Manaus, 19 de Setembro de 2018
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VLT seria solução para congestionamentos

Por: Priscila Caldas pcaldas@jcam.com.br
28 Ago 2017, 13h54

Crédito:Walter Mendes
A falta de projetos voltados ao descongestionamento da malha viária de Manaus tem resultado em perdas em todos os âmbitos na cidade, afetando a economia no Estado. Para mitigar esses problemas, estudos indicam o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) como o modal mais indicado para atender à demanda populacional da capital com possibilidade de atendimento a parte dos trabalhadores do segmento fabril da cidade.

De acordo com o doutor em engenharia de transportes Geraldo Alves de Souza, os problemas relacionados à mobilidade urbana enfrentados em Manaus são decorrentes da falta de investimento em infraestrutura, principalmente em relação ao sistema de transporte coletivo. Souza explica que o VLT atenderia à crescente demanda populacional, gerando em paralelo o melhoramento no sistema de transporte coletivo. A mudança também possibilitaria a redução da frota de veículos em circulação devido à redução no tempo do trajeto. Porém, ele lembra que são necessários altos investimentos por parte do poder público.

A menor fluidez no trânsito além de prejudicar a população em geral, acarreta perdas econômicas e até mesmo danos ao meio ambiente, disse o engenheiro. "Perdemos em consumo de combustível, seguido da emissão de gases que consequentemente contribuirá para o efeito estufa. Com a maior fluidez gerada pelo VLT, as pessoas poderiam gastar menos", disse.

No caso do segmento industrial, ele analisa a necessidade de destinar melhor atenção ao setor responsável pela economia do Estado. Na opinião do doutor, o trânsito de carretas deveria seguir por uma avenida exclusiva, porém, ele afirma que a cidade não tem estrutura para isso. "A deficiência na mobilidade urbana põe em risco a competitividade industrial das fabricantes locais. É preciso investir para garantir exclusividade ao tráfego das carretas, que transportam o 'ouro' da economia amazonense", disse.

Quase imóveis
Um estudo desenvolvido pelo doutor apontou que em horário de pico o transporte fretado para o Distrito Industrial chega a trafegar com velocidade entre cinco e seis quilômetros por hora, que segundo Souza, é a mesma velocidade utilizada por um ser humano durante uma caminhada. "Os veículos utilizados para transportar os trabalhadores das fábricas utilizam as mesmas faixas que os veículos e o transporte coletivo. É um trânsito misto que enfrenta congestionamento diário. É preciso dar mais atenção a esses trabalhadores", afirma.

Segundo o engenheiro, essa atenção deveria ser dada também às carretas que transportam o 'ouro' da nossa economia. "Seria necessário investimentos feitos por governos anteriores para a exclusividade desse tráfego na cidade. Mas, agora qual avenida poderia ser destinada para esse transporte? Não há estrutura para isso", disse.

Enquanto o problema prossegue, a cidade, segundo Souza, perde sua competitividade industrial para outros polos como o México, Malásia e outros. "Se não fizermos os investimentos necessários podemos comprometer as condições de continuidade da 'galinha dos ovos de ouro' do Amazonas. Essa fatura pode vir a longo prazo e a um preço caro porque entra e sai governo mas o problema não é resolvido", completou.

Souza defende a implantação do VLT, sistema que segundo ele, poderia atender à parte dos colaboradores do PIM. Ele explica que nos horários de menor demanda do transporte de massa o VLT teria condições de atender às empresas nos horários de trocas de turnos à tarde e pela madrugada. O sistema público atenderia tanto à demanda da cidade quanto ao quantitativo das indústrias. "O VLT poderia atender às fabricantes no período de ociosidade. É preciso ter visão e fazer escolhas estratégicas a partir de planejamento e com olhar a longo prazo. Hoje, vemos as ruas cheias de automóveis e o transporte fretado misturado, destacou.

Segundo o engenheiro, o BRT (Bus Rapid Transit)-Transporte Rápido por Ônibus -apesar de ser uma alternativa menos onerosa ao poder público, não atenderia totalmente à demanda da cidade. Ele explica que um corredor da via seria destinada à demanda do dia a dia enquanto as demais seriam distribuídas nas outras faixas.

"Se pensarmos na avenida Autaz Mirim que tem três faixas de rolamento e uma delas for destinada ao BRT que são os ônibus, as outras duas faixas atenderão ao transporte fretado, às carretas e todo o sistema de cargas, às motocicletas, aos micro-ônibus e aos automóveis. Vai gerar congestionamento de qualquer forma e como resultado: teremos o PIM sacrificado novamente.
É uma falta de estratégia absurda. As autoridades não estão trabalhando estrategicamente", ressalta.

Projetos
Por meio de nota, a Prefeitura de Manaus informou que trabalha na elaboração de projetos que contemplarão uma nova tecnologia de transporte que deverá ser anunciada posteriormente. Na avaliação da prefeitura, a implantação da Faixa Azul é positiva e segundo dados constantes no quadro de informações operacionais, houve redução de 33 minutos no tempo das viagens nas linhas que trafegam pela Faixa Azul da avenida Constantino Nery. O município afirma que ao andar livremente na via há melhora na regularidade e melhor frequência das linhas. Ocorre também a otimização da frota, visto que o coletivo consegue fazer mais viagens ao longo do dia, o que reduz custos operacionais.

Ainda de acordo com a prefeitura, para avançar na mobilidade urbana é necessário fazer grandes investimentos como por exemplo, o BRT que custa de US$ 7 a US$15 milhões. A prefeitura afirma que deu um grande passo a partir da elaboração do PlanMob (Plano de Mobilidade Urbana), um instrumento para o planejamento de ações públicas no campo da mobilidade urbana, que visa atender às necessidades da população e do desenvolvimento urbano sob a ótica da situação atual e dos desafios presentes e daqueles previstos para o futuro da cidade. Paralelo à elaboração de projetos o município cita a busca por recursos para tornar possível a execução.

A Seinfra (Secretaria de Estado de Infraestrutura) informou que o projeto do monotrilho apresentado há alguns anos como alternativa à mobilidade urbana de Manaus foi extinto durante o governo de Omar Aziz. A secretaria não informou sobre a elaboração de novos projetos.

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