Manaus, 18 de Setembro de 2018
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Imóveis de padrão econômico movimentam o mercado imobiliário

Por: Jefter Guerra jguerra@jcam.com.br
29 Ago 2017, 19h31

Crédito:Divulgação
Mais da metade dos imóveis vendidos em Manaus em julho deste ano são da categoria econômica, com 107 unidades comercializadas. De acordo com os dados da Pesquisa do Mercado Imobiliário Julho/2017, durante todo o mês de julho, 206 unidades foram vendidos, totalizando o VGV (Valor Geral de Vendas) de R$ 83,5 milhões.

Os dados são encomendados mensalmente pela Ademi-AM (Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Amazonas) e pelo Sinduscon-AM (Sindicado da Indústria da Construção Civil do Amazonas) e são consolidado pela empresa Brain Pesquisa e Consultoria.

Em relação às tipologias, a que obteve maior venda no mês de julho nos empreendimentos foi a de dois dormitórios com 118 unidades vendidas, ou seja, 59% das vendas totais.

De acordo com o levantamento, 92 dos imóveis vendidos têm até 50 metros quadrados e 51 até 75 metros quadrados. "Este dado comprova que o poder de compra não está concentrado nas mãos de uma única classe econômica. Pessoas que nunca tiveram um imóvel próprio estão conseguindo fazer negociações e tendo mais flexibilidade de pagamento, o que aumenta as chances de aquisição do imóvel", afirmou o presidente da Ademi-AM e empresário, Romero Reis.

Ainda segundo ele, outros fatores econômicos externos estão contribuindo para a movimentação do mercado da construção civil em Manaus. "A poupança com saldo positivo e taxa Selic de um dígito e com expectativa de redução contribuem para o otimismo do consumidor, que passa a cogitar novamente investir no mercado imobiliário", afirmou o empresário.

Também foi contabilizada na pesquisa a venda de 58 imóveis com padrão médio e o preço médio do metro quadrado das unidades mais vendidas ficou entre R$ 3 mil a R$ 4 mil, com 68 unidades comercializadas, seguidas pelas unidades com o preço do metro quadrado entre R$ 4 mil e R$ 6 mil, com 61 unidades vendidas. De R$ 5 mil a R$ 7 mil, foram vendidas 44 unidades.

Ainda em relação ao preço por metro quadrado, as unidades comerciais que têm o preço médio de R$ 12 mil a R$ 14 mil foram as mais vendidas, com três unidades comercializadas. Seguidas das unidades com preço entre R$ 9 a R$ 10 mil, que contabilizaram duas unidades.

O presidente do Sinduscon-AM, Frank Souza, afirma que, assim como o Censo Imobiliário divulgado em julho, a Pesquisa revela que o mercado imobiliário local precisa realizar lançamento de novos empreendimentos no Amazonas. "Não tivemos lançamento de imóveis em julho de 2017, sendo que Manaus tem uma necessidade de novos lançamentos. Se compararmos só a capital com o restante do país, temos um número de estoque muito reduzido em relação à necessidade do mercado. Isso nos leva a dizer que precisamos fazer novos lançamentos para que não haja falta de produto no mercado local", destaca ele.

Gerente de Vendas
Já para o gerente de Vendas e Corretor de Imóveis Anderson Vital, o que está acontecendo hoje no mercado imobiliário local é que há uma demanda muito grande de imóveis em estoque, porém, pela flexibilidade das incorporadoras em relação ao parcelamento da entrada e a margem de financiamento que os bancos estão oferecendo para os clientes, possibilita uma grande venda de imóveis da categoria econômica pelo programa Minha Casa Minha Vida.

"Exatamente é o que está acontecendo no mercado imobiliário, as incorporadoras começaram com os lançamentos, não só o perfil Minha Casa Minha Vida, mas como também para oferecerem uma demanda maior de imóveis para o cliente. Ou seja, imóvel pronto, na planta e em obra. E de junho pra julho, estávamos tendo uma saída muito grande desse produto econômico. Isso porque, a flexibilidade está maior para parcelar o valor da entrada, que chega até 30 vezes mensais. Tornando assim, mais fácil para o cliente pagar, sem precisar que ele adquira dívidas mais altas depois", reforça o gerente.

Vital acredita que todas as incorporadoras vão ter seu lançamento exatamente do perfil Minha Casa Minha Vida. "Só que estamos esperando uma data concreta, o que pode ser em 2018", espera ele.

Mais lançamentos
Outro especialista em venda de imóveis que concorda com a pesquisa, é o corretor Anderson Uchoa. Para ele, é preciso que seja gerado pelas incoporadoras mais lançamentos de empreendimentos para determinados perfis na cidade de Manaus. "Por exemplo, é muito difícil o cliente encontrar um empreendimento de três quartos com o perfil Minha Casa Minha Vida. Então, espero que eles , as imobiliárias, lancem esses tipos de empreendimentos ainda este ano", disse ele, ao ressaltar que a crise que assolou o país levou muitas famílias a não investirem em financiamento imobiliário, deixando-as desconfiadas em apostar na compra da casa própria. Segundo Uchoa, outro fator que impede os financiamentos de serem realizados o mais rápido, é que a maioria deles são feitos a longo prazo. "E muitos deles chega a durar 30 anos, tanto de empreendimentos de até 50 metros quadrados quanto os de médio porte. E por conta disso, diante dessa vertente de financiamento, as pessoas estão mais retraídas. Elas até querem financiar, mas diante do desemprego, outro problema gerado pela crise, que levou seus nomes para os órgão de restrições, como SPC e Serasa, impediu que elas realizassem o finaciamento da casa própria. Uma vez que, somente dependendo do grau de débito que essa pessoas tenham, talvez elas consigam uma aprovação junto ao banco. E mesmo assim, o mercado imobiliário não deixou de vender. Só que não é mais de forma abrangente, tornando as compras e vendas tímidas. Então, pra mim como corretor, o momento ainda não está fácil, mas o setor está se levantando aos poucos", avaliou ele.

Minha Casa Minha Vida
O PMCMV (Programa Minha Casa, Minha Vida) foi lançado em março de 2009 pelo governo federal. O PMCMV subsidia a aquisição da casa ou apartamento próprio para famílias com renda até R$ 1,6 mil e facilita as condições de acesso ao imóvel para famílias com renda até R$ 5 mil.

]O programa tem cinco modalidades para a Faixa 1 de renda (famílias com renda de até R$1,6 mil): Empresas, entidades, FGTS, municípios com até 50 mil habitantes e rural. Cada modalidade atende um público específico. Os recursos do MCMV são do orçamento do Ministério das Cidades repassados para a Caixa Econômica Federal.

No ano de 2017 o programa Minha Casa Minha Vida, no governo Temer, sofreu algumas mudanças importantes. Inicialmente o programa teve a adesão da faixa 1,5 entre meio a faixa 1 e 2. O Programa também teve mudanças na renda máxima das faixas 1,5 e 2 aumentando para até R$2.600 na Faixa 1,5 e até R$4.000 na faixa.

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