Manaus, 12 de Novembro de 2018
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Saudosismo alimenta consumo

Por: Priscila Caldas pcaldas@jcam.com.br
21 Jul 2017, 19h21

Crédito:Divulgação
Na tentativa de atingir a memória afetiva do consumidor que conheceu produtos como calçados, alimentos, brinquedos, entre outros, nas décadas de 70, 80 e 90, grandes empresas apostam no relançamento de itens que prometem ir de encontro ao saudosismo dos brasileiros. O chocolate Lollo, o chinelo Rider e até o celular Nokia antigo modelo 3310 são alguns dos objetos que saíram dos antiquários para retornar às prateleiras de lojas na expectativa de alavancar as vendas.

Um dos produtos que voltaram, relançado pela Nestlé, foi o chocolate Lollo com a mesma embalagem e sabor. O doce alcançou sucesso nos anos 80 e já pode ser encontrado nos comércios da capital e do país. O produto foi substituído pelo Milkybar em 1992.

Há 7 anos a imagem da "Menininha Nhac" sumiu da margarina Claybom, mas agora será resgatada na tentativa de um reposicionamento da marca no mercado. A empresa BRF, dona da marca, que também é proprietária da Sadia e Perdigão, decidiu relançar o produto. Criada na década de 1950, a margarina ficou famosa pelo slogan "Claybom, nhac, nhac, bom", que aparecia em comerciais de TV.

Criado pela empresa Grendene, os clássicos chinelos da marca Rider também estão de volta. A empresa aproveitou o aniversário de 30 anos da marca, no último ano, para investir no retorno da produção do chinelo que marcou o consumo nos anos 80, 90 e 2000. Os chinelos masculinos estão à venda em todo o Brasil.

No setor de telefonia, quem não lembra do popular "tijolão" da Nokia? Pois é, ele está de volta. No último mês de março a Nokia anunciou o retorno do Nokia 3310 que fez sucesso no início dos anos 2000 e vendeu mais de 126 milhões de unidades. Pode parecer estranho por ser um aparelho que foge às tecnologias do smartphone e da integração ao uso das redes sociais, mas o aparelho chamou a atenção durante o lançamento na MWC (Mobile World Congress), maior feira de telefonia do mundo, em Barcelona.

Na páscoa deste ano o consumidor teve a oportunidade de reencontrar o chocolate Surpresa fabricado pela Nestlé. De olho no público nostálgico a fabricante lançou o Ovo Surpresa, inspirado no chocolate em tablete que fez sucesso nos anos 80 e 90. O lançamento atendeu a pedidos de consumidores, mas a empresa não confirmou se voltará a comercializar o produto na versão tradicional.

Na avaliação do gerente de marketing da Fametro (Faculdade Metropolitana de Manaus), Gabriel Araújo, as fabricantes ao planejarem retomar a produção de um item pontuam dois fatores, que são: a credibilidade e a aceitação do produto por parte do cliente.

Segundo o gerente, o produto que marcou uma geração pela qualidade oferecida ao consumidor, ao ser relembrado, remeterá boas lembranças ao cidadão. Ele explica que consequentemente, haverá o interesse pela nova aquisição do produto.

"O consumidor é desconfiado e precisa comprovar a qualidade do produto para ganhar a confiança. Boa parte das novas marcas tem problemas porque não conseguiu provar o valor do que produz e o mercado é exigente. Marcas antigas ao retornarem aos comércios voltam com preços elevados e mesmo assim têm demanda porque o público conhece e confia, eles compram", explicou.

Araújo também disse que a forma de exposição do produto também influencia para que o cliente preste a atenção no que está sendo oferecido.

O layout , que é a roupagem do item ativa a lembrança do consumidor com base na confiabilidade. "Uma marca que esteve no mercado e retorna com uma nova roupagem tem tudo para impressionar o consumidor. Isso é diferente de criar uma nova marca, que no caso será desconhecida".

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