Manaus, 18 de Setembro de 2018
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Volta ao passado no Centro

Por: Priscila Caldas pcaldas@jcam.com.br
14 Jul 2017, 20h04

Crédito:Walter Mendes
Os agricultores do interior do Estado representam maior parte da demanda dos estabelecimentos comerciais da área do entorno do porto da capital, no Centro. Materiais expostos ao chão, estrutura simples e ambiente sem refrigeração são características mantidas, há décadas, para atender ao perfil e chamar a atenção do consumidor. Segundo os empresários, entre as fortes características do homem do campo está a garantia do pagamento de qualquer compra em espécie, ou seja, à vista, o que faz com que as empresas optem pela preservação das formas tradicionais de comercialização sem o uso de máquinas eletrônicas para parcelamento por meio de cartão de crédito.

O proprietário da Casa Manarte, José Pereira Manarte, 64, integra a terceira geração da família frente a administração da empresa que há 96 anos comercializa produtos na rua Barão de São Domingos, na capital. Ele afirma que desde a fundação da empresa o principal consumidor dos produtos vendidos é o interiorano, que segundo Manarte, desembarca na área portuária, vende seus produtos agrícolas e logo depois vai ao comércio para comprar o item necessário para continuar suas atividades no campo.

Manarte explica que até hoje não optou pelo uso das máquinas eletrônicas para o parcelamento em cartão de crédito devido à elevação dos encargos decorrentes das taxas para manutenção dos equipamentos, valor que obrigatoriamente deverá ser repassado ao produto e ao consumidor final.
"Não usamos o cartão de crédito porque encarece o produto. Ao aderir à máquina para registrar o cartão será necessário repassar ao valor da mercadoria os juros do cartão, a manutenção que deve ser paga ao banco, etc. E tudo isso encarece", disse. "O cliente vem com dinheiro para comprar e paga menos porque o preço da mercadoria é livre de incidência de outras taxas. Por atendimento aos requisitos Estaduais utilizamos o sistema de emissão do cupom fiscal eletrônico. É o que usamos de informatização", completou.

De acordo com a administradora da empresa São Domingos Distribuidora, Vivian Corrêa, 54, o povo ribeirinho é o principal consumidor dos produtos comercializados na área próxima ao porto de Manaus. Porém, ela conta que nos últimos anos o interiorano apresentou mudanças no comportamento porque deixou de comprar estivas, comércio que praticamente predominava na região do entorno do porto. Segundo a administradora, a alteração ocorreu porque empresas atacadistas expandiram os atendimentos ao interior do Estado, dispensando a vinda do trabalhador para a capital em busca dos produtos.

Após 40 anos de atuação na venda de estivas, a empresa ao registrar baixos índices de vendas e precisar demitir dois funcionários, decidiu investir em um novo ramo comercial que é de materiais para agricultores e manutenção de embarcações. Há sete meses a empresa São Domingos comercializa produtos do novo segmento e já registra bons resultados com o aumento de 30% no faturamento, em relação ao primeiro semestre de 2016.

Vivian explica que a empresa precisa estudar o mercado e se adequar conforme as mudanças apresentadas pelo setor para conseguir manter os negócios. Ela afirma que maior parte do consumidor dos itens comercializados pela distribuidora é residente no interior do Estado e mantém alguma prática agrícola.

"Fizemos uma nova clientela e boa parte dela vem dos municípios do interior. Verificamos os materiais mais demandados pelo produtor agrícola, pelos navegantes e apostamos no novo segmento, o que tem dado certo. Dispensamos o uso de máquinas eletrônicas para cartão porque os produtos são de baixo valor e isso é somado ao fato de o cliente chegar com dinheiro para pagar à vista. Eles não são acostumados a essas tecnologias", comentou.

Segundo a administradora, a característica do local também precisa ser mantida conforme o perfil do cliente, que no caso é o homem de interior que é acostumado com a simplicidade. Ela afirma que até pensou em instalar um aparelho de ar-condicionado no local, mas concluiu que a mudança afastaria o consumidor que poderia pensar que no local os preços dos produtos seriam mais caros.

"Eles gostam de tudo simples, de ver os produtos no chão. O consumidor olha e se sente bem porque sabe que aqui o produto é barato. Mas, se a loja tiver portas de vidro e for refrigerada eles nem entram por imaginar que os produtos são caros. Então, mantivemos o local da mesma forma sem muitas mudanças. Temos fregueses que têm 89 anos e que vem do interior para comprar o que precisam aqui na loja e pagam à vista", disse.

Tradição versus custos
Na avaliação do antropólogo e cientista político, Ademir Ramos, os comerciantes que optam por manter o atendimento ou a forma de comercialização tradicional, onde o consumidor paga em dinheiro no ato da compra, mostram resistência à modernização do uso de equipamentos eletrônicos na tentativa de evitar maiores custos. Ele afirma que em meio à crise econômica, manter o atendimento tradicional é uma tentativa de garantir o mercado.

"Os comerciantes preferem o que é imediato e a decisão de não aderir à tecnologia é objetiva, uma forma de resistência. Se usar o sistema de cartão de crédito o estabelecimento precisa pagar taxas, o que encarece os custos. É uma forma de sobrevivência alternativa ao digital", analisou.

O filósofo, Nelson Noronha, concorda que o acesso aos recursos tecnológicos podem elevar os custos da empresa, além de gerarem processos burocráticos, daí o motivo para o adiamento à modernização. Ele ainda ressalta que o avanço tecnológico não conseguiu extinguir a tecnologia chamada como 'regatão', utilizada no passado.

"Ter registro com ferramentas eletrônicas eleva os custos do comércio, cria burocracia e gera desconfiança. A tecnologia do regatão sobrevive. São fenômenos muito comuns que a tecnologia mais recente não consegue extinguir de todo. Um exemplo, é que hoje com certeza ainda existem pessoas que enviam cartas pelo correio, outras preferem mais trajetos de barcos do que o avião, entre outros", explicou.




Comentários (3)

  • WALDENYR BARBOSA GOMES19/07/2017

    Os meios de comunicação devem informar e educar o povo que tempo é dinheiro e o progresso veio para mudar para melhor a vida do povo de um modo geral, seja no comercio na indústria, e nos meios científicos por que agindo ao lado do progresso a vida melhora, o ser humano vive melhor e vive mais anos de vida e com muita saúde, portanto temos que educar nossos vizinhos, porque a vida mudou e está mudando a todo instante... e vamos em frente que atrás vem gente a bessa !!!!

  • WALDENYR BARBOSA GOMES19/07/2017

    Os meios de comunicação devem informar e educar o povo que tempo é dinheiro e o progresso veio para mudar para melhor a vida do povo de um modo geral, seja no comercio na indústria, e nos meios científicos por que agindo ao lado do progresso a vida melhora, o ser humano vive melhor e vive mais anos de vida e com muita saúde, portanto temos que educar nosos vizinhos, porque a vida mudou e está mudando a todo instante... e vamos em frente que atrás vem gente abessa !!!!

  • WALDENYR BARBOSA GOMES19/07/2017

    Os meios de comunicação devem informar e educar o povo que tempo é dinheiro e o progresso veio para mudar para melhor a vida do povo de um modo geral, seja no comercio na indústria, e nos meios científicos por que agindo ao lado do progresso a vida melhora, o ser humano vive melhor e vive mais anos de vida e com muita saúde, portanto temos que educar nosos vizinhos, porque a vida mudou e está mudando a todo instante... e vamos em frente que atrás vem gente abessa !!!!

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