Manaus, 19 de Novembro de 2018
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Tradição em defesa da indústria

Por: Da Redação
03 Ago 2017, 18h12

Crédito:Divulgação
A Federação das Indústrias do Estado do Amazonas passou os últimos 57 anos aperfeiçoando seu principal objetivo e sua própria razão de existir, a defesa intransigente da indústria amazonense. Assim, o presidente da Fieam, Antonio Silva, se referiu aos fatos que se seguiram ao 3 de agosto de 1960, quando a instituição foi criada por um grupo heróico de empreendedores, que então lutavam contra o descaso e o abandono governamental. Gente do porte de um Abrahão Sabbá, um Antonio Simões ou de Moysés Israel, empresários que comandavam o segmento industrial no período anterior à Zona Franca de Manaus.

Nesta quinta-feira (3), enquanto se mantém atenta às próximas decisões do Congresso Nacional com relação às entidades Sesi e Senai, a Fieam promove debate com empresários do setor sobre o Sistema Indústria, contribuição compulsória e sobre a reforma trabalhista, com palestra do diretor da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Alexandre Furlan, a partir de 18h, no Auditório Auton Furtado, na sede da Instituição.

Presidente do Conselho de Relações do Trabalho da CNI e vice-presidente para a América Latina no Conselho Diretivo da OIT (Organização Internacional do Trabalho), Alexandre Furlan tem defendido que a modernização das leis do trabalho é fundamental para o crescimento da economia brasileira. Para ele, o debate deve se pautar pela busca do equilíbrio entre competitividade e produtividade das empresas com a devida proteção do trabalhador.

A reforma trabalhista, que deve entrar em vigor em novembro deste ano, acena para mudanças extremamente positivas na relação entre capital e trabalho, segundo Furlan. "É preciso ter uma maturação de tudo aquilo que a lei altera para que as mudanças possam se incorporar definitivamente no ambiente jurídico brasileiro e trazer aquilo que é mais importante: simplificação, segurança jurídica e relações do trabalho modernas e adequadas", diz ele.

Em outro campo, Furlan, que é ex-presidente da FIEMT (Federação das Indústrias do Estado do Mato Grosso), deve reforçar, em Manaus, o principal argumento do Sistema Indústria em defesa das entidades Sesi e Senai, a de que elas existem para melhorar a produtividade e a competitividade das empresas, além de promoverem o crescimento econômico e social do Brasil. Sesi e Senai atualmente são alvos de projetos de lei que mexem nos recursos que recebem das indústrias.

Reconhecidas por oferecer educação básica e educação profissional, apoio à inovação das empresas e serviços de saúde e segurança no trabalho para empresários e trabalhadores, Sesi e Senai são mantidas por recursos oriundos de contribuições compulsórias da indústria. As empresas industriais recolhem o equivalente a 1,5% e 1% da folha de pagamento, respectivamente, para o Sesi e para o Senai. As pequenas empresas que aderiram à legislação do Simples estão isentas dessa contribuição.

Graças aos recursos da contribuição compulsória, o Senai construiu, em seus 75 anos de atuação, o maior complexo de educação profissional das Américas e um dos maiores do mundo, com 555 unidades fixas, 442 unidades móveis, incluindo os dois barcos-escolas Samaúma, do Senai Amazonas, além de 57 institutos de tecnologia e uma rede de 25 institutos para desenvolver projetos de pesquisa aplicada e inovação para a indústria brasileira.

Criado há 70 anos, o Sesi, por sua vez, conta com 1.248 escolas e unidades fixas e móveis de saúde. No ano passado, realizou mais de 1,7 milhão de matrículas em educação básica e continuada. A instituição, que é referência nacional e internacional na oferta de serviços em saúde e segurança no trabalho, atendeu, no ano passado, mais de 3 milhões de pessoas nessa área em todo o país. É esse tipo de serviço que ajuda a reduzir faltas ao trabalho e aumentar a produtividade dos trabalhadores.

Outro forte argumento na defesa das instituições, diz respeito à aprovação dos empresários que contribuem para o sistema quanto à atuação do Sesi e do Senai, como demonstrou pesquisa realizada no ano passado pela CNI com 3.921 estabelecimentos industriais: 88% e 84% dos entrevistados afirmaram estar "Satisfeitos" ou "Muitos Satisfeitos" com o desempenho do Senai e do Sesi, respectivamente. Além disso, os entrevistados foram unânimes em afirmar que o Sesi e o Senai "são essenciais para a indústria brasileira".

No Amazonas é assim
No Amazonas, onde atuam desde 1949 e 1957, respectivamente, o Sesi e o Senai dispõem de uma rede de educação consolidada -e ajustada à realidade local -tanto com educação profissional e formação de mão de obra para empresas do PIM (Polo Industrial de Manaus), quanto do ensino fundamental e médio, voltado basicamente para os filhos dos industriários.

De acordo com Antonio Silva, se no Amazonas o Senai conta com o diferencial dos barcos Samaúma, por meio dos quais já ofereceu formação profissional para mais de 58 mil pessoas em todos os Estados da Amazônia, o Sesi também faz a diferença com a creche que mantém há 23 anos a serviço dos trabalhadores da indústria local, com capacidade para mais de 2 mil crianças.

Além do atendimento itinerante proporcionado pelos barcos Samaúma, com capacidade para atender até 5.500 alunos por ano, o Senai chega ao interior do Estado por meio de três agências de treinamento, uma em Coari, a 363 quilômetros de Manaus, uma em Iranduba, outra em Manacapuru, ambas na Região Metropolitana de Manaus, e mais o Centro Integrado Sesi Senai de Parintins, 369 quilômetros de Manaus.
Em quase 60 anos de atuação no Estado, o Senai promoveu acesso à educação profissional para 766.702 pessoas em 22 das 26 ocupações demandadas pela indústria local. Ao todo, o Senai oferece pelo menos 200 cursos de iniciação, educação a distância, aperfeiçoamento, qualificação, aprendizagem, habilitação técnica e especialização.

O presidente da Fieam afirma que o Senai tem ampliado, ano após ano, a oferta de vagas gratuitas em cursos de formação para estudantes de baixa renda ou trabalhadores, estejam empregados ou desempregados. Segundo Antonio Silva, no ano passado, o Senai ofertou 64,2% de suas vagas à gratuidade no Amazonas. No Sesi, segundo os números a serem apresentados por Antonio Silva, o número de atendimentos na área de educação, nos últimos dez anos, chegou a 196.193 nas seis escolas, de Manaus, de Iranduba, Itacoatiara e Parintins. Esse atendimento vai da creche ao ensino médio, da Educação de Jovens e Adultos à Educação Continuada.

"Cabe ressaltar que a administração e aplicação dos recursos do Sesi e do Senai, arrecadados das empresas, seguem os princípios da ética, da transparência e da eficiência", diz Silva. Segundo ele, todas as informações sobre orçamentos, demonstrações contábeis e vários outros dados sobre a gestão e as contas das duas instituições estão nas páginas "Transparência" disponíveis nos sites das duas entidades.

Indústria
Antonio Silva diz que os últimos números processados pela Suframa, com relação ao faturamento do PIM, indicam uma retomada da produção industrial local, pequena, mas animadora. De janeiro a maio, o PIM faturou mais de R$ 31 bilhões, o que representou um crescimento de 10% em relação ao mesmo período de 2016. Segundo o presidente da Fieam, a indústria amazonense acaba sendo uma das mais atingidas pela crise porque os bens de consumo que fabrica são consumidos em grande parte pelo mercado interno. "Com o desemprego, a população perde o poder de consumo e passa a comprar apenas produtos considerados de primeira necessidade", diz.

A boa notícia, segundo Antonio Silva, é que os números do emprego também começam a melhorar. De acordo com a Suframa, em maio passado, houve um aumento de 1,46% em relação ao mesmo mês de 2016. É um bom sinal, diz o presidente da Fieam.

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