Manaus, 20 de Setembro de 2018
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Tradição e charme mantidos no Centro

Por: Antonio Parente aparente@jcam.com.br
08 Set 2017, 20h14

Crédito:Walter Mendes
As ruas de Manaus são um vasto espaço de histórias e curiosidades a serem contadas. Em cada ponto dos seus prédios históricos existe um empreendimento que acompanha o desenvolvimento da capital ao longo dos anos e são considerados Patrimônio Cultural Imaterial do Estado.

Assim são alguns tradicionais bares e restaurantes do centro, que com o passar dos anos sobreviveram ao crescimento urbano e continuam a oferecer seus diversos serviços e pratos que agradam os diferentes paladares de visitantes de todo o Brasil e da cidade.

Com 28 anos de histórias, o tradicional Restaurante Calçada Alta começou suas atividades em junho de 1989, quando seu Antonio Silva, precursor da ideia, viu no desemprego de sua família a oportunidade de gerar renda e criar o próprio negócio. Com a morte do patriarca, sua esposa Dona Keler - como era conhecida- assumiu a responsabilidade de administrar o restaurante e levar adiante o investimento e a tradição do negócio.

Segundo o filho e atual dono do local, Marcos Calçada, como ele é carinhosamente conhecido pelos clientes, o empreendimento só tem crescido ao longo dos anos graças ao empenho e união da família em trabalhar juntos.

"A principal razão desse restaurante existir foi a visão de empreendedorismo que meu pai teve em meio as dificuldades financeiras que vivíamos. A princípio a criação surgiu da necessidade de se ter uma fonte de renda para toda a família que naquele período estavam todos desempregados. Unimos todas as forças para trabalhar juntos, e como a minha mãe já cozinhava abrimos de início uma pequena lanchonete com o nome de Doce Sabor. Mas esse nome nunca pegou, nossos clientes sempre referiam-se ao lugar como 'lanche da calçada alta'. Até então eu tinha uma leve participação nos negócios e após o falecimento dele em 2015 eu passei a assumir em tempo integral as responsabilidades da administração. Continuamos a manter a tradição com os delicioso bolinhos de bacalhau e o Filé a moda da casa, que nada mais é do que um filé mignon acebolado com manteiga, arroz, farofa e batata chipes. Investimos também e melhoramos no ambiente e no local oferecendo conforto para todos os nossos clientes", disse Marcos Calçada.

Segundo Marcos, durante a semana, o restaurante chega a receber cerca de 1.500 a 2 mil pessoas de diferentes pontos da cidade, e afirma que apesar das dificuldades econômicas que o país enfrenta, o negócio anda em um ritmo muito bom de crescimento e expansão.

"A maioria de nossos clientes são pessoas que trabalham há muito anos no centro da cidade e também pessoas de fora do Brasil e de outros pontos da cidade. Essa crise econômica do país não é um momento de lamentarmos e sim de regaçar as mangas e criar alternativas para gerar renda e recursos. Com isso expandimos nossos serviços para outros pontos da cidade. Atualmente temos um restaurante no Parque 10 Mall e futuramente estamos com um projeto de abrir outro no Vieiralves", explicou.

Mas nem toda tradição consegue sobreviver ao crescimento urbano e as dificuldades inseridas no contexto do dia a dia. Aberto há 66 anos na capital amazonense, o Bar Jangadeiro conhecido pelo famoso sanduíche de pernil, tem sofrido com a reforma e o abandono da prefeitura nos arredores da Rua Marquês de Santa Cruz, no centro.

Há 12 em frente a administração do bar, Rafael Vila Cova conta a história e as dificuldades que o bar tem enfrentado nos últimos 3 anos e destaca o empenho da família de manter em todas as gerações a sobrevivência do bar.

"O bar foi criado em 1948 sob o comando de Álvaro Neves e Alfredo Vila Cova meu tio-avô que era sócio. Na época o bar era uma opção de entretenimento e lazer a vários manauaras do Centro e com o falecimento deles meu pai João Fernando Vila Cova assumiu a administração em 1998 até 2015 quando faleceu. A partir daí minha mãe Maria de Fátima passou a administrar o bar e em julho deste ano ela faleceu. Há 3 anos a prefeitura de Manaus começou uma obra e não terminou. Nem consultou os lojistas e os donos de estabelecimentos da área. E isso tem prejudicado muito o movimento do bar, principalmente agora que eles fecharam a rua. Tenho clientes diário, da semana e mensal e todo tipo de opção. Clientes antigos e a nova geração de estudantes. Mas infelizmente muitos clientes não tem vindo e isso nos tem prejudicado muito. Temos passado de geração pra geração este bar, mas não sei se vamos continuar, tenho duas filhas uma de 8 e a outra de 11 anos e isso ainda é um mistério", disse.
Além do tradicional sanduíche de pernil o bar conta com outras receitas como o escondidinho feito com purê de macaxeira e pirarucu desfiado e na época do carnaval tem uma banda que há 14 anos faz a alegria dos clientes com marchinhas.

Outro tradicional lugar na cidade é o Bar do Caldeira, na Rua José Clemente, que em 53 anos de sua história já recebeu diversas personalidades tais como Vinícius de Moraes, Jair Rodrigues, Orlando Silva o cantor das multidões e vários grupos de intelectuais de todo o Brasil. Em 2015 recebeu uma placa como memorial que registrou seu tombamento como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado. Segundo o empresário Carbajal, o nome do bar é devido a explosão que ocorreu no Hospital Santa Casa de Misericórdia em 1970.

Frequentador do bar há 35 anos, o livreiro, Celestino de Oliveira Neto, já fez do ambiente um lugar de descontração e não abre mão de ter o seu Happy Hour após o fim de mais um dia de trabalho.
"Um dos principais atrativos do lugar é a boa música como um bom samba e a companhia as pessoas das antigas e principalmente o fato de você fugir um pouco dos grandes centros dos bairros. É um ambiente bom com preços atrativos e um lugar descontraído", disse.

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