centro Histórico cheios de tapumes, a insegurança tem afastado os turistas de Manaus, além da instabilidade política do país que tem afetado diretamente todos os setores. Ainda há uma concorrência desleal com sites de aluguel de apartamentos de temporada, em que a pessoa aluga um apartamento mobiliado para até cinco pessoas pelo preço de uma diária individual, com isso, o setor não consegue apresentar crescimento", comentou.

Análise
Os dados do Caged não são específicos, e segundo o conselheiro regional do Corecon/AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas), Martinho Azevedo por serem gerais, existem duas situações que devem ser analisadas. "Nos últimos dois anos houve um volume muito grande de demissões, essa é uma variável muito importante para ser analisada, outro fator é que ao longo desses dois anos também surgiram novos negócios, novas atividades, e alguns projetos que começaram a funcionar aqui, empresas novas, com isso, o Caged vai sinalizar como novos empregos, porém, aquele volume maior de pessoas demitidas, ainda continua se ajustando", explicou.

Para o economista, num primeiro momento os números trazidos são bons, no entanto, são números bastante difusos, não são específicos, principalmente para os setores que ainda não retomaram o crescimento.

"O Caged diz que houve crescimento, e é certo que houve crescimento, o problema é que ele não diz quais as áreas dentro do setor que apresentaram esse aumento na contratação. E hoje se entende por queda no desemprego tanto os serviços formais quanto os informais", informou Azevedo.

De acordo com o conselheiro, o aumento do uso de aplicativos de mobilidade urbana, como a Uber, podem ser um dos fatores que contribuíram para o aumento de profissionais na área. "É possível que prestadores desse serviço tenha influenciado nesses números, até porque surgiram novas modalidades de trabalho. Os dados não estão errados, eles apenas não refletem a realidade de alguns setores que foram afetados nos últimos anos", disse.

Dados positivos no AM
Também tiveram resultados positivos a Agropecuária, que teve acréscimo de 58 empregos formais, o Comércio, com 23 novas vagas, os Serviços Industriais de Utilidade Pública, com 12 vagas a mais e a Administração Pública, que fechou o mês com saldo positivo em 6 postos. A Construção Civil foi a única que teve retração, com o fechamento de 77 postos.

O salário médio de admissão também cresceu no Amazonas. Passou de R$ 1.334,44 em julho para R$ 1.379,45 em agosto. O acréscimo, de R$ 45,01, representa uma variação de 3,37%.

Âmbito Nacional
O Brasil fechou o mês de agosto com um saldo positivo de 35.457 novos postos de trabalho, com crescimento de 0,09% em relação ao estoque do mês anterior. Esse foi o quinto mês consecutivo e o sexto do ano em que o Caged registrou um número maior de contratações do que demissões.

O saldo é o maior desde agosto de 2014, quando foram abertas 130.904 novas vagas. Depois, houve dois anos seguidos de redução, com saldos negativos em agosto de 2015 (-77.320 postos) e agosto de 2016 (-22.261 postos), na série ajustada.

"Os números do Caged em agosto confirmam o processo de retomada gradual, mas firme e consistente da nossa economia, como resultado das medidas adotadas pelo governo para o país voltar aos trilhos do crescimento", afirmou o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira.

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