Manaus, 19 de Novembro de 2018
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A decisão de fugir da cidade

Por: Priscila Caldas pcaldas@jcam.com.br
18 Ago 2017, 19h59

Crédito:Walter Mendes
Na busca por melhor qualidade de vida, municípios próximos à Manaus estão se tornando cada vez mais atrativos para fixar residência por quem conviveu na capital. Tranquilidade e tentativa de fuga do alto índice de criminalidade são os principais fatores incentivadores para a migração. Iranduba e comunidades localizadas às margens do Rio Negro, após a Marina do Davi, têm sido alguns dos destinos mais adotados pela população.

Trabalhador do segmento da construção civil, Amarildo Rosa Cardoso, vendeu a casa na qual morava em Manaus para residir no município de Iranduba (distante 39 quilômetros). Ele mudou de cidade há um ano e meio acompanhado pela esposa e pelos filhos. Segundo Cardoso, não houve dificuldades para adaptação ao novo local, pelo contrário, ele afirma que sua qualidade de vida melhorou consideravelmente, além de ter encontrado em Iranduba oportunidades para trabalhar.

"Em Manaus há alto índice de desemprego e criminalidade. Sofria constantemente com problema de pressão alta e depressão mas após a mudança, a nova rotina, tudo mudou. Aqui é muito tranquilo e há alta demanda de trabalho tanto na construção dos condomínios como na construção em terrenos loteados. A procura é tanta que passo os trabalhos aos colegas", conta. "Minha esposa e filhos trabalham em Manaus e não acham longe o trajeto de ida e vinda. Iranduba é como se fosse um bairro de Manaus. Faço de tudo para não ir a Manaus", completa sorrindo.

Segundo Cardoso, os colegas de trabalho que ainda residem em Manaus e precisam se deslocar a Iraduba diariamente também demonstram interesse em migrar para a região metropolitana.
"Tenho dois amigos que também mudaram para Iranduba e outros que trabalham comigo que residem em bairros próximos à ponte Manaus/Iranduba e que planejam sair de Manaus", comenta.
O autônomo Edir da Silva também migrou para Iranduba há dois anos. Ele conta que saiu de Manaus em busca de tranquilidade e a encontrou. Em sua residência, localizada na estrada que dá acesso à Iranduba, Silva montou uma oficina para manutenção de maquinário utilizado na zona rural como pulverizador, roçadeira, motosserra, entre outros.

"Me sinto bem e feliz em Iranduba. Morei em Manaus há muitos anos e decidi sair em busca de uma vida mais sosegada e também de menor índice de violência e criminalidade. Sei que em todos os lugares há criminalidade, mas ainda é em menor índice do que em Manaus. Só vou a Manaus quando realmente é necessário. Gosto de ir à feira e comprar peixes e legumes frescos e aqui tudo isso é possível na feira. É muito bom", disse. "Sempre tenho demanda de serviço e outra coisa boa é que não tem congestionamento", completou.  


Além de Iranduba, também há quem decida migrar para outros municípios como Careiro Castanho (distante 90 quilômetros). É o caso do professor Rojefferson Moraes que mora no distrito do Purupuru, no Careiro Castanho. Ele relata que durante a moradia na capital trabalhou durante 10 anos em uma indústria do PIM (Polo Industrial de Manaus), onde teve oportunidade de fazer vários cursos técnicos voltados à área em que atuava. Mas, em determinado momento ele conta que chegou à conclusão que por algumas situações internas da empresa, seria difícil conseguir ascensão profissional, o que o fez decidir seguir carreira profissional na área da educação. Ao analisar a situação, Moraes decidiu que atuar em uma área próxima à capital poderia lhe proporcionar mais oportunidades devido à menor concorrência.  

"O interior do Estado é um campo fértil para uma série de atividades profissionais, como a educação, por exemplo, com inúmeras possibilidades de ações inovadoras, devido às dificuldades e de infraestrutura. A área fora de Manaus também é mais tranquila, tem menor índice de criminalidade e as relações interpessoais são mais harmoniosas. Para se ter uma ideia na última semana minha residência em Manaus, localizada no bairro Monte das Oliveiras, foi invadida por ladrões. Levaram a maioria dos meus pertences, entre eletrodomésticos, roupas e outros" relatou.

De acordo com Moraes, uma das dificuldades encontradas por quem decide migrar para a zona rural é a dificuldade de comunicação no acesso à internet. Ele conta que para ter acesso à internet em casa é preciso instalar os equipamentos, mas nem todos têm condições financeiras para a aquisição.
"Senti muito a ausência desse serviço e ainda sinto. É necessário desembolsar um valor alto para ter internet em casa e nem todos têm condições para isso. Mas essa situação não me fez pensar em desistir. Procuro manter o foco nos projetos e nos possíveis resultados para o meu desenvolvimento pessoal e profissional".

Sindimóveis define migração como 'pontual'
Para a presidente do Sindimóveis-AM (Sindicato dos Corretores de Imóveis do Amazonas), Márcia Cohen, as ocorrências de migrações são pontuais e não acontecem com expressividade. Ela afirma que as pessoas que investem na aquisição de imóveis na região metropolitana estão em busca de um local para lazer, descanso, e não para moradia. Segundo a presidente, a área do Iranduba, onde existem loteamentos à venda, ainda não dispõe de infraestrutura de água e asfalto e as pessoas que compram os terrenos não conseguem residir no local.

"As pessoas não estão deixando de morar na capital. Mas, elas estão buscando um local para descanso para o lazer do final de semana com a proximidade das praias, do rio. Pelo lado econonômico, vemos que os comércios se desenvolvem de forma fraca. Isso, somado aos inúmeros projetos governamentais que ainda não saíram do papel. Dos empreendimentos em comercialização na área, somente um é pelo programa Minha Casa Minha Vida", informou.

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