Manaus, 19 de Novembro de 2018
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Etanol a partir do milho no país

Por: Hellen Miranda hmiranda@jcam.com.br
14 Ago 2017, 19h20

Crédito:Divulgação
Com investimento orçado em R$ 450 milhões, a primeira usina de produção de etanol exclusivamente a partir do milho no Brasil já está operando parcialmente em Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso. A estimativa é de que planta da FS Bioenergia produzirá cerca de 240 milhões de litros de etanol por ano e tem como foco de mercado as regiões Centro Oeste e Norte do país para escoamento do produto.

Segundo a companhia, a usina ainda terá potencial para produzir farelo de milho (DDG), óleo de milho e energia elétrica. A unidade funciona com tecnologia importada dos Estados Unidos, fruto da parceria entre a Fiagril e a americana Summit Agricultural Group.

"Nesse primeiro momento vamos ter focos regionais, no caso o centro oeste seguida da norte que não tem produção local e observamos que recebe produtos importados, como o etanol americano. Então, achamos que ali é uma oportunidade de ouro de levarmos a nossa produção a partir do etanol 100% de milho", afirmou o CEO da Usina FS Bioenergia, Henrique Ubrig. Referente a movimentação do produto, o presidente destacou que já foram traçadas rotas estratégicas para escoar o biocombustível na região.

"A questão da logística é importante e nós temos duas rotas, a ideal seria de rodovia até Miritituba, no município de Itaituba (PA) e depois de barcaças pelo rio Tapajós chegando a Manaus (AM), Porto Velho (RO) e Belém (PA). Vamos ter tancagem no porto de Miritituba e em outros portos. Mas a rota de Porto Velho também é viável e provavelmente será nossa segunda opção para chegar em Manaus", disse Ubrig. Ele ressaltou ainda que com essa iniciativa a companhia pode atrair grandes grupos nacionais e internacionais interessados em investir na infraestrutura e logística de estados como Amazonas e Pará.

"Nós não somos uma empresa de logística, logo não temos a força de uma especializada. Hoje o transporte mais barato ainda é hidrovia e depois a ferrovia. Na região, a hidro nesse aspecto é bem abastecido com todo esse complexo do rio Amazonas e afluentes. E se pudermos influenciar no sentido de atrair grupos interessados em fazer investimentos em logística, nós vamos. Mas provavelmente o estado precisaria ser relativamente dinâmico em não colocar travas, nem barreiras e ter regras do jogo claras", frisou o presidente da FS Bionergia.

Capacidade de produção
Diferente do sistema flex, a primeira usina brasileira de etanol 100% a partir do milho foi inaugurada na última sexta-feira (11) no coração do principal estado produtor de milho do país. A previsão é que ela produza 180 mil toneladas de farelo (DDG) por ano, sendo 125 mil toneladas de farelo com alto teor de fibra e 61 mil toneladas de farelo com alto teor de proteína. Além, é claro, do etanol com produção anual de 240 milhões de litros consumindo 600 mil toneladas de milho. "Mas daqui até o final deste ano serão apenas 100 milhões referente ao calendário 2017", lembrou Henrique Ubrig.

A usina ainda terá capacidade de produzir 7 mil toneladas de óleo de milho e 60.000 megawatts de energia elétrica na rede local, capaz de abastecer uma cidade de até 25 mil habitantes.

"O milho oferece muitas oportunidades e o etanol é o principal, mas também temos o farelo que são divididos entre os de alta fibra e de alta proteína, onde agregamos valor e vendemos como farelo de soja. Outro produto de muito valor agregado é óleo de milho e o vapor pela cogeração, de onde obtemos a energia. Com isso conseguimos multiplicar aquilo que valia 100 transformando em 300 ou 400 e coloco capital, gero oportunidades, compro do produtor local, alimento uma indústria nova e abro caminho para expansão", comentou o presidente.

Segundo a companhia, a tecnologia usada por ela é pioneira no Brasil seguindo a tendência de não acumular resíduos e preocupados com a preservação do meio ambiente, gerando zero efluentes.
Com foco certo do etanol para as regiões norte e centro oeste do país, a empresa espera distribuir os chamados coprodutos nas proximidades de Mato Grosso. "O ideal é ficarem próximos mas vamos considerar alternativas. Os farelos de alta proteína teremos mais possibilidades de comercialização, já o de alta fibra de menor valor, deverá ficar aqui por termos muitos rebanhos, bem com a energia que será entregue na rede local", projetou Ubrig.

Influência estrangeira
A região do Mato Grosso é considerada a maior produtora brasileiro de milho com competência para agrícola em soja, algodão entre outras. E a motivação da FS Bioenergia em investir na primeira unidade exclusiva desse tipo de combustível apoia-se na tendência de alta da produção do milho, que já bateu em 100 milhões de toneladas.

"Quando se vai para cana a intenção é aproveitar oito meses e o milho fica no papel secundário. Ambas as tecnologias são diferentes, sendo a do milho mais próxima de uma indústria química e de processamento. Vamos nos especializar em algo que fomos influenciados pelos americanos porque lá só é só milho e nós temos uma grande quantidade deste produto aqui. Quem começa do zero tem essa opção que foi a nossa", contou o presidente. Com isso, a empresa procurou tecnologia que já era usada nos Estados Unidos em mais de 100 plantas espalhadas pelo país.

Segundo ele, após coincidências de interesses entre as empresas envolvidas a companhia optou por investir na região. "Agora é só início e depois vamos pensar porque na realidade estamos querendo olhar o conjunto das possibilidades. Talvez no segundo momento possa ser em outros municípios como Sorrisos e Sinop. Lucas do Rio Verde já tinha essa vocação industrial", acrescentou Ubrig lembrando que a planta vai ajudar o país a ser autossuficiente em etanol.

Exportação
Com uma cadeia fechada onde nada se perde, a FS Bioenergia futuramente quer investir em novos horizontes. Mas com cautela e entendendo o mercado de oferta e demanda assegurou o presidente. De acordo com ele, a questão da exportação será o segundo passo da companhia."Nesse primeiro momento estamos focados no centro oeste e norte do Brasil, quando buscarmos o passo dois vamos pensar em outros aspectos. A ideia é pegar os frutos mais baixos e se consolidar no mercado interno sem deixar de olhar para o externo e certamente teremos um viés internacional", concluiu Ubrig.

Inauguração oficial
O presidente da República, Michel Temer participou com outras autoridades da cerimônia de inauguração da usina, no dia 11 deste mês em Lucas do Rio Verde (MT). Em discurso, Temer disse acreditar que novas usinas de etanol de milho devem se instalar pelo país e destacou que a produção do biocombustível é uma energia limpa e renovável. Esta foi a primeira vez que ele visitou a região a frente do cargo.

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