Manaus, 14 de Novembro de 2018
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De volta para o futuro

Por: Priscila Caldas pcaldas@jcam.com.br
08 Set 2017, 20h09

Crédito:Walter Mendes
Retirada de mais de 1,4 mil camelôs de ruas e praças, revitalização da Avenida Eduardo Ribeiro e andamento das obras das praças XV de Novembro (Matriz) e Tenreiro Aranha. Essas são as primeiras obras do projeto de restauração do centro da capital, implementadas pela Prefeitura de Manaus por meio do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) Cidades Históricas, projeto do Governo Federal. O projeto propõe a requalificação do centro antigo de Manaus, porém, as obras, ao sofrerem atrasos, geram o menor movimento no comércio e consequentemente, redução nas vendas.

O presidente da Fecomércio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Amazonas), José Roberto Tadros, considera as obras de revitalização do centro histórico como válidas e inadiáveis. Para ele, a história da cidade deve ser mantida e repassada ao cidadão que visita o centro comercial por meio da arquitetura. Ele ressalta que a história do período áureo da borracha pode ser encontrada, por meio de acervos, somente em três cidades do país e uma delas é Manaus, daí a importância de manter a história 'viva' por meio dos prédios, ruas e praças.

Apesar de concordar com a implementação do projeto de restauração, o empresário ressalta que o atraso no andamento dos trabalhos e a interdição em espaços públicos como as praças, atrapalha a circulação de pessoas que se deslocam ao centro para fazer compras. Consequentemente, as lojas que estão em áreas próximas às áreas interditadas contabilizam redução expressiva no movimento e nas vendas.

"O centro histórico é extremamente importante porque mantém viva a história do período áureo da borracha e esses acervos só podem ser encontrados em Manaus, em Itacoatiara e em Belém, no Pará. Porém, encontramos dificuldades quando um local público fica interditado por anos porque o movimento é prejudicado, assim como as vendas. Os espaços só deveriam ser fechados para as obras quando o recurso estivesse disponível para dar início aos trabalhos. Assim, a conclusão poderia acontecer me menor tempo e não prejudicar as demais áreas, como a comercial", expressou o empresário.

Para o presidente da assembleia geral da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ismael Bicharra, o ritmo das obras é lento e acarreta prejuízos ao comércio localizado na área central de Manaus. Ele explica que as interdições em prédios e em alguns casos, ruas, afastam o cidadão que deixa de ir ao centro para fazer compras em outro local que esteja livre de pontos de interdição.

"Já tivemos reuniões com a Prefeitura em 2016 onde recebemos a promessa que em pouco tempo as praças seriam revigoradas, mas isso não aconteceu e o centro está cada vez mais abandonado. Praças e calçadas foram interditadas e os camelôs se aproximaram das lojas. Somado a tudo isso, temos a insegurança. As pessoas estão deixando de ir ao centro", reclamou. "No centro de Manaus há maior diversidade de lojas e de produtos, preços mais acessíveis em relação aos shoppings. A fidelidade às compras nas lojas do centro sempre existiu, mas com esses problemas relacionados às obras, as pessoas se direcionam a outros locais", completou.

Conforme a Semcom (Secretaria Municipal de Comunicação), a inauguração da Praça XV de Novembro (Matriz) está prevista para acontecer no dia 15 de novembro deste ano. A obra teve investimentos de R$5,6 milhões. O espaço terá mudanças nas áreas de acessibilidade, paisagismo, iluminação, mobiliário urbano e restauração do Relógio Municipal. Além da Praça da Matriz, também estão em obras as praças Tenreiro Aranha (sem previsão de entrega) e Adalberto Vale (está com um trecho interditada).
A assessoria também informou que por meio do PAC Cidades Históricas, a Prefeitura também prevê a revitalização dos seguintes espaços: Praça Adalberto Vale, Praça Tenreiro Aranha, Praça Dom Pedro II, entorno do Mercado Municipal Adolpho Lisboa, Pavilhão Universal, Biblioteca Municipal, prédio da antiga Câmara Municipal, antigo Hotel Cassina e antigo edifício do Corpo de Bombeiros. 

De acordo com a Semcom, houve atraso no repasse do orçamento por parte do Governo Federal, o que justifica o atraso no início e também na entrega das obras. Mesmo assim, a assessoria afirma que a Prefeitura avançou quando retirou mais de 1,4 mil camelôs das ruas e praças do centro, promoveu a revitalização da Avenida Eduardo Ribeiro e está em conclusão das obras das Praças XV de Novembro e Tenreiro Aranha.

Organização dos camelôs no 'Viva Centro Galerias Populares'
Outro projeto que também trabalha a revitalização do centro de Manaus é o 'Viva Centro Galerias Populares', onde os vendedores que estavam localizados nas ruas e praças do centro foram organizados nas Galerias Espírito Santo e Remédios. O projeto, conforme a Semcom, trabalha com 2.082 camelôs cadastrados junto à Prefeitura, identificados por meio de dois censos realizados em 2009 e 2013.
Para manter um bom fluxo de pessoas e contribuir para o incremento das vendas, a Prefeitura de Manaus trabalha ações semanais nas duas galerias. As ações envolvem: atendimento em saúde, exames básicos, feira de doação de animais, bazar, feira de artesanato, realização de sorteios em datas especiais, entre outros. Independente das ações de marketing que são realizadas, algumas melhorias nos espaços também estão sendo implementadas, a fim de instalar lojas âncoras em pontos estratégicos das duas galerias com o objetivo de aumentar a circulação de pessoas nesses espaços.

Comentários (1)

  • Ellza Souza11/09/2017

    Precisa fazer isso pelo bem coletivo. Camelô parece que dá cria. Ou aceita o remanejamento ou vai estudar para mudar de profissão. Os acervos com a história da cidade estão precisando de cuidados ou vão direto pro lixo.

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