Manaus, 19 de Setembro de 2018
Siga o JCAM:

Nova matriz econômica na prática

Por: Priscila Caldas pcaldas@jcam.com.br
12 Set 2017, 13h47

Crédito:Walter Mendes
Principais componentes da Matriz Econômica, o desenvolvimento agroindustrial e o fomento da cadeia produtiva regional, fazem parte do novo plano de trabalho da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus). Até o final deste mês a autarquia planeja iniciar a visita aos municípios amazonenses, a partir de Autazes (distante 107 quilômetros), para orientar os empresários sobre os benefícios de obter o cadastro e receber incentivos fiscais. A cidade de Rio Preto da Eva, que integra o Distrito Agropecuário, também deverá receber incentivo com foco no impulso ao manejo da piscicultura e do cultivo de frutas cítricas como laranja e abacaxi. O programa ZFV (Zona Franca Verde) também compõe o plano de metas da superintendência a partir de ações de estímulo à produtividade nas ALCs (Áreas de Livre Comércio) com base no aproveitamento de matéria-prima regional.

De acordo com o superintendente da Suframa, Appio Tolentino, a primeira etapa dos trabalhos, que consiste no projeto 'Suframa nos municípios', acontecerá na cidade de Autazes. Ele explica que a proposta de sua gestão é trabalhar em prol do desenvolvimento da cadeia produtiva regional e para isso, é necessário informar ao empresário e produtor atuante no interior do Estado sobre os benefícios garantidos ao investidor cadastrado pela autarquia. Tolentino também ressaltou que as ações de fomento acontecerão em paralelo à continuidade dos trabalhos voltados ao PIM (Polo Industrial de Manaus).
"Nenhum trabalho inicia de forma grandiosa. Então, estamos dando início e acredito que em 10 anos o Estado estará economicamente independente do PIM. O crescimento é gradativo, mas em uma década teremos resultados. É um programa que tem boas chances de ter continuidade", afirmou o superintendente.

Toletino explicou que por meio do 'Suframa nos municípios' os empresários terão acesso a benefícios fiscais como a redução do IPI (Imposto sobre Produto Industrializado) e menor custo na taxa da importação no ato da aquisição de equipamentos para uso industrial. "Os empresários não usufruem dos benefícios porque desconhecem a existência dos incentivos. Agora, a autarquia estará com técnicos e mais as equipes da prefeitura para apresentar os benefícios e efetuar os cadastros".

Outra frente de trabalho da Suframa é o Plano Diretor para o Distrito Agroindustrial que será implantado a partir de Rio Preto da Eva (distante 78 quilômetros), que além de Manaus, também faz parte do Distrito Agropecuário da Suframa. A ideia, é fomentar a cadeia produtiva da piscicultura e também das frutas cítricas, com foco na produção de laranja e abacaxi. Toletino afirma que o município concentra o dobro da produção de laranja registrada pelo Estado da Bahia, que é considerado o segundo maior Estado fornecedor de laranja do país, perdendo apenas para São Paulo.

"Temos alta produtividade de cítricos e é uma das áreas que apresentam maior potencialidade de desenvolvimento. Quanto à piscicultura, precisamos melhorar a questão da ração e para isso é necessário planejamento. Podemos comprar o milho mais barato de Rondônia, por exemplo, até começarmos a ter demanda e incentivar a produção local. São ações que acontecem lentamente, mas que precisam acontecer. A matéria-prima pode até vir de fora da cidade, mas a indústria beneficiadora precisa estar instalada na cidade", explicou.

Pequenos e médios produtores que trabalham em áreas ainda não legalizadas, dentro de Rio Preto da Eva, também terão a oportunidade de, por meio da Suframa, legalizar o território e ter avanço nos investimentos. Conforme o superintendente, os produtores atuantes no município, após legalizados, também têm direito aos incentivos fiscais com as mesmas vantagens em relação aos empresários instalados na ZFM como por exemplo: redução de IPI; no caso de vendas para Manaus, a concessão de isenção de crédito estímulo de 100%; dentre outras. A Suframa é detentora de 63% do total da área territorial existente no município.

"A dificuldade para implantação desse projeto está relacionada à vocação, mas precisamos ultrapassar isso. Haverá treinamento com o apoio dos órgãos do Estado. Também estamos entrando em contato com os órgãos federais, com a Embrapa, estreitando a parceria para fazer um grande pacote para ofertar benefícios fiscais e extrafiscais aos empresários", comentou.

Quanto ao programa ZFV e as ALCs, Tolentino analisa que cidade como Guajará-Mirim, em Rondônia, apresenta potencialidade para implantação de polo industrial com base na ZFV. Da mesma forma, ele cita o minério, existente no Amapá, que também é área de Livre Comércio. Ele ressalta a importância de fomentar a produção com base na matéria-prima regional. "O ideal é buscarmos empresários que queiram aproveitar a matéria-prima e agregar valor".

Comentários (1)

  • mimico Netto12/09/2017

    Grande iniciativa, desejamos que não fique só na boa intensão, mas partir para implementação desses projetos. Não esquecendo que em toda vazante, centenas de quilômetros de praias com terras férteis, propícias ao plantio mecanizado de frutas, verduras,legumes e afins, estão a disposição para quem quer progredir. Nossos ribeirinhos são hábeis produtores aos quais esses Projetos devem cair como uma luva.

Deixe seu Comentário