Manaus, 19 de Setembro de 2018
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Força jovem na formação

Por: Cíntia Valadares
07 Ago 2017, 14h10

Crédito:Divulgação
Ser professor já foi ao longo do passado uma das principais profissões do mundo, não que isso tenha mudado, mas com a evolução tecnológica, a desvalorização da classe educadora e a criação das profissões do futuro, a profissão de professor deixou de ser atrativa para os jovens do século 21.
Mas em meio a tantas novas profissões, ainda existem pessoas que tem o desejo de lecionar, de passar conhecimento ao próximo. Agora quando essa pessoa é jovem, para muitas pessoas é difícil de entender esse desejo de ser professor.

De acordo com o último censo escolar realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2015, o Amazonas possuía mais de 18 mil professores com idade média de 40 anos.
Mas como nos dias atuais encontramos tantos jovens exercendo a profissão de professor? Foi por conta deste questionamento que procuramos alguns destes profissionais para conhecer a sua história e descobrir de onde veio esse amor pela docência.

A vida de educador
No ensino superior encontramos o professor Rômulo Araújo, com 28 anos, é graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, pós-graduado em Design, Comunicação e Multimídia, e em Divulgação e Jornalismo Científico em Saúde e Ambiente na Amazônia, atualmente é professor de comunicação da Uninorte, e leva bem a sério o desafio de levar conhecimento e formar profissionais para o futuro.

Para Rômulo a decisão de ser professor foi sendo construída a partir das escolhas que foi fazendo principalmente durante a vida escolar. "Quando criança, eu não pensava em ser professor. Talvez isso tenha me passado pela cabeça quando encontrava alguns professores que eram muito inspiradores. Isso inclui desde a dedicação às atividades em aula, a admiração por professores e a ajuda voluntária aos colegas que tinham um pouco mais de dificuldades pra aprender o conteúdo", comentou Araújo que completou dizendo que a única certeza que tinha desde criança, é que trabalharia com comunicação, por ser inspirado pelo pai que brincava de apresentar programas de rádio na sala de casa.

Logo após cursar a especialização o professor recebeu o convite para dar aulas na faculdade, e agarrou a oportunidade. "Até que, após a faculdade e depois de cursar duas especializações, neste tempo retornando várias vezes à faculdade para palestras e oficinas, surgiu a indicação/convite de uma ex-professora e amiga -posso confidenciar -e, então, resolvi abraçar esta missão. E cá estou, há quase três anos na área da docência".

Mas ser docente numa época em que a profissão é tão desvalorizada em nosso país é um desafio e tanto, e essa realidade para o professor é preocupante.

"Lembro de ter visto uma reportagem recente, a partir de uma pesquisa do Ministério da Educação, que apontava que apenas 2% dos alunos que passavam pelo ensino médio pretendiam atuar na docência. No Brasil, infelizmente, é uma profissão não valorizada. Arrisco a ampliar o significado dessa afirmação para me referir não apenas sobre questões salariais, mas sobretudo às condições de trabalho, estrutura e segurança e pouco incentivo à carreira acadêmica", comentou.

Para o professor docência é um desafio diário. "Imagine a minha realidade, por exemplo, de lecionar para o ensino superior em uma faculdade particular de Manaus, ter que estar bem física e psicologicamente em todas as aulas e, sobretudo, ter que encarar outras 20, 30, 40, 50 pessoas por sala, de diferentes classes e idades, cada uma com suas trajetórias e sonhos, não é fácil. Tenho alunos com 18 anos que acabaram de sair do ensino médio e que tem o suporte dos pais, assim como também tenho um aluno já bastante experiente, com mais 50, 60 anos e que, depois de muito esforço e de já ter os filhos formados, decidiu tentar uma faculdade. Creio que seja o maior desafio, que faz parecer a elaboração da aula, de avaliações e dos próprios problemas, parecerem pequenos".

Mas apesar de todos os desafios, a profissão é empolgante e ainda existem jovens que tem esse desejo de passar o conhecimento, por isso ficam aqui alguns conselhos do professor. "Tenho três pensamentos que reforço a mim mesmo, frequentemente, para que eu não esqueça da responsabilidade grande que é ser docente e que talvez sirvam como conselhos. Primeiro, eu procuro ser o professor que eu gostaria de ter se fosse aluno nos tempos modernos, o que me faz sempre buscar novidades para repassar. Segundo, como já pensava e tenho constatado diariamente, a melhor maneira de se ensinar é dar exemplos com atitudes, não apenas com palavras. Por fim, manter o espírito de mudança, afinal um jovem que não é inquieto e que não queira lutar para corrigir injustiças sociais não estará na profissão e no lugar adequados, caso escolha tal profissão. Logo, sem dúvida a melhor relação entre professor-aluno é por meio do "ensino-aprendizagem", um processo contínuo, destaque-se", finalizou. No Ensino Médio, o professor Rodrigo Ribeiro, 28, graduado em língua portuguesa aos 20 anos, em 2011, passou no concurso do Estado e começou a lecionar em 2013 quando foi chamado para assumir o cargo, com 24 anos.

Rodrigo acredita que o que o levou a ser professor foi o instinto. No entanto, ele afirma que a paixão pela docência nasceu na infância. "Desde pequeno eu já brincava com os primos e coleguinhas de ser professor, tanto que eu cresci com isso e quando a gente nasce com o dom de ensinar isso sai naturalmente", comentou. De acordo com o professor um dos motivos pelos quais os alunos atualmete não tem o interesse de ser professor é por conta de ter uma vivência de sala de aula e conhecerem os desafios dos docentes dentro de sala. Além disso, a questão da remuneração conta bastante na hora da escolha de uma carreira. "Os alunos sabem que o professor de educação básica não é valoizado, não recebe salário justo, então isso faz com que esses alunos acabem estudando para ser engenheiros, médicos, advogados, faz com que eles sigam carreiras que lhe tragam um emprego bem remunerado", relatou Ribeiro.

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