Manaus, 17 de Novembro de 2018
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Trabalhadores da construção civil protestaram esta manhã

Por: Jefter Guerra e Asssessoria
22 Ago 2017, 14h54

Crédito:Divulgação/Assessoria Manaustrans
Mais de 500 trabalhadores da construção civil, segundo a Polícia Militar de Manaus, realizaram, na manhã de hoje, 22, uma manifestação em três pontos da cidade, para reivindicar 10% de reajuste salarial e benefícios sociais.

Após a sanção da reforma trabalhista a categoria teme a perda de benefícios garantidos por meio de convenção coletiva.

Porém, o Sintracomec (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil, Montagem, Manutenção Industrial, Construção e Montagem de Gasodutos e Oleodutos, e Engenharia de Manaus) estimaram a participação de pelo menos 700 trabalhadores na manifestação.

Durante o evento, o Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), informou que todos os direitos convencionados estão garantidos até o encerramento das negociações. E que se reunirá com os trabalhadores, nesta quinta-feira (24), com intuito de discutir a pauta de solicitações.

Mas para o presidente do Sintracomec, Cícero Custódio, se nenhum acordo for firmado entre as partes, na próxima segunda-feira a classe suspender totalmente suas atividades. "Este movimento acontece após três meses de campanha salarial. O setor tem data-base estabelecida para o dia 1º de julho, mas até o momento não houve acordo entre os trabalhadores e os empresários do setor", explica ele.

Cerca de 8 empresas da construção civil na capital interromperam parcialmente suas atividades na manhã de hoje.

Durante a manifestação, os trabalhadores estiveram concentrados nos bairros do distrito industrial, na zona leste; Ponta Negra, zona oeste; na Cidade Nova, zona norte; e nas proximidades do Hospital 28 de Agosto, na avenida Mário Ipiranga (antiga Recife), Adrianópolis, zona sul. O movimento teve início às 5h30 e comprometeu o trânsito até as 9h.

"Queremos o reajuste de 10% e a manutenção dos benefícios trabalhistas garantidos por convenção coletiva. Temos direito a uma hora de almoço, pagamento de horas extras em 100% sobre o valor do salário, em caso de trabalho aos domingos e feriados, além de outros benefícios que não podemos perder, tendo em vista que já estão convencionados. É preciso haver negociação e estamos abertos ao diálogo. Entendemos que o país enfrenta um momento econômico difícil, mas isso não pode gerar a perda dos direitos dos trabalhadores", disse o presidente. "Eles ameaçam a retirada de cesta básica, vale transporte, além do congelamento do plano de seguro de vida dos trabalhadores", completou.

Sinduscon-AM
O Sintracomec entrou com o pedido de dissídio coletivo junto à Justiça do Trabalho com o intuito de preservar a data-base da categoria, ao mesmo tempo em que permaneceu com as negociações junto ao sindicato patronal.

Segundo o presidente do Sinduscon-AM, Frank Souza, todos os benefícios ou direitos trabalhistas garantidos por meio de convenção coletiva serão mantidos. Ele também descarta a possibilidade de perdas de direitos por parte dos empregados. Porém, o empresário explica que a convenção coletiva passará por uma adequação para se enquadrar à nova legislação trabalhista que deverá ser sancionada no dia 11 de novembro deste ano.

"Até que as negociações sejam encerradas nenhuma cláusula convencionada será desconsiderada. Pode ser que as negociações cheguem até o dia 11 de novembro que é quando a reforma começará a vigorar. Se conseguirmos inserir os termos da reforma trabalhista na convenção coletiva podemos encerrar essas discussões antes. Mas, não existirão perdas", assegura.

Quanto ao reajuste, Souza disse que o sindicato atende ao disposto por meio da convenção coletiva que é o percentual de 2,5%. O presidente também explicou que o que está em discussão está relacionado ao perfil de negociação de pequenas, médias e grandes empresas. "O que está em discussão é que menores empresas que trabalham com prazo determinado não tenham o mesmo perfil de negociações em relação às grandes empresas", disse. "A convenção coletiva apresentará o que pode ser flexibilizado, as novas compensações de acordo com o que a reforma permite", completou.

Manaustrans
Desde as primeiras horas de hoje, o Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans) esteve monitorando o indicativo da manifestação dos trabalhadores da construção civil.

Por volta das 8h, os trabalhadores ocuparam, temporariamente, a avenida Mário Ipiranga, na altura do Frango Xadrez, na zona Centro-Sul da capital. Os manifestantes interditavam o fluxo por, aproximadamente, três minutos e, em seguida, liberavam o tráfego. Perto das 9h, a manifestação foi encerrada.

Durante todo o protesto, os agentes do Manaustrans sinalizaram a área e monitoraram o trânsito. Quando o movimento grevista fechava a avenida, outra equipe de agentes, posicionada no viaduto Miguel Arraes, desviava o fluxo para a rua Maceió, no sentido Centro. Quando os trabalhadores desocupam a via, os agentes liberam o acesso para a avenida Mário Ipiranga. A Faixa Azul foi liberada na avenida enquanto durou o protesto.

O Manaustrans manterá suas equipes em alerta durante todo o dia para atuarem em possíveis novas interdições no trânsito pelos trabalhadores.

Nota
O Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas (SINDUSCON-AM) lamenta os transtornos causados à população de Manaus na manhã desta terça-feira (22), quando o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil (Sintracomec) motivou um grupo de trabalhadores do setor a paralisar as atividades e a interditar a Avenida Mário Ypiranga, na Zona Centro-Sul da capital.

De acordo com o presidente do SINDUSCON-AM, Frank Souza, embora as empresas do setor ainda sintam os reflexos da crise, a entidade concedeu e repassou aos trabalhadores a reposição integral de 2,55% das perdas inflacionárias referentes ao período de julho de 2016 a junho de 2017. "A revisão de cláusulas negociadas ainda está em discussão. Portanto, o que está valendo é o que foi decidido na última convenção coletiva. Nenhum benefício ou direito foi retirado dos trabalhadores", explica.

Souza afirma, ainda, que o SINDUSCON-AM tem dialogado com os representantes dos trabalhadores. "Não há nenhuma resistência de nossa parte. Nós nos reunimos com frequência com o Sindicato dos Trabalhadores, inclusive, teremos uma reunião na próxima quinta-feira, dia 24", afirma.

Nas reuniões que têm ocorrido entre as duas entidades, o Sintracomec insiste em reivindicar a inclusão de auxílio funeral - um benefício que já está incluído no seguro de vida da categoria. "Esse tipo de reivindicação só prejudica os próprios trabalhadores, que terão mais um item que vai incidir em mais desconto nos seus salários", alerta Souza.
O SINDUSCON-AM enfatiza que as propostas referentes ao dissídio dos trabalhadores da Construção Civil do Amazonas estão sob análise do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT11). "Neste momento, qualquer manifestação paredista é irregular e acaba prejudicando os próprios trabalhadores", finaliza o presidente do Sindicato patronal.

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