Manaus, 19 de Novembro de 2018
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Estímulo novo aos varejistas

Por: Hellen Miranda hmiranda@jcam.com.br
20 Jul 2017, 19h40

Crédito:Walter Mendes
Após registrar a maior taxa de inadimplência do ano em maio (4,5%), o Amazonas recuou e encerrou junho com uma taxa de 4.1%. Ao todo, 3,1 mil pessoas estão inadimplentes no comércio varejista da capital. Em maio, esse número chegou a 5.3 mil. Os dados são da Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL Manaus) que projeta o mesmo índice para o mês de julho. Com a estabilização no volume de demissões e da economia, além do pagamento de benefícios como o 13° salário, a expectativa do setor comercial é de que a taxa de inadimplência siga registrando queda nos próximos meses. Atualmente, 375 mil amazonenses estão na lista de maus pagadores.

Na avaliação do presidente da Fecomércio (Federação do Comércio do Amazonas, José Roberto Tadros, houve uma somatória de ações que contribuiram para a queda no indicador do ultimo mês e que deve refletir positivamente no segundo semestre. "Tem fatores pontuais como a discreta recuperação de emprego, queda das taxas de inflação e juros, aumento das exportações que impactaram todos os setores econômicos. Com isso e a volta dos investidores, tanto o empresário quanto o trabalhador se sente mais otimista para os próximos meses", analisou.

O presidente da federação comentou ainda que a injeção antecipada na economia local do décimo terceiro contribuirá para uma trajetória de queda neste segundo semestre. "Grande parte será usado para quitar ou reduzir pendências do consumidor que consequentemente sairá da inadimplência", disse Tadros acrescentado que para a economia brasileira entrar de vez na rota de desenvolvimento depende do cenário politica.

O presidente da assembleia-geral e do conselho superior da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ismael Bicharra ressaltou que a liberação de benefícios como o 13° salário, abono de natal e salarial PIS/PASEP devem movimentar o comércio a partir deste mês. "Além disso, no segundo semestre costuma ter empregos temporários e aquecimento de venda em datas comemorativas. Isso tudo gera renda e consumo no mercado", afirmou o empresário.

Bicharra destacou que o dinheiro injetado de diversas formas na economia como o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), usado em grande parte para liquidar contas vencidas, puxou a queda na inadimplência. " O Brasil já chegou a ter mais de 50% da população na lista vermelha de crédito, onde em dez pessoas sete estavam devendo no país e por isso todo dinheiro que as pessoas recebem a prioridade é quitar suas dividas" frisou o representante da ACA.


De acordo com a Caixa Econômica Federal, até a segunda quinzena de julho aproximadamente 272,29 mil trabalhadores amazonense sacaram os recursos disponíveis nas contas inativas. O valor injetado na economia chegou a R$ 354,25 milhões. O presidente da CDL Manaus, Ralph Assayag, reforçou que a queda da inadimplência em junho de 4,1% tem a ver com a liberação do recurso. "Muitos consumidores sacaram ele para quitar dívidas e isso é muito bom para que voltem a ter crédito e para o lojista que acumulava perda referente aos débitos. Também, volte a operar no azul", disse.

Segundo Assayag, apesar do alto número de inadimplentes no Estado esse volume vem diminuindo deste o início de 2017. Conforme a entidade, ao todo 375 mil amazonenses estão na lista de maus pagadores. Para ele, o resultado mostra que houve uma paralisação nas demissões e possível estabilização da economia. "O número de demitidos está no mesmo patamar que os admitidos e com isso a nossa expectativa é que a taxa de inadimplência siga registrando queda nos próximos meses", projetou o presidente da CDL Manaus.

Instabilidade provoca inadimplência
Na leitura do economista, Francisco Mourão Filho, vários fatores influenciaram o aumento de consumidores amazonenses na lista de maus pagadores. "A incerteza do atual cenário econômico é o principal fator do ciclo que provoca a inadimplência. Mas a nossa região sofreu duramente com o desaquecimento do PIM (Polo industrial de Manaus) que influenciou na alta do desemprego, além disso tem a questão cultural de não planejar os gastos, comprando por impulso e gerando dívidas, ou seja, o próprio consumidor cria armadilhas para cair no endividamento", avaliou o especialista.

De acordo com ele, para quem quiser deixar as contas em dia é preciso fazer um planejamento e agir com cautela. Segundo Mourão Filho, a chave para não voltar a temida lista de devedores é simples e o consumidor pode usar até a tecnologia como aliada. "Caso tenha muitos cartões de crédito, o primeiro passo é cancelar a maioria e ficar só com os necessários. Em seguida, evitar o cheque especial, não comprar por impulso e envolver toda a família nesse processo. Além disso, hoje já existem muitos aplicativos de Smartfones que auxiliam as pessoas no controle dos gastos", orientou.

O foco é geralmente eliminar as dívidas menores, mas em relação as maiores, o especialista destacou que o consumidor deve tentar negociar para conseguir abatimento do saldo devedor. "O poder de pagar à vista é muito válido porque corta juros e multas reduzindo o valor, sendo uma boa opção", afirmou.
Mourão Filho comentou ainda que, aproximadamente 90% das pessoas devem aproveitar o saque do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) de contas inativas para sair do vermelho. "A prioridade deve ser limpar o nome e como muitos vão liberar o crédito para fazer novas dívidas, nesse processo é preciso utilizá-lo com prudência para não perder novamente o controle financeiro", alertou Mourão.

Saiba mais
O SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) e a CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) estimam um total de 59,76 milhões de pessoas físicas negativadas no País em junho, o que representa um saldo de 1,5 milhões de nomes incluídos nas listas de negativação no primeiro semestre deste ano. O número reflete as dificuldades que o cenário de desemprego elevado impõe às famílias. O número representa 39,6% da população com idade entre 18 e 95 anos. Em junho do último ano, a estimativa apontava a marca de 59,1 milhões de inadimplentes.

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