Manaus, 15 de Novembro de 2018
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Cresce pirataria em rios da Amazônia

Por: Hellen Miranda hmiranda@jcam.com.br
26 Jul 2017, 13h38

Crédito:Divulgação
Os rios da Amazônia têm sido alvo crescente de ataques de grupos de criminosos - os chamados piratas. A estimativa é que a caça ao tesouro cause um prejuízo anual de R$ 100 milhões ao setor de navegação da região. Segundo a Fenavega (Federação Nacional das Empresas de Navegação Aquaviária) e o Sindarma (Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial no Estado do Amazonas), cerca de 70% dos assaltos às embarcações é relacionado aos combustíveis transportados. Os 30% restantes são referente a roubos e furtos de outras mercadorias. O reforço na segurança é uma das principais reivindicações das entidades e empresários do setor fluvial.

O vice-presidente do Sindarma e representante da Fenavega, Claudomiro Carvalho, relata que o problema da pirataria na região é recorrente, mas tem se agravado nos últimos anos. De acordo com ele, a estimativa é de que o volume de assaltos cresça, anualmente, entre 10% e 15%. "Os prejuízos são expressivos e a média se mantém em torno de R$100 milhões por ano para as empresas que fazem o transporte de cargas pelos rios da Amazônia", afirmou. A ação dos também chamados de 'ratos d'água' quase sempre é a mesma. Eles se aproximam das embarcações em lanchas rápidas, rendem e ameaçam tripulantes utilizando armamento pesado, como metralhadoras e fuzis. Na sequência, chega um barco maior para onde é transportado tudo que foi roubado. Em alguns casos, a tripulação é agredida durante a ação dos criminosos. "Além dos assaltantes levarem as cargas e os pertences da tripulação, a situação piorou porque aumentou a violência física. Agora os bandidos também agridem os trabalhadores que em alguns trechos nem querem mais ir com medo, é o caso da rota próximo a Belém", informou Carvalho. Segundo um relatório do Sindarma sobre ataques de piratas, que reúne casos informados ao sindicato, o mais recente foi registrado em abril de 2017 no rio Negro, na zona Sul de Manaus. Os criminosos fortemente armados agrediram tripulantes e levaram mais de 30 mil litros de combustível de uma balsa de transporte de combustíveis. Mas há relatos de que em alguns casos a ação resulta em morte de trabalhador. Os pontos mais críticos para se navegar são no rio Solimões, nas proximidades de Coari; o rio Negro, orla de Manaus; rio Amazonas Estreito de Breves no Pará (PA); rio Madeira entre Itacoatiara e Porto Velho (RO). Enquanto no território paraense os maiores índice de roubos são nas cidades de Prainha e Almerim. Todos os tipos de embarcações como balsas, empurradores e barcos que transportam mercadorias, equipamentos e passageiros são alvos dos criminosos.

"Mas o maior volume de perdas é de cargas de combustíveis porque é uma carga fácil de desviar e de comercialização, pois em todo local da Amazônia se consome combustível.

A principal suspeita é que os combustíveis furtados e roubados abasteçam o garimpo ilegal de ouro nos rios da região", disse. A maioria das ocorrências acontecem durante a noite, período em que não há presença de policiais nos rios. O Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes estima que mais de 10 bilhões de litros de combustível foram roubados na Amazônia em 2016, sendo que o maior volume ocorreu em balsas de transporte. No primeiro trimestre deste ano, já foram 2,4 bilhões.

Gargalos e ações
Dentre os principais gargalos para combater os grupos de criminosos que atuam nos rios da Amazônia, segundo Carvalho, estão o tamanho hidrográfico da região e a falta de efetivo da guarda policial. "Os rios são muito grandes com características até internacionais como o rio Solimões. As quadrilhas são organizadas e atuam há anos, sendo necessário haver maior reforço policial nas rotas fluviais", comentou o representante. "Mas conseguimos sensibilizar e firmar um termo de cooperação técnica com a SSP-AM (Secretaria de Segurança Pública do Amazonas) com objetivo de dar mais segurança para as atividades fluviais no Estado", acrescentou.

O termo estabelece como permanente a operação Ratos D'Água, quando serão realizadas operações policiais com apoio do Sindarma para coibir os crimes nos rios. Carvalho explicou que, a parceria celebrada em maio deste ano consiste em apoiar com infraestrutura a SSP-AM, enquanto a secretaria de segurança entra com o efetivo e a inteligência. "Com isso será possível investigar profundamente e mapear a rota do combustível ilegal que só existe porque alguém compra e comercializa. Sem dúvidas esse convênio é um instrumento de ganho", frisou.

A SSP-AM monitorará as vias fluviais percorridas pelas embarcações, estabelecerá bases de apoio operacional e coibirá o comércio clandestino de combustível. O cronograma e execução da operação é de competência da secretaria. Carvalho destacou ainda que, a ação de combate não deve se limitar ao Estado, se estendendo a órgão como da União, Polícia Federal e Marinha do Brasil.

Outros casos registrados
Segundo o Sindarma, outro caso de ataque de piratas que a entidade ficou ciente, ocorreu no dia 15 de outubro de 2016. Quatro homens assaltaram uma embarcação da AmazonGás,próximo ao município de Codajás, localizado a 240 km de Manaus. Os piratas levaram 10 mil litros de diesel do barco. A Polícia Civil de Coari investiga o caso.

Já no dia 25 de setembro de 2016, um grupo de piratas atacou uma embarcação no interior do Amazonas. Uma balsa com empurrador navegava no Paraná do Tapira, na margem direita do rio Amazonas, entre os municípios de Codajás e Coari. Segundo a tripulação, quatro homens armados com espingarda calibre 12 participaram da ação e renderam os cinco tripulantes que estavam na balsa. Os assaltantes roubaram 1.500 litros de diesel e 300 litros de gasolina, que totaliza um prejuízo de mais de R$ 5.500 mil. Os piratas ainda levaram celulares e mantimentos da embarcação.

Em agosto a mesma empresa de navegação foi alvo dos assaltantes na área do Laranjal, entre Coari e Tefé. O caso é investigado pela Polícia Civil, mas detalhes não foram divulgados para não atrapalhar a investigação.

Comentários (1)

  • mimico netto29/07/2017

    Na Amazônia tudo é imenso, razão maior para implementar ações de combate aos criminosos, envolvendo Exército, Marinha, Aeronáutica, Polícia Federal, Militar Civil, Ambiental, etc., em caráter permanente, sem tréguas, com estratégias relativas à dimensão amazônica.

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