Manaus, 23 de Setembro de 2018
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Consumidor ainda pessimista no Estado

Por: Cíntia Valadares
18 Jul 2017, 14h12

Crédito:Walter Mendes
O IFPEAM (Instituto Fecomércio de Pesquisas Empresariais do Amazonas) realizou no mês de junho a pesquisa de Intenção de Compra e Confiança do Consumidor para o mês de julho de 2017 na cidade de Manaus, que tem por objetivo identificar o sentimento dos consumidores, levando em consideração suas condições econômicas atuais e suas expectativas quanto à situação futura da economia local.

As informações obtidas são particularmente importantes para as empresas do comércio varejista, pois servem como balizador para tomada de decisões de investimentos e planejamento de compras. A pesquisa foi realizada por zonas e seus respectivos bairros em Manaus junto a 400 consumidores. A amostra foi aleatória, o que permite que todos os consumidores tenham a mesma probabilidade, diferente de zero de participar. Além dessa pesquisa, você pode encontrar no portal da Fecomércio os relatórios das pesquisas de Comportamento do Turista na Cidade de Manaus e a Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista de Manaus.

De acordo com José Fernandes, economista do Instituto Fecomércio, o resultado da pesquisa se dá pelo alto índice de desemprego no Estado, que com 25% é uma das maiores do país. Outro fator relevante é a alta taxa de inadimplência que hoje é superior a 30%, sendo a maior taxa de inadimplência do Brasil.
"Existe um endividamento por conta do índice de desemprego, e isso se reflete no comportamento do consumidor. Há três anos, o quando o índice de inadimplência chegava a 4% já causava um temor no país, e hoje estamos com esse número que é bem maior", comentou o economista.

Por outro lado, o empresário que não está otimista, acredita que com a implantação das reformas propostas pelo governo federal, a tendência é melhorar a situação econômica do país. "Com a reforma trabalhista, tributária e previdenciária vamos poder sair desta crise que afeta todos os setores", informou Fernandes.

A pesquisa referente ao mês de julho de 2017 demonstrou que 23,5% dos 400 consumidores entrevistados relataram receber renda familiar mensal de até um salário mínimo (R$ 937,00), sendo que a maioria (60,8%) relatou receber renda entre mais de um a dois salários mínimos (R$ 938,00 a R$ 1.874,00). Observou-se ainda que 15,8% dos entrevistados declararam receber renda mensal entre R$ 1.875,00 e R$ 3.748,00.

Em relação à ocupação principal, a maioria dos entrevistados (48,5%) era assalariado com carteira assinada, em seguida apareceram os autônomos (30,0%), funcionários públicos (11,5%), assalariados sem carteira assinada (3,5%), aposentado ou pensionista (1,0%) e estudantes (0,3%). Na análise observou-se ainda que 5,0% dos entrevistados encontravam-se desempregados.

Sobre o índice de confiança do consumidor, a pesquisa apontou que a maioria dos consumidores entrevistados relatou que a situação econômica atual, quando comparada a julho de 2016, encontra-se um pouco ou muito pior (68,5%). Observou-se ainda que 18,7% relataram que permanece igual e 12,8% consideraram está um pouco ou muito melhor que o observado no mesmo período do ano passado.
Em resumo para 86,8% dos consumidores, conseguir um novo emprego continua um pouco ou muito mais difícil quando comparado ao mesmo período do ano passado. Para 47,5% dos consumidores entrevistados, a economia amazonense para os próximos seis meses estará um pouco ou muito pior do que a atual. Percentual de consumidores que relataram ter sofrido com assaltos durante o mês de maio foi de 13,0%. A maioria dos consumidores relataram que a situação financeira familiar atual, quando comparada há seis meses, permanece inalterada. 97,8% dos consumidores acredita que os preços dos produtos para o próximo mês estarão altos quando comparados com o mês atual.

Expectativa financeira
Quanto à expectativa econômica do consumidor, a pesquisa mostrou que 47,5% acreditam que a economia do Amazonas para os próximos seis meses estará um pouco ou muito pior, sendo que para 38,8% dos entrevistados a situação permanecerá inalterada e para 13,7% estará um pouco ou muito melhor.

Em relação à situação financeira familiar, constatou-se que 44,0% dos consumidores entrevistados responderam que não mudou quando comparada ao mês anterior, no entanto, para 44,3% a situação financeira da família piorou e para apenas 11,7% melhorou.

Quanto à expectativa do consumidor em relação à situação financeira da família para o próximo mês, os entrevistados não estão nada otimistas, pois 63,2% acreditam que a situação permanecerá inalterada, enquanto que para 19,5% estará um pouco ou muito pior. Já os que acham que a situação estará um pouco ou muito melhor foi de 17,3%.

Mas a pesquisa aponta uma melhora na expectativa dos entrevistados quando indagados a respeito da expectativa quanto à situação financeira familiar para daqui a seis meses, a situação é animadora, pois 60,4% dos entrevistados acreditam que estará um pouco ou muito melhor, enquanto que 34,5% indagaram que permanecerá igual. Observou-se ainda que 5,1% dos entrevistados acreditam que a situação estará um pouco ou muito pior que a atual.

Empregabilidade
Em relação à oportunidade de emprego em Manaus, comparada ao mesmo período do ano passado, constatou-se que 86,8% dos entrevistados relataram estar um pouco ou muito mais difícil conseguir um emprego, no entanto, apesar do alto índice de pessimismo, observou-se que 9,4% dos entrevistados relataram que conseguir um novo emprego está um pouco ou muito mais fácil. Já na opinião de 3,8% dos consumidores entrevistados as chances de se recolocar no mercado de trabalho permanecem inalteradas.
Quando indagados sobre as oportunidades de emprego para os próximos três meses, os consumidores continuam pessimistas, pois 84,8% acreditam que arranjar um novo emprego estará um pouco ou muito mais difícil, quando comparado com a situação atual, enquanto que na opinião de apenas 7,0% a situação estará um pouco ou muito mais fácil enquanto que para 8,2% permanecerá igual.

Preços dos Produtos
Quanto aos preços praticados no comércio, a grande maioria (97,8%) dos consumidores acredita que para o próximo mês, eles estarão um pouco ou muito mais caros.

Apesar dos níveis baixos, os consumidores continuam com suas intenções de compra para os bens de consumo de natureza pessoal e duráveis no mês de julho. Nesse contexto, destacam-se os setores de vestuários (14,5%), calçados (8,3%), celular (7,3%), relojoaria (4,8%), informática (3,5%), veículos (3,5%) e tecidos, com percentual de 3,0%.

Quanto ao local onde os consumidores costumam fazer suas compras, a preferência da maioria (36,5%) continua sendo o centro da cidade. No entanto, a pesquisa mostrou que 33,5% preferem fazer suas compras no comércio local onde o consumidor mora e 30,0% nos shoppings da cidade. Em suas compras, um pouco mais da metade dos consumidores utiliza a modalidade "A Dinheiro ou Débito Automático" como principal forma de pagamento (50,5%), sendo que os pagamentos por meio do cartão de crédito representaram 49,5% das compras no período pesquisado.

Outro fator importante da pesquisa, foi a questão da segurança. Foi solicitado aos consumidores entrevistados, que respondessem se sofreram assaltos durante o mês de maio deste ano, onde foi observado que 13,0% (52/400) respondeu afirmativamente, sendo que destes, nenhum relatou ter registrado o ocorrido às autoridades competentes, demostrando que existe uma subnotificação de casos de assaltos nos órgãos responsáveis pela segurança pública no município de Manaus.

Segundo José Fernandes, o maior conhecimento dos hábitos de consumo das famílias amazonenses e o uso adequado das informações relativas ao padrão de consumo colocam as empresas de varejo em uma posição privilegiada em relação aos fornecedores.

Este poder, inclusive, vem sendo explorado pelo varejo, por exemplo, por meio de importação de produtos e do lançamento de marcas próprias, cujas vendas já estão crescendo no Brasil, embora ainda representem uma pequena parcela. Além dessas forças de ambiente externo, as empresas do comércio varejista precisam focar o objeto central do negócio, isto é, o cliente.

Isto implica que o processo de vendas das empresas precisa voltar-se também para as tendências de consumo, em termos de novas preferências, exigências ou necessidades dos compradores, especialmente nos tempos atuais em que se verifica um crescente volume de novos produtos, marcas e a ampliação da concorrência com a abertura do mercado brasileiro a empresas estrangeiras na área de varejo.

Atender às exigências, necessidades e expectativas dos consumidores tornou-se prioritário para adaptar o negócio às novas realidades do mercado, pois são clientes que decidem o que comprar e de quem comprar. Não é suficiente ter um bom produto ou serviço, é preciso fazer com que ele desperte interesse de consumo nas pessoas, e passe a fazer parte da sua motivação de compra no futuro. Esta é a condição para que as empresas do varejo sobrevivam em meio à grande concorrência.

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