Manaus, 19 de Novembro de 2018
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Logística de trabalhadores em risco

Por: Priscila Caldas pcaldas@jcam.com.br
17 Ago 2017, 13h43

Crédito:Walter Mendes
Representantes dos transportes público e especial de Manaus reivindicam a criação de uma delegacia especializada no combate aos roubos em coletivos na tentativa de amenizar ou coibir o crescente índice das ocorrências dos assaltos aos transportes, na capital. A proposta será entregue ao governador David Almeida na próxima segunda-feira (21).

Conforme o Sinetram (Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas), somente neste ano ocorreram 61 paralisações totalizando 170 horas de interrupção no transporte. O Sindicato ainda informou que até junho foram registrados mais de 1,8 mil roubos totalizando prejuízos de meio milhão de reais às empresas que operam na cidade. Na tarde de hoje, a SSP-AM (Secretaria de Segurança Pública do Amazonas) se reunirá com os representantes do segmento para discutir sobre o tema e buscar soluções ao problema.

Na manhã de ontem, o Sindespecial (Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Especial, Turismo, Fretamento, Locadoras e Carro de Valores Intermunicipal de Manaus) mobilizou a categoria para uma manifestação na zona Leste com o intuito de chamar a atenção das autoridades para tomar providências quanto à insegurança durante os transportes. Um segundo movimento reivindicatório contou com a integração do STTR (Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Manaus). Os manifestantes paralisaram os veículos nas avenidas Constantino Nery, Epaminondas e Leonardo Malcher próximo ao Terminal 1, no Centro.

Os trabalhadores do transporte especial que atendem às empresas do PIM (Polo Industrial de Manaus) têm sido vítimas frequentes dos assaltos aos veículos de transporte especial durante os trajetos de ida para as fábricas e no retorno aos bairros. Na tentativa de coibir os roubos, algumas empresas optaram por contratar serviços de segurança onde agentes acompanham o trajeto feito pelos ônibus, seja como passageiro do transporte ou por meio de um veículo externo.

De acordo com o presidente do STTR, Givancir Oliveira, a categoria dos rodoviários decidiu unir forças junto aos trabalhadores do transporte especial para lutar por providências por parte do poder público. Ele reclama que os gestores que passaram pelo governo do Estado sempre souberam do problema, mas segundo o líder nunca tiveram 'vontade' política. Ele defende a ideia da criação de uma delegacia especializada em crimes no transporte coletivo.

"Somente neste ano ocorreram mais de dois mil assaltos aos transportes coletivos. Aproximadamente 90 mil passageiros foram vítimas dos arrastões. Isso acontece há anos e ninguém procurava resolver. O governador David Almeida nos recebeu e demonstrou boa vontade em atender nossa reivindicação. A questão é se ele terá tempo de implementar o projeto em pouco tempo de gestão", comentou. "Por meio da delegacia será possível identificar e abrir o inquérito para apurar os assaltos", completou.
Oliveira ainda destacou que nos últimos 10 anos o sindicato registrou oito mortes decorrentes de assaltos aos ônibus. Ele afirma que muitos trabalhadores ficaram paraplégicos após os roubos, além dos que têm sido feridos por balas.

Por meio de nota a SSP-AM lamentou a violência sofrida pelos trabalhadores do transporte público e destacou as ações diárias que têm sido feitas para coibir esse tipo de crime em Manaus. As ações envolvem a SSP-AM e os demais órgãos de segurança do Estado, como Polícia Militar, Polícia Civil e Detran.

O órgão ainda ressaltou que apenas as ações desenvolvidas pelo Sistema de Segurança, como o monitoramento das rotas e a prisão de suspeitos dos assaltos não são suficientes para combater de vez os roubos.

Conforme a secretaria, neste ano 653 acusados de roubos aos ônibus foram presos, trabalho resultante das ações das polícias Civil e Militar e da SSP. Houve aumento de 30% no volume de assaltos em relação ao mesmo período de 2016. A SSP afirmou que o número demostra que são necessários união e engajamento de todos os órgãos para que as reduções sejam mais expressivas e para que os trabalhadores deixem de sofrer com os assaltos. União inclusive da Prefeitura de Manaus, que é o órgão responsável pela concessão das empresas de transporte público, e das empresas que podem contribuir com a instalação de equipamentos modernos, como câmeras de segurança.
A SSP-AM destacou que não há solução gratuita, e que é preciso urgente o interesse e a contrapartida das empresas.

O Sinetram informou que acionará a Justiça sobre as paralisações realizadas na quarta-feira (16). Os dois movimentos grevistas duraram mais de quatro horas e prejudicaram mais de 90 mil pessoas. O sindicato ainda divulgou que não foi notificado sobre o motivo das paralisações, assim como as nove empresas que compõem o sistema de transporte também não foram notificadas. Ao longo de 2017 ocorreram 61 paralisações que resultam em mais de R$1 milhão em multas aos rodoviários.

Cresce índice de assaltos às rotas
De acordo com o presidente do Sindmetal-AM (Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas), Valdemir Santana, de janeiro a junho de 2017 o sindicato registrou pelo menos 30 ocorrências de assaltos às rotas. Ele relata que há casos em que os assaltantes conseguem ter acesso ao fardamento da empresa, entram no ônibus junto com os trabalhadores e quando o veículo inicia o trajeto eles abordam os passageiros. Ele afirma que os roubos ocorrem em todos os horários, manhã, tarde e noite.

"Após o ocorrido os trabalhadores são orientados a se dirigirem a DIP mais próximo acompanhados pelo motorista para registrarem o BO (Boletim de Ocorrência). Logo após, tanto a fabricante quanto à transportadora são comunicadas sobre o ocorrido. Já houve casos em que os assaltantes levaram todos os pertences das pessoas e até as roupas", reclamou. "Pelo menos cinco empresas do PIM contrataram serviços de segurança e os ônibus seguem com escolta", completou. Segundo o vice-presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Nelson Azevedo, no primeiro semestre deste ano houve crescimento expressivo no número de furtos às rotas em relação aos primeiros seis meses do ano anterior. Ele relata que maior parte dos roubos acontecem quando os ônibus param para que o trabalhador desembarque do veículo nas proximidades de sua residência. Neste momento o assaltante aborda o trabalhador e entra no ônibus anunciando o roubo. Azevedo afirma que há maior incidência dos crimes no horário noturno e nas rotas de retorno da fábrica aos bairros. "Nos primeiros meses deste ano o índice de ocorrências foi mais acentuado em relação aos primeiros meses de 2016. A situação é tão séria que algumas empresas contrataram seguranças para tentar inibir essas ocorrências. É um serviço que gera mais um gasto para as indústrias. Porém, é a alternativa encontrada para tentar preservar a segurança dos trabalhadores", frisou.

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