Manaus, 20 de Setembro de 2018
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Retração preocupa comércio varejista

Por: Priscila Caldas pcaldas@jcam.com.br
10 Ago 2017, 20h00

Crédito:Walter Mendes
Na contramão do crescimento nas vendas de imóveis registradas no primeiro semestre deste ano, em Manaus, o comércio varejista de material de construção contabilizou queda de até 12% nas comercializações, em comparação a igual período de 2016, impulsionado pela retração na demanda de cimento. Segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Material de Construção de Manaus, a estimativa é que no segundo semestre o setor contabilize melhores índices de vendas em decorrência de sinais de recuperação econômica nacional, da retomada da atividade da construção civil de empreendimentos imobiliários e ainda da chegada do verão amazônico. O segmento espera obter incremento entre 5% e 6% em 2017, em relação ao faturamento do ano anterior.

De acordo com o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Material de Construção, Aderson Frota, nos primeiros meses do ano houve redução entre 8% e 12% nas vendas dos itens utilizados em edificações, mais especificamente do cimento. Mas, ele afirma que a partir do final de junho houve sinais de leve recuperação no comércio, desempenho que deverá ser mantido nos próximos meses, na análise do empresário.

"Estamos sentindo uma recuperação na economia, ainda que gradativa. A situação está mais estável. Ainda que os resultados, no fechamento do ano, não sejam expressivos, acredito que reverteremos os números de 2016. Esperamos crescimento entre 5% e 6% para 2017 em relação a 2016. A chegada do verão contribui para esse impulso, assim como a retomada das obras por parte das construtoras", disse.
Frota comenta que as construtoras estão anunciando diversos novos empreendimentos imobiliários, porém, ele enfatiza que entre o período de divulgação do projeto e o início das obras há um intervalo de pelo menos três meses. Em consequência ao início das construções, haverá maior demanda do cimento e demais produtos. "A recuperação expressiva do setor ainda deverá demorar um pouco porque somente agora as construtoras estão retomando os projetos. Mesmo assim, começamos a sentir uma reação positiva. Se o crescimento se consolidar é provável a superação dos índices de vendas de 2016".

Grandes obras
Segundo o presidente do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Amazonas), Frank Souza, a inexistência de obras de grande porte a nível nacional e estadual contribuem significativamente para a redução na demanda por cimento. Ele também enfatiza que em caso de menores construções, reparos ou reformas, houve retração no consumo devido às incertezas quanto ao cenário econômico.

"Podemos dividir as vendas do setor da construção civil, no primeiro semestre, da seguinte forma: 33% dos imóveis estavam prontos, 30% está em construção e os demais estão na planta. Observamos que tanto as construções familiares como as obras públicas e privadas diminuíram no período. As obras de maior expressão com certeza dariam maior volume em relação ao cimento utilizado", comentou. "

Vendas em queda no mercado interno
No período de janeiro a julho deste ano as vendas de cimento no mercado interno totalizaram 30,7 milhões de toneladas, de acordo com dados do SNIC (Sindicato Nacional da Indústria do Cimento). O montante representa uma queda de 9,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Em 12 meses, as vendas acumuladas totalizaram 54,3 milhões de toneladas, 9,8% menor do que nos 12 meses anteriores (agosto/15 a julho/16).

No mês de julho deste ano foram vendidas 4,7 milhões de toneladas, com queda de 10,5% em relação a julho de 2016. Na comparação por dia útil - melhor indicador da indústria por considerar o número de dias trabalhados, que tem forte influência no consumo de cimento - as vendas do produto no mercado interno em julho de 2017 apresentaram redução de 10,5% em relação a julho de 2016 e crescimento de 3,3% sobre junho de 2017.

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