Manaus, 14 de Novembro de 2018
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Cortes inviabilizam novas pesquisas

Por: Antonio Parente aparente@jcam.com.br
10 Ago 2017, 19h57

Crédito:Walter Mendes
O possível corte dos recursos financeiros do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) para investimentos em pesquisas nas universidades públicas do país, tomaram proporções negativas nas ultimas semanas. No Amazonas, a situação orçamentária do órgão deixou incerto o futuro de muitos alunos de graduação e pós-graduação que participam de programas e projetos de pesquisas científica na Ufam (Universidade Federal do Amazonas).

A falta de investimento na produção de conhecimento trará consequências sérias que afetarão diversas áreas da sociedade. A analise é da pós-doutora em museologia e professora do Curso de Biblioteconomia da Ufam, Guilhermina Terra. "Se nossas instituições públicas que são responsáveis pela formação integral do nosso aluno para melhor atuação no mercado no contexto social fecharem, a sociedade inteira vai sofrer com isso. Tudo que é desenvolvido e construído dentro do espaço da universidade tem por obrigação básica ser colocado em prol do desenvolvimento da sociedade que ela está inserida. É lamentável que um programa historicamente conhecido que só trouxe benefício em nível acadêmico e social possa ser extinto", disse ela.

Para a professora, o Pibic (Programa Institucional de Bolsa de Iniciação Científica) é muito importante para o aluno no contexto universitário. Isso porque por meio dele o aluno terá um preparo qualificado para a produção de conhecimento cientifico e tecnológico para o país. "Infelizmente é uma situação muito triste que afetará pessoas que futuramente irão contribuir com o avanço cientifico e tecnológico do país. São essas as consequências negativas que nossas autoridades, municipais, estaduais e federal estão trazendo para o nosso país. A formação qualificada de um acadêmico não é apenas para ele, todo o conhecimento adquirido na universidade terá um retorno para o país", disse.

Aprovação da PEC 55
Guilhermina Terra destaca que o principal motivo do esgotamento dos recursos financeiros da agência foi a aprovação da PEC 55 (Proposta de Emenda Constitucional). A proposta limita os gastos públicos nas áreas da educação e saúde, fato que segundo ela em último caso levaria o fechamento de muitas universidades no país.

"A tendência é fazer com que as instituições de ensino que se encontram em situações precária piorem ainda mais ao ponto de fecharem as portas. Estão começando com os cortes nas bolsas. Depois vem a diminuição do recurso financeiro anual que é dados às universidades para se manterem. Muitas delas estão anunciando que os recursos enviados não estão sendo suficientes para a manutenção dela. As universidades Federais estão começando a querer a parcelar os salários de seus funcionários. E no contexto regional temos a UEA que está com os recursos escasso", conta.

Associação dos docentes
Para a diretora da ADUA (Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas) e doutora do departamento do curso de serviço social da Ufam, Katia Vallina, o anúncio da falta de verba para custear projetos de pesquisa das universidades foi um ataque profundo aos acadêmicos e à sociedade. Isso porque muitos deles encontram-se numa vulnerabilidade financeira e dependem desses recursos.

"Muitos dos alunos dependem do dinheiro da bolsa, por que por meio desses recursos eles compram livros, usam no transporte e custeiam material. Isso vai gerar um impacto grande na Ufam com abandono e evasão. Os alunos que fazem as pesquisas no Pibic não estão inseridos no mercado de trabalho. Muitos deles são de baixa renda e dependem desse recurso financeiro", disse.

Katia afirma que os recursos do CNPq eram divididos com os da Fapeam (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas) e agora com ausência deles muitas universidades teriam que financiar com recursos próprios as pesquisas.

Bolsas têm valor médio de R$ 400
Segundo números da PROPESP (Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação) da UFAM, de 2016 a 2017, os números de projetos recomendados para inciação científica foi de 846 no total. Destes, 676 foram disponibilizados para alunos da capital e 170 para o interior. Em 2017 , os números tiveram um aumento considerável com 1230 projetos iniciados, 932 na capital e 298 no interior.

O valor médio das bolsas disponibilizadas ao aluno pelo CNPq é de R$ 400 reais mensais, e cerca de 244 alunos recebem esses recursos de 2016 a esse ano. A Fapeam (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas) disponibilizou ano passado 262 bolsas a alunos da UFAM. Em 2017 o número aumentou para 278 bolsas.

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