Manaus, 23 de Setembro de 2018
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Revolta nos canteiros de obras

Por: Priscila Caldas pcaldas@jcam.com.br
21 Ago 2017, 19h53

Crédito:Walter Mendes
Trabalhadores da construção civil anunciaram manifestação em três pontos da cidade, na manhã de hoje, para reivindicar 10% de reajuste salarial e benefícios sociais. Após a sanção da reforma trabalhista a categoria teme a perda de benefícios garantidos por meio de convenção coletiva. O Sintracomec (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil, Montagem, Manutenção Industrial, Construção e Montagem de Gasodutos e Oleodutos, e Engenharia de Manaus) estima a participação de pelo menos 12 mil trabalhadores. Segundo o Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), todos os direitos convencionados estão garantidos até o encerramento das negociações. A entidade patronal também confirmou uma reunião com os trabalhadores para quinta-feira (24) para discutir a pauta de solicitações.

De acordo com o presidente do Sintracomec, Cícero Custódio, o movimento acontece após três meses de campanha salarial. O setor tem data-base estabelecida para o dia 1º de julho, mas até o momento não houve acordo entre os trabalhadores e os empresários do setor. Cerca de 12 mil trabalhadores devem interromper as atividades de pelo menos 15 empresas da construção civil na capital. Ele alerta que caso não haja posicionamento por parte do sindicato patronal, eles farão uma paralisação geral envolvendo todas as empresas da cidade e concentrando cerca de 25 mil trabalhadores nas ruas de Manaus.

Os trabalhadores estarão concentrados nos bairros do distrito industrial, na zona leste; na Cidade Nova, zona norte; e nas proximidades do Hospital 28 de Agosto, na avenida Mário Ipiranga (antiga Recife), Adrianópolis, zona sul. O movimento terá início às 6h e deverá comprometer o trânsito.

"Queremos o reajuste de 10% e a manutenção dos benefícios trabalhistas garantidos por convenção coletiva. Temos direito a uma hora de almoço, pagamento de horas extras em 100% sobre o valor do salário, em caso de trabalho aos domingos e feriados, além de outros benefícios que não podemos perder, tendo em vista que já estão convencionados. É preciso haver negociação e estamos abertos ao diálogo. Entendemos que o país enfrenta um momento econômico difícil, mas isso não pode gerar a perda dos direitos dos trabalhadores", disse o presidente. "Eles ameaçam a retirada de cesta básica, vale transporte, além do congelamento do plano de seguro de vida dos trabalhadores", completou.

O Sintracomec entrou com o pedido de dissídio coletivo junto à Justiça do Trabalho com o intuito de preservar a data-base da categoria, ao mesmo tempo em que permaneceu com as negociações junto ao sindicato patronal.

Segundo o presidente do Sinducon-AM, Frank Souza, todos os benefícios ou direitos trabalhistas garantidos por meio de convenção coletiva serão mantidos. Ele também descarta a possibilidade de perdas de direitos por parte dos empregados. Porém, o empresário explica que a convenção coletiva passará por uma adequação para se enquadrar à nova legislação trabalhista que deverá ser sancionada no dia 11 de novembro deste ano.
"Até que as negociações sejam encerradas nenhuma cláusula convencionada será desconsiderada. Pode ser que as negociações cheguem até o dia 11 de novembro que é quando a reforma começará a vigorar. Se conseguirmos inserir os termos da reforma trabalhista na convenção coletiva podemos encerrar essas discussões antes. Mas, não existirão perdas", assegura.

Quanto ao reajuste, Souza disse que o sindicato atende ao disposto por meio da convenção coletiva que é o percentual de 2,5%. O presidente também explicou que o que está em discussão está relacionado ao perfil de negociação de pequenas, médias e grandes empresas. "O que está em discussão é que menores empresas que trabalham com prazo determinado não tenham o mesmo perfil de negociações em relação às grandes empresas", disse. "A convenção coletiva apresentará o que pode ser flexibilizado, as novas compensações de acordo com o que a reforma permite", completou.

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