Manaus, 21 de Setembro de 2018
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Soluções de habitação sustentável

Por: Hellen Miranda hmiranda@jcam.com.br
21 Ago 2017, 13h38

Crédito:Walter Mendes
Cada vez mais o pensamento sustentável ganha espaço no cotidiano global, e com isso a necessidade de criar projetos, técnicas e produtos que busquem soluções de baixo impacto no meio ambiente. A boa notícia é que o Brasil vem crescendo em número de obras certificadas por sustentabilidade, mas ainda precisa investir mais na prática que é adotada principalmente em empreendimentos comerciais. Em Manaus, o engenheiro civil e pesquisador do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia)Ruy Alexandre de Sá Ribeiro, acredita que essa tecnologia pode começar a conquistar adeptos também em projetos residenciais. Ele é um dos idealizadores do projeto para a construção de Casa Ecológica, fabricada a partir do bambu.

"Atualmente a necessidade de utilizar construções sustentáveis é global por economizar os custos e tornar o ambiente mais saudável. A ideia de trabalhar com esse material veio da minha parceira de trabalho, a arquiteta Marilene Gomes de Sá Ribeiro e ajudei na execução, após formularmos o projeto", disse Ribeiro. O projeto inclusive é o primeiro a ser financiado por uma agência, envolvendo o bambu como material de construção. O pesquisador ressaltou que um dos grandes diferenciais da obra é na hora da execução, por reunir apenas a própria população local, gerando condições de empregabilidade durante a construção, além de incentivar a participação comunitária.

Atualmente a casa ecológica tem custo estimado em R$ 20 mil, com durabilidade de 25 anos e possui 42 m2, podendo ser montado com painéis pré-moldados em 48 horas. "Para se ter ideia, uma casa do programa MCMV (Minha Casa Minha Vida), tem uma área 10m2 a menos, sendo mais cara e não possui os benefícios da ecológica", destacou Ribeiro. Dentre as vantagens da habitação estão a captação e reutilização das águas das chuvas, estação de tratamento ecológico de esgoto através de raízes das plantas e conforto térmico com chaminé de resfriamento. Apenas a energia elétrica usada ainda é convencional. "Mas já é pensado em energias alternativas", frisou.

Mesmo com todas essas vantagens da tecnologia, a construção da casa eco na região esbarra em questões de interesse do poder público e falta de espírito comunitário, avaliou o pesquisador. "No início até houve um certo interesse pela habitação, mas esbarrou na questão do baixo custo", contou Ribeiro. "Mas hoje observamos mudanças, temos grandes empresas locais que já nos contactaram com interesse de utilizar essa tecnologia e isso está em caráter de análise", acrescentou o especialista. Para ele, em breve o mercado da construção civil deve absorver essa solução tecnológica sustentável.

Além do trabalho envolvendo a planta, Sá Ribeiro e sua equipe também desenvolve outro projeto de durabilidade de novos materiais, como a argila, estudada como uma nova alternativa ao cimento e já desperta interesse em outros países. "Nossa intenção é sempre produzir obras limpas", finalizou o pesquisador do Inpa. O projeto é pioneiro no mundo.

Modelo
Em 2006, foi construído no Bosque da Ciência do Inpa o protótipo da primeira Casa Ecológica. O imóvel é completo, possuindo todos os benefícios já citados, e tudo com o efeito da gravidade, sem a necessidade de adicionar qualquer elemento químico. Um ano depois, foi a vez da RFAD (Reserva Florestal Adolpho Ducke), km 26, da AM-10, que liga Manaus e Itacoatiara, receber a primeira Vila Ecológica.

Para garantir as construções e ter matéria-prima suficiente, foram plantadas 200 mudas do bambu Guadua angustifolia. A pesquisa trabalha com três espécies de bambus: Guadua angustifolia, Dendrocalamus asper e a Bambusa vulgaris.

Mais alternativas
O projeto que utiliza galhos envelhecidos das palmeiras de buriti e inajá para produção de painéis com aplicação na construção civil, naval, móveis e em artefatos também é boa alternativa para quem se preocupa com os impactos no meio ambiente. Eles podem ser utilizados como forros, divisórias, revestimentos de paredes de residências, auditórios, cinemas, teatros, estúdios, barcos regionais e de luxo, além de móveis e artefatos. Servem ainda como alternativa à madeira sólida e seus derivados (compensado, aglomerado, MDF, MDP e OSB) e outros materiais convencionais.

Dentre as vantagens da tecnologia, estão zero danos na produção de frutos. O produto também é mais leve do que a madeira, o que contribui na facilidade do manuseio e redução nos custos de transporte. Além disso, os painéis são produzidos com a adição de uma resina vegetal originária da Amazônia (látex da seringueira) e de baixo custo, enquanto os de madeira recebem resinas sintéticas, que são de alto custo.

O projeto é idealizado pelo pesquisador do Inpa, Jadir Rocha. Outra tecnologia visa o uso de restos florestais e madeira de crescimento rápido que são misturadas ao cimento e podem ser usadas na construção civil e na fabricação de móveis. O produto contribui para reduzir a pressão do desmatamento e prover a construção civil de um material de excelente resistência e durabilidade. Composto de partículas de madeira misturada com cimento, resultando em peças de boa aparência, semelhantes às placas de cerâmicas.

O benefício desse projeto envolve o fato do solo da Amazônia ser ácido e, mesmo nessas condições, as espécies de crescimento rápido, como a madeira chamada de pau de balsa, funcionam bem. Outra vantagem é o tempo para uso dessas árvores que, normalmente, em dois anos estão prontas para serem cortadas. O pesquisador do Instituto Fernando Lemos é o responsável pela ideia que recebeu o nome de biocompósito cimento-madeira.

Saiba mais: dicas para se ter uma casa sustentável
3Quanto mais e maiores forem as janelas, melhor se aproveita a luz natural. Além de economizar energia elétrica, garante uma boa ventilação;
3Prefira as lâmpadas fluorescentes ou as de LED, que são bem mais econômicas e duráveis do que as incandescentes;
Com o uso de calhas, cisternas ou tanques, pode-se coletar a água da chuva e aproveitá-la em situações que não exigem água potável, como regar o jardim, lavar carro e quintal ou até mesmo na descarga dos vasos sanitários;
3Ao comprar aparelhos eletrônicos e eletrodomésticos, escolha aqueles que têm o selo Procel, que indica melhor eficiência energética.

Fonte:ciclovivo.com.br

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